![]()
|
Poder para o povo! (Com cortes de cabelo engraçados!).
Uma década e meia depois do primeiro álbum do Green Day, os garotos de Berkeley cresceram e ficaram raivosos. Então, o que eles fazem? Fazem uma Ópera Rock esculachando Bush com músicas de nove minutos e acabam realizando o seu maior estouro em anos.
Dois punks vestidos de preto entram em um avião. Eles são famosos, até onde punks são considerados famosos. Eles conseguem viver muito bem com o que fazem. Mas quando eles têm que voar até algum lugar para fazê-lo, eles costumam voar em classe econômica, utilizando a Southwest Airlines, que não oferece mais nada, a não ser classe econômica. É difícil não implicar com relação a essas escolhas em suas carreiras, coisas de pessoas que vem de classe média, de classe trabalhadora, de pessoas que querem respirar o mesmo ar que todas as outras que também estão indo para Utah nesta tarde de sexta-feira. Mas nós não iremos fazer isso. Dois punks subiram em um avião e o avião é da Southwest, pois aviões dessa companhia saem de Oakland, Califórnia, que não por acaso, é onde eles vivem.
O Capitão de bordo apaga os avisos de cinto de segurança e uma mulher de meia-idade que senta ao meu lado pergunta se o rapaz ali na frente é músico. O homem, em questão, está vestindo um paletó preto, uma camisa preta onde se lê Oakland em uma fonte Old English, calças pretas e um cinto com uma enorme fivela. Seu cabelo está colorido em preto petróleo, misturado com alguns fios espetados, a desbotada tatuagem em sua mão esquerda lê-se P.U.N.X. Bem, provavelmente ele não é um fiscal da receita federal.
Os olhos da mulher brilham quando eu digo que é Billie Joe Armstrong, vocalista/guitarrista do Green Day.
Ela conhece Green Day, ou pelo menos, conhece sua filha, maratonista que estuda em Utah e que gosta de Green Day. Ela sabia que eram músicos no momento que entraram no avião. Armstrong está com seu companheiro de viagem, o baixista Mike Dirnt, um cara meio alto com cabelo descolorido, sentado alguns assentos acima. Armstrong a fez lembrar de Elvis Costello, já Dirnt a fez lembrar, "mais ou menos de um Billy Idol...”.
Há alguns anos atrás, o marido desta mulher, um piloto de vôos comerciais, tinha os Backstreet Boys como passageiros. Eles compraram todos os assentos da Classe Executiva, esperaram até o último minuto para embarcarem e então, puxaram as cortinas para que ninguém os incomodasse. Assim é melhor. A mãe da corredora me pergunta se havia algum problema em ela pedir um autógrafo do homem do corredor ao lado, para a sua filha. Eu não estou em posição de responder por ele. (Estou aqui apenas para acompanhar sua banda por alguns dias, veja o que acontece e tire suas próprias conclusões, mas eu digo para ela que acredito não haver nenhum problema).
E assim acontece. Armstrong é gentil o bastante e diz, "Claro, sem problemas...", ainda checa novamente o nome da filha, V-e-r-a e em poucos segundos ela está de volta em seu assento com um pedaço de papel onde se lê "Vera, Billie Joe Green Day 04”.
Neste momento, a mãe de Vera prende sua atenção e fica curiosa com o Green Day. "Já faz um tempo que estão na ativa”, eu digo a ela. "Sete álbuns lançados, são muito respeitados... São como respeitadíssimos homens do governo, aqueles velhos, sabe?”.
"Homens velhos do governo?" - Ela pergunta.
A mãe de Vera dá uma outra olhada em Billie Joe. Ele está vendo o catálogo da SkyMall, dando uma olhada no preço do conhaque, talvez? Uma perna está no meio do corredor, seu pé balançando o Converse preto com sua meia vermelha e preta em destaque.
"É mesmo?" A mãe de Vera diz. "Mas ele parece tão jovem!”.
