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GREEN DAY - Zero Rock Awards - Band of the Year

 

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Só poderia haver uma opção mesmo não é verdade? Tocando para mais de 130.000 pessoas em dois dias, encabeçando festivais e promovendo o melhor álbum dessa década; Terry Bezer se aprofunda nos últimos vinte meses da maior banda de punk-rock de todos os tempos.

 

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"Música para mim é o ar que eu respiro, é o sangue que corre em minhas veias, que me mantém vivo, então sem ela, eu não sei o que faria." Billie Joe Armatrong, 2005

 

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"American Idiot foi como um jeito de: vamos dominar o planeta! Sorte de Vibração. Voce tem que tê-la ao menos uma vez na vida.

Houve um momento no Milton Keynes Bowl em que você tinha que olhar à sua volta e ver outros 65.000 fãs de Green Day e perceber o quanto esse momento era especial. Um mar de braços no ar em harmonia para receber a chegada de uma banda que não só ressucitou o punk-rock como também o levou para um nível jamais imaginado. Houve um momento quando a banda encabeçou o Reading Festival pouco antes do lançamento de American Idiot, onde o majestoso Billie Joe tocou o final da monumental Good Riddance (Time of Your Life), em que ele vinha em meio a uma multidão de lágrimas. Os próximos vinte meses provariam o contrário, com Milton Keynes sendo o grande destaque de um ano que incluiu muitos desses outros.

 

"Bandas demais têm problema em fazer shows que são grandes." Diz Billie Joe Armstrong antes de subir no palco no Bowl. Eles sentem que precisam tentar criar intimidade e você não consegue criar intimidade em um lugar como aquele. Você tenta criar um evento. Você tenta criar um espetáculo, algo grandioso. Este é basicamente o maior show da história do punk-rock. Nós temos consciência disso, e não consideramos pouco coisa de maneira alguma."

 

A pequena banda punk de São Francisco que passou muitos anos lançando grande álbum atrás de grande álbum e chegando perto e mais perto do reconhecimento que eles tanto mereciam, finalmente se tornou a maior banda do mundo. O argumento de que o Green Day

 

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tem sido a banda de maior influência dos anos 90 sempre existiu. Quantas bandas atuais soam como Nirvana ou Korn ou Janes Addiction e quantas soam como Green Day? Sempre desprezada como uma simples banda punk, na realidade Billie Joe, Mike Dirnt e Tré Cool misturaram a energia crua do punk dos anos 70 com uma melodia ainda não vista, levando o punk-rock com tudo para o século XXI.

 

No final de 2004, Green Day finalmente ganhou o reconhecimento do mainstream com a sua astronômica obra American Idiot. Contendo hinos de nove minutos e as músicas mais políticas (e pessoais) feitas pela banda até hoje, essa "Ópera punk-rock" parece já ter deixado sua marca na história com críticas entusiasmadas em uma escala global parecendo ser unânime que isso não só foi o melhor lançamento do Green Day até hoje mas possivelmnte também o melhor momento do punk.

 

Mas talvez não tivesse nem chegado a esse ponto. Os estágios iniciais de American Idiot foram cheios de dificuldades e somente aconteceu depois que as fitas que tinham sido gravadas para o sétimo álbum do Green Day foram perdidas/destruídas. Isso forçou a banda a olhar para o interior e examinar dentro deles mesmos para superar problemas e demônios pessoais para gravar a melhor coisa que eles pudessem.

 

"Nós começamos a retornar aos ensaios de banda no porão do Billie e tal", diz um chateado Mike Dirnt. "Literalmente depois de duas ou três semanas, nós estávamos tipo, 'Isso tá uma porcaria. Nós sabemos como ter um ensaio de banda. Não é assim que queremos abordar o processo de criação.' Assim, chegou até ao ponto do Billie Joe me chamar num canto e perguntar 'Você quer continuar fazendo isso?'"

 

"Eu acho que para fazer algo que você sente no seu coração que é ótimo, você precisa cometer muitos erros para chegar lá", concorda Billie Joe. "Certamente havia uma hora em que estávamos fazendo demos e que estávamos tipo, 'Foda-se. Se as pessoas vão nos condenar então deixem elas condenarem, porra".

 

"No primeiro dia de gravação, a primeira coisa que fizemos, tudo foi direcionado para estabelecer os objetivos desse álbum", diz Dirnt. "Depois que tínhamos gravado "American Idiot" nós sabíamos que tínhamos alcançado algo que era superior a tudo que já havíamos feito antes."

 

"Assim que escrevemos a música 'American Idiot', nós meio que olhamos um para o outro, assim 'Isso é melhor'", aponta Armstrong. "Nós estabelecemos aquela barreira e então olhamos um para o outro, tipo 'OK, agora nós temos uma montanha para escalar'. Eu nunca pus tanta emoção num álbum como eu pus em American Idiot, e em toda música de American Idiot. Nós corremos um risco ao dizer que não confiamos na administração americana ou no jeito da cultura pop americanae com certeza há muito perigo em fazer isso. Eu acho que tem sido provado que há uma certa reflexão no que escrevemos. É como que a cada mês que se passa, há algo novo que relaciona-se com o álbum.

