Entrevista – Mike Dirnt @ AllGigs.co.uk

Confira abaixo uma entrevista que o site AllGigs.co.uk fez com Mike Dirnt:

O novo álbum da banda, 21st Century Breakdown, levou cinco anos para ser feito. Por que demorou tanto?

Bem, nós fizemos uma turnê de dois anos com o álbum anterior (American Idiot) e Então levamos mais três anos para trabalhar neste álbum após o final da turnê em Dezembro de 2005. Entramos em estúdio em Fevereiro de 2006. Nós tínhamos que ter paciência para descobrir o que Realmente queríamos fazer, queríamos achar maneiras de nos desafiar ao invés de repetir o que fizemos antes. Pular logo de cabeça não faz muito o nosso estilo.

Quais os temas e influências deste novo álbum?

O álbum é chamado 21st Century Breakdown e temos, basicamente, dois personagens nele: Christian e Gloria, que falam em cada canção, mas sem ser uma história, mas mais uma identificação de cada canção nesta era pós-Bush. Pois, sabe, na América, a cada semana aparece uma nova crise, mesmo com um novo Presidente e uma sensação de otimismo, estamos indo em direção aos piores tempos desde a época da Depressão.

Ok, Então seria esse um álbum apenas para Americanos ou é também para todas as outras pessoas?

Bem, acho que qualquer pessoa pode se identificar com o álbum embora seja dali mesmo que ele vem. Só por que o álbum foi feito na América, não quer dizer que ele seja restringido para somente ali. Não fala somente sobre a América, fala sobre pessoas que têm emoções e sentimentos e sobre como você pode acabar com todos os seus sonhos se você não questiona as coisas, inclusive você mesmo.

Vocês citaram Queen, Bruce Springsteen, The Who, The Beach Boys, The Beatles e The Clash como as principais influências deste álbum. Como foi? Como estes artistas influenciaram vocês?

Eu acho que mais do que musicalmente todos estes artistas foram bastante inspiradores pelo trabalho que desenvolveram como um todo. Não é todo dia que uma banda ou artista tenta escrever o melhor álbum de sua carreira ou tenta atingir um novo patamar como compositores ou músicos. E para nós, esse desafio foi assustador, mas ao mesmo tempo muito motivador.

Hollywood é o melhor local para se conseguir isso?

Bem, apenas fomos para lá na última fase de gravação do álbum. Mas, para os primeiros anos de composição ficamos em Oakland. Então, fomos para um pequeno estúdio na Califórnia do Sul e foi quando Butch Vig entrou no processo…

Com 21st Century Breakdown vocês continuam na linha da opera-rock, após American Idiot, e o álbum é um tanto longo (com três atos), por que um álbum tão longo?

É, o álbum tem cerca de 70 minutos. Sabe, eu acho que esse álbum poderia ser visto como três pequenos EPs juntos. Nós tentamos colocar e tirar algumas canções, mas parecia que havia uma espécie de seqüência natural – cada seção do álbum é importante para descrever uma idéia ou emoção e fazer com que seja uma ótima jornada musical. Acho também que viemos de uma época onde ainda existia o vinil e em uma época onde as pessoas podem baixar uma canção na internet se quiserem, precisamos fazer álbuns mais especiais do que isso.

Se você tivesse que escolher uma música de cada ato, quais seriam e por quê?

Para o primeiro ato (Heroes and Cons), eu escolheria Know Your Enemy, pois é uma música de questão pessoal e ao mesmo tempo global. No segundo ato (Charlatans and Saints), eu escolheria Restless Heart Syndrome, que é uma canção que fala sobre remédios sob prescrição médica e medicamentos OTC* que são publicados e forçados na América como uma forma de acabar com os seus pesadelos, mas que acaba matando os seus sonhos. E então para o terceiro ato (Horseshoes and Handgrenades), escolheria See The Light, pois tem de haver esperança em um tempo de crise, mesmo não tendo respostas para nada.

Quem escreveu as canções para o álbum? Todos contribuem com idéias?