"Do que você nos chamou? Homens velhos do governo?" Armstrong me perguntaria quando descêssemos, soando surpreso e elogiado. Armstrong e Dirnt têm 32 anos de idade; O baterista Tré Cool, tem 31. Eles são "meio" velhos. Mas são jovens já faz muito tempo. Eles eram jovens quando fizeram seus dois primeiros álbuns para o selo local, Lookout! Records. Eles eram jovens quando assinaram um contrato com a Reprise Records da Warner Brothers, eram jovens quando Kurt Cobain se suicidou, jovens quando executivos do mundo musical e a MTV procuravam algum furo de marketing para suprir a falta que Cobain fazia e utilizaram o vídeo "Longview" (Uma música sobre um garoto sentado no sofá em uma tarde, tentando fazer, sem sucesso, com que sua tarde passe mais rápido à base de maconha, masturbação e televisão). Uma música que escreveram enquanto jovens na mesma posição.
Eles eram jovens quando esta música, com sua pegada controversa, de dinâmica poderosa, sua exuberante estrutura de power-chords, chamou a atenção de adolescentes entediados na América. Jovens quando seu lançamento por uma major, "Dookie" de 1994, ganhou disco de platina e eventalmente vendendo 10 milhões de cópias. Jovens enquanto faziam mais álbuns, muito bons e viviam sob a culpa de que seu sucesso constituía a traição ao movimento underground que os havia dado à luz. Jovens, enquanto naquela noite de 1998, quando Armstrong chamou por seu manager, enlouquecido em êxtase, enquanto o jogador Mark McGuire quebrava o recorde de home-runs e conduzia seu time á vitória no Busch Stadium, enquanto a música "Good Riddance (Time Of Your Life) do álbum Nimrod. de 1997, explodia nos P.A.s do estádio.
Todos os três membros do Green Day, se casaram. Armstrong até hoje está com sua esposa, Adrienne, com quem ele divide um pequeno selo independente chamado Adeline Records, há 10 anos e tem dois filhos. Dois membros da banda se divorciaram, Tré duas vezes e o Mike uma, recentemente.
Mas enquanto passaram uma década lutando contra as dificuldades que é crescer, eles se mantém tão viáveis quanto uma commodity, para consumidores que também são jovens, barulhentos e debochados. "American Idiot," o primeiro single e faixa-título do sétimo e último álbum da banda, já é um hit. Segundo Phil Costelo, vice presidente de promoções da Reprise, responderam com entusiasmo à uma banda que lançou seu primeiro single e hit há dez anos atrás. "Eu não posso compará-los com nada," ele diz. "Isso nunca, nunca acontece." E na turnê atual do Green Day, velhos fãs da banda terão de lutar por espaço no mosh pit com os novatos de 14 anos de idade, que chegaram até a banda por intermédio de vários outros grupos que aprenderam como se fazia as coisas com o álbum Dookie. Garotos que assisitam ao "Barney, o dinossauro" em 1994.
Cool resume este particular estado de elogios, parafraseando Wooderson, o veterano de faculdade que Mathew McConaughey interpretou no clássico "Dazed And Confused". Ele diz, "Nós envelhecemos, mas nossa platéia permanece na mesma idade."
Mas se, no caminho, eles também se tornaram maturos o bastante, "Eu odeio essa palavra," diz Armstrong, é algo que agora está dentro deles, algo com o qual eles podem lutar contra também.
Há quatro anos atrás, no dia das Eleições, Armstrong e sua mulher foram votar em uma igreja perto de sua casa, ambos planejando votar em Al Gore. Mas na urna, Armstrong decidiu votar em Ralph Nader. "Foi com consciência," ele diz. "Eu achei que se 5% da população pudesse votar nesse cara, haveria outro partido. Você consegue imaginar a América com três partidos? Mas agora, você já não pode mais votar com sua consciência. Você tem que votar na pessoa que vai mandar bem e tirar aquele cara da Casa Branca. E é isso que me deixa louco, mas não tem outra forma."
"Sangue ou ketchup?," diz Cool. "Você vota em sangue ou vota em ketchup. Eu voto em ketchup."