 

"Tem vezes em que eu sinto um nó na garganta ou que sinto dificuldades em cantar o próximo verso, porque mesmo que o álbum não seja necessariamente sobre mim, tudo vem de um lugar emocional que eu experimentei na minha vida", Billie Joe continua. "E reaparece toda vez que você toca essas músicas. Você não está somente colocando pra fora. Você está apresentando mas está revivendo aquilo ao mesmo tempo. Quando você vê todas aquelas pessoas correspondendo ao mesmo tempo em que você está sentindo, é um nível emocional tão grande. Todo o show é emocional agora e todo mundo fica quase levitando."

 

 

"American Idiot foi toda uma vibração do tipo 'Vamos dominar o planeta'”, acrescenta Tre. “Você deveria fazer isso pelo menos uma vez na sua vida."

 

E isso é basicamente o que o Green Day planejou para 2005. Começando o ano com uma turnê por clubes do Reino Unido, que esgotou todas as noites assim que os ingressos foram à venda, Green Day fez o que, provavelmente foram, os shows menores que eles jamais farão por essas terras de novo. Culminando em tocar o álbum American Idiot inteiro no Hammersmith Apollo, isso seria apenas o começo de um ano incrível.

 

De fato, se o que estava acontecendo no Reino Unido era pegar algo

 

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já enorme e transformá-lo em dez vezes maior, então o renascimento deles nos Estados Unidos estava para ser ainda mais monumental. A última vez que o Gren Day tinha sido visto fazendo turnê na América, eles faziam parte da Pop Disaster Tour, vindo abaixo do Blink 182 (mesmo sendo anunciada como uma turnê conjunta). Mesmo eles estando pra receber todos os aplausos da turnê, mostrando aos "encabeçadores" da noite a enorme diferença entre homens e garotos, em primeiro lugar era embaraçoso estar nesta posição, e foi provavelmente o ponto mais baixo de um carretel de rebaixamentos que viu eles serem a banda que pegou a tocha do Nirvana como a banda do momento na América em 1994, até serem apenas mais uma banda que estava fazendo turnê no circuito.

 

"Há momentos no show ao vivo agora em que começamos a tocar 'Longview' e, enquanto muita gente ainda conhece, há um monte de gente que fica tipo 'O que é isso?'", diz Mike. "Foi quando isso estava acontecendo que nós sabíamos que tínhamos saído da sombra de Dookie inteiramente. Nós estamos em outra posição agora e acho que à essa altura Green Day é sinônimo de boa música e não somente prêmios. American Idiot começou todo um novo capítulo dessa banda."

 

E então vieram os prêmios para American Idiot, e Deus, como eles choveram forte, nenhum mais do que o MTV Video Music Awards desse ano, em Miami ,Flórida. Indicados para oito prêmios, Billie Joe e seus companheiros chegaram em um luxuoso carro conversível, envenenado ao máximo e parecendo mais legal do que nunca. Em um evento que geralmente aplaude os popstars enlatados do momento e um bando de aspirantes a gângsters, Green Day se destacou na maioria das categorias até varrer de vez, ganhando sete dos oito prêmios dos quais estava concorrendo, incuindo o invejado Video of the Year por "Boulevard of Broken Dreams". Foi de grande crédito do diretor Samuel Bayer que criou o acompanhamento visual perfeito a um novo Green Day politicamente carregado. Seja no impactante visual sombrio em "Boulevard of Broken Dreams”, no conto de guerra de amor perdido em" Wake Me Up When September Ends", ou  na mais recente história de doze minutos sobre ser a juventude em um mundo em que ninguém te ouve, em "Jesus Of Suburbia", o homem que criou o clipe legendário de "Smells Like Teen Spirit" também atingiu possivelmente seu melhor trabalho até hoje com o Green Day.

 

Foi esse momento que foi levado adiante no DVD dos shows da banda no Milton Keynes, Bullet In A Bilble. Focando a narrativa nos fãs do Green Day e o amor incondicional deles por essa banda e juntando à isso clipes que mostram o interior da mente dos membros, de como chegaram longe em suas carreiras como jamais ninguém imaginou, Bullet In A Bible é mais um documentário do que um show ao vivo. Claro, as imagens ao vivo capturam a grandeza do evento em si e foca na ação do show ao vivo do Green Day, mas há muito mais sobre essa banda do que as músicas e isso é perfeitamente capturado pelo DVD.

 

"A data do Milton Keynes foi um grande destaque para nós", Billie conclui. "Nós realmente não tínhamos idéia de como a nossa carreira iria ser ou se nós teríamos uma carreira quando começamos. Tudo que a gente sabia era que escrevíamos algumas músicas que a gente realmente gostava e amava. E nós sabíamos que iríamos gostar de tocar essas músicas quando fôssemos mais velhos, que elas fariam sentido. Tem sido um ano tão bom que é estranho mas um pouco de caos não mata ninguém."

 

"No começo do ano que vem, nós queremos começar a pensar no próximo disco. Nós queremos passar um tempo no próximo álbum assim como fizemos com esse, para nos sentirmos tão orgulhosos dele como nos sentimos com American Idiot, e possamos nos divertir tanto quanto nos divertimos nesse ano que se passou.

 

Em 2004 Green day, argumentavelmente, fez o melhor álbum dessa década, mas em 2005 eles dominaram o mundo. Green Day - Zero's Band Of The Year 2005 (Banda Do Ano 2005 da revista Zero).