Billie Joe escreveu a maioria delas, ele as leu para nós, e Então começamos a discutir arranjos e seqüências etc… Juntos, achamos uma correlação lógica e natural para todas as canções.

Por que escolheram Butch Vig para produzir o álbum?

Ele sempre esteve em nossa lista de escolhas em termos de quem gostaríamos de trabalhar junto um dia. E então, tivemos a chance de conhecê-lo e, uma vez que o fizemos, na hora decidimos que ele era o homem certo para o trabalho.

Você se sentiram estagnados com Rob Cavallo na produção?

Queríamos apenas algo um pouco diferente, só isso. Sempre estivemos muito envolvidos na produção de nossos álbuns, então queríamos alguém que nos desafiasse de uma maneira diferente…

E que maneira era esta?

Butch queria “aumentar”, completar o som das coisas, então em algumas canções, existe muita coisa em pianos ou certos estilos vocais que as pessoas nunca esperariam ouvir em canções do Green Day. Butch Realmente nos fez tirar essas coisas da cartola, ele nos deixou sermos emocionais, vulneráveis e fez com que não tivéssemos medo de nada.

Como você definiria a música de vocês hoje em dia? Ela evoluiu de um punk rock simples a algo mais?

Nós somos uma banda punk rock, é a cena na qual surgimos, mas também acho que somos uma ótima banda de rock’n'roll… Estou sendo mais do que modesto, pois é minha banda, mas acho que somos muito ambiciosos e quero mesmo é fazer música para o mundo, escrever belas canções e ser motivo de orgulho para minha família.

Ainda é possível ser uma banda punk depois dos 40?

Sim, pois a cena punk na qual cresci não tem idade e não existem regras para o punk rock.

O que você acha de todas essas bandas punk voltando: The Only Ones, Wire, para citar algumas, todas essas bandas voltando em 2008-09?

Bem, acho que não tem nada de errado em quererem voltar a tocar. Se as pessoas quiserem ir vê-los, ótimo. É como conosco, não podemos forçar ninguém a gostar de nossas músicas ou comprar nossos álbuns, apenas as lançamos e vemos o que acontece.

Vocês estão juntos há 22 anos. Sempre foi uma jornada tranqüila?

Nós estamos na banda há 22 anos, mas nos conhecemos desde os cinco anos de idade [risos]… Bem, sempre há os altos e baixos, mas acho que é mais difícil mantermo-nos juntos do que acabar com a banda. Muitas bandas terminam, mas nós conseguimos ficar juntos pela banda e por nós mesmos…

Então, já pensaram em acabar com a banda algum dia?

Eu não diria acabar, mas sim tirar um pouco a pressão de cima de nós, às vezes. Temos total consciência das oportunidades que nos são dadas, de conquistar objetivos fantásticos e não subestimamos isto. Além disso, sou muito orgulhoso da longevidade do Green Day.

Fala um pouco sobre o musical inspirado em American Idiot. Seria esse o começo de um plano de aposentadoria bem lucrativo?

Bem, não acho que fazemos nada por dinheiro. Acho que fazemos tudo pela arte. Eu não preciso de dinheiro, pois um dia irei morrer e ele eventualmente irá acabar, Então não me preocupo com isso. E como musical, quero dizer, nós assistimos e as pessoas que estão trabalhando nele são absolutamente talentosas em suas habilidades e ver essa garotada contracenando você repara que eles vivem para o teatro e para a sua arte e isso é muito inspirador para nós.

*OTC: Off The Counter – São remédios vendidos sem prescrição médica, aqueles analgésicos como Neosaldina, além de remédios como Engov, por exemplo.

Por: Solange Moffi

Fonte: AllGigs.co.uk

One Response to “Entrevista – Mike Dirnt @ AllGigs.co.uk”

  1. Haushinka disse:

    MEU DEUS, amei muuito essa entrevista, Mike como sempre simpático *o*
    Parabéns aí pra vocês, continuem existindo por favor (:

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