Estamos sentados em uma sala no Raddison Hotel em Park City, Utah, onde os membros do Green Day deram entrada sob os nomes de "Rumple Stiltskin", "Joe Lies" e "John Ritter." Amanhã, eles irão ser os headliners do Pepsi Smash em um resort de ski, perto da estrada. Mas, neste instante, estão fumando, bebericando vinho, puxando a toalha de mesa, mexendo em blocos de notas e explicando como que escreveram "American Idiot," um sarcástico dedo-na-cara das "táticas de governo" e a música mais politicamente explícita que já escreveram.
"Nós sempre quisemos que nossa música não tivesse uma 'idade'," diz Armstrong. "Até mesmo o lance político que estamos fazendo agora. Eu nunca imaginaria 'American Idiot' sendo com relação à política de administração de Bush, especificamente. É sobre a confusão onde estamos metidos hoje em dia."
"O mundo está em um estado de confusão," Dirnt concorda. "Estou puto, estou com raiva e eu sinto que não sou completamente representado." Dirnt diz que vibrou com orgulho quando ligou a televisão na Holanda na semana passada e viu 25.000 pessoas marchando pelas ruas de Manhattan, protestando contra a Convenção Nacional Republicana. "Eu estava meio que tipo, 'Foda-se isso tudo, cara! Eu não estou lá em pessoa agora, mas eu estou TOTALMENTE ali agora!'.
"A coisa mais louca, no entanto, é que não existem 250.000 pessoas marchando em Salt Lake City agora, sabe?," diz Armstrong. "E é assim que a América é."
Querendo ou não, com suas ações no Estado, Armstrong acredita que o que estão fazendo é o que bons punks - e bons americanos - deveriam fazer. Ele diz que está pondo em prática, coisas que aprendeu quando entrou no Gilman Street Project pela primeira vez, a lendária casa de rock que não aceita rock-stars, onde o Green Day fez seus primeiros shows.
"Minha educação não veio da escola," diz Armstrong que largou o colegial. "Minha educação foi o punk-rock, o que os Dead Kennedys diziam, o que o Operation Ivy dizia. Aquilo era um ataque à América, mas ao mesmo tempo, era americano também. Patriotismo não é sobre você ser pró-ativo em qualquer coisa. Não é sobre você ser pró-Bush ou pró-Kerry, mas sim sobre o que você representa e sobre o que a América representa."
Mas, o arco anti-guerra de "American Idiot" e de outras músicas do novo álbum, como a antêmica "Holiday" (Another protester has crossed the line / To find the money's on the other side), não é apenas uma fórmula de rebelião punk. Porém, já faz um tempo que o Green Day deixou de ser classe média, todos vieram de famílias de classe média, trabalhadoras, que tiram uma disproporção das taxas pagas em guerras e que criam filhos disproporcionais que acabam lutando contra isso.
Durante as filmagens de "American Idiot" em Agosto, Cool recebeu uma ligação de seu sobrinho de 18 anos de idade. "Ele tem uns problemas fodas com a família e ele não consegue arrumar um trampo," Cool explica. "Ele tipo, diz que quer entrar para a Marinha." E eu digo para ele. "Você está louco? Saí já daí! Os marinheiros são os primeiros a serem mortos!"
"Eu finalmente o fiz desistir," ele diz. "De algum modo, ele queria cometer suicídio, pois sua vida era uma merda e ele pensava 'Caralho, eu poderia conseguir uma grana amanhã e dear para minha mãe."
"Talvez eu seja ingênuo," diz Dirnt, que é ái de uma garota de sete anos de idade, "E eu não entendo como o mundo funciona. Mas sei que a vida é preciosa e minha filha siginifica muito para mim. E isso significa que o filho de outras pessoas significa muito para elas também."
Ele pausa para respirar, de repente, percebe que ele e seus companheiros têm falado sobre política por mais de uma hora e diz "Bom, de qualquer forma, eu toco baixo!"
Em algum lugar do mundo, existe um outro álbum do Green Day, ou pelo menos, uma boa parte dele, que talvez o mundo nunca venha a escutar. O projeto andava muito bem em Novembro de 2002 quando a banda apareceu no estúdio 880 em Oakland, onde já haviam trabalhado por vários meses, para ver que as fistas master haviam sido roubadas.
Sem saber o que fazer. A banda contatou o produtor Rob Cavallo, que assinou o contrato com eles em 1993 e produziu todos os seus álbuns subsequentes, com exceção de Warning: de 2000, para que viesse de Los Angeles para bater um papo com a banda e ver qual seria seu próximo passo. "Com certeza rolou uma conversa séria, durante um tempo," diz Cavallo,"Onde olhei para eles e perguntei 'Digam me a verdade, vocês se mataram para fazer aquele álbum (o perdido)?' E eles me responderam, 'Não'."
Armstrong me diz, em nosso segundo dia em Park City que o álbum perdido, "Era uma mistura entre Nimrod. e Warning." Ele e seus companheiros de banda soaram entediados só de falar sobre isso.
Então, começaram do zero. E um dia, Dirnt estava sozinho no estúdio, sem fazer nada e escreveu uma música e 30 segundos sobre estar sozinho no estúdio. A letra, na íntegra dizia "Everyone left the studio/Everyone left the studio/Everyone left the studio/But me-e-e-e-e-e." Quando Armstrong ouviu a tentativa de Dirnt, ele também escreveu uma música de meio minuto, então, Cool também escreveu uma, após, juntaram as partes e viram no que dava, o álbum criou um arco, um arco que formava uma Ópera Rock.
No começo, eles zombaram disto tudo, afinal de contas, eles ainda eram punks, e deixando de lado o "Zen Arcade" do Hüsker Dü, não há nada menos punk do que uma Ópera Rock, talvez a mais categorizada e rebaixada forma da música pop. Mas para o Green Day, a idéia de escrver uma Ópera Rock autêntica se provou muito instigadora, algo que nunca haviam feito antes, para se jogar fora. "O rock se tornou um negócio muito conservador," diz Armstrong. "Você grava umas músicas, lança um single, grava um vídeo, toca na rádio, sai em turnê... Pessoas que gostam de Outkast estão pouco se ferrando para o rock, existe muita ambição."
"American Idiot" não tinha começado a se formar, até o momento que Armstrong escreveu a faixa-título. Pensando em como seguir isto, ele foi dar uma volta. QUando chegou em casa, ele tinha as primeiras frases de "Jesus Of Suburbia" e percebeu que tinha uma história para contar: Um homem alienado foge de casa, se muda para a cidade, conhece uma personagem chamada St. Jimmy (que Armstrong descreve como um cruzamento auto-destrutivo e sexy entre Darby Crash e John The Baptist), se envolve com drogas, conhece uma garota. Á beira da auto-destruição e a possibilidade de redenção, ele... Bem, você logo vai enteder.
Armstrong diz que uma das influências para esses mini-épicos com várias partes distintas como a "Jesus..." de nove minutos, foi "A Quick One While He's Away" do The Who, outra música de nove minutos sobre uma mulher que chifra seu marido que é um engenheiro ferroviário e uma dica do que Pete Towshend faria emmaior escala com Tommy e Quadrophenia. "Mas não é tão longa," diz Armstrong sobre "A Quick One..." "Você pode escutá-la como se estivesse escutando 'My Generation' e era exatamente o que queríamos fazer, que você escute esse álbum como se estivesse escutando um álbum comum."
E enquanto o roteiro do álbum é pura ficção, seu tema é quase que autobiográfico. "Eu não conseguiria mais me considerar um homem raivoso”, ele diz. "Você não precisa deixar o perigo para trás, mas o que faz você crescer, é você enfrentar este perigo. E é sobre isso o que este álbum fala, confrontar aquele impulso autodestrutivo.
Enquanto estavam gravando "American Idiot”, a banda se engajou em um comportamento um pouco "menos maduro". Os primeiros meses foram carregados por uma combustão criativa: Eles escreviam o dia todo e ficavam a noite inteira acordados, bebendo e falando sobre música. Eles montaram uma rádio pirata no estúdio 880, colocando no ar uma competição de jam sessions, que era ouvida além de East Bay. Ás vezes faziam ligações a cobrar com trotes e as colocavam no ar também. "O Tré ligou em um crematório de animais no Hawaii”, Dirnt relembra "E disse á eles que havia perdido seu macaco. E ele ficava perguntando 'Vocês viram algum macaco? Nem mesmo um macaco pequenino? Nenhum macaco-aranha? Que tal um macaco marinho?”.
Eles também devem ter tirado da manha um álbum new-wave pop, chamado Money Money 2020 (Lançado pela Adeline ano passado e que será lançado este ano pela Reprise, com duas faixas bônus), que era creditado à uma banda chamada "The Network," um bando de mascarados sob nomes como "The Snoo" e "Captain Underpants." Dirnt dá uma pista dos rumores quando diz, "Nós nos tornamos tão criativos, que poderíamos ter feito um álbum em um dia. É claro que é possível um álbum ser feito em um dia. Não um álbum do Green Day, claro..."
Quando se realocaram em Los Angeles para mais gravações, entretanto, a tão receptiva atmosfera do estúdio 880 tomou outra cara. "Como um compositor, eu chego tão fundo nas coisas que escrevo, é quase como se eu tivesse que fazer um monte de merda para poder escrever sobre isso," Armstrong diz. "E eu acho que quando estávamos em Los Angeles gravando o álbum, nós estávamos vivendo-o." Ele não chega em detalhes, mas assegura que cada um da banda chegou bem próximo do seu "St. Jimmy" interior. Armstrong tinha que marcar as sessões de vocais para as músicas durante suas ressacas. Cool diz que teve que farrear muito também, "Não vou mentir para você, muita merda aconteceu," Dirnt diz obliquamente, "Dois dragões."
"Era meio que consciente você perder um pouco da consciência," Armstrong diz, pegando um copo de café do hotel. "Pela primeira vez, nos separamos de nosso passado, de como nós deveríamos agir para ser o Green Day. Pela primeira vez, nós assumimos o papel de sermos rock stars. Não para soar arrogantes, mas assim 'Você só estará nesse planeta uma vez, então é melhor você aproveitar!"
Enquanto a banda deve mesmo ter reconhecido seu status de rock stars, eles não resistem deixá-lo de laod um pouco. Um pouco depois, a temperatura dei uma baixada e no Canyons Resort, um semi-círculo de imensos prédios tão altos que só são acessíveis por asa delta, mais de 20.000 cidadãos de Utah tentaram subir ali atrás de Jet e Good Charlotte. Eles estão aqui, pois ganharam um sorteio. Alfo a ver com bonés da Pepsi e downloads de graça no iTunes, mas quando o Green Day coloca para tocar o tema de "2001: Uma Odisséia no Espaço," os fãs vibram como se tivessem ganho o concurso mais uma vez.
Depois da performance de "American Idiot," Armstrong anuncia, "Hey, foda-se a Pepsi e foda-se todo o resto, de agora em diante isso aqui é um show do Green Day." Mas o momento mais punk rock do set, vem depois, durante a cover de "Knowledge" da banda Operation Ivy, quando Armstrong, Cool e Dirnt convidam voluntários para assumirem a guitarra, bateria e baixo. Fora uma febre no palco, três garotos são escolhidos e, após uma rápida instrução, se acham no caminho da música com muito mais entusiasmo do que precisão. Armstrong mostra para as cadeiras superiores com um vôo por cima dos monitores, os garotos pulam nessa mesma altura, se ele estivesse em um skate, com certeza fecharia uma pista e enquanto ele está ali em cima, no ar, ele ainda é um rock star.
Jingle Town, um pequeno bairro, predominantemente mexicano em uma quebrada industrial de Oakland é a sede de dois negócios de ponta, a fábrica Lucasey, que faz estantes para TV/VCR e que fez o estúdio 880, onde o Green Day gravou Warning: e fez a demo de "American Idiot."
É Segunda-Feira, dois dias após o show de Utah e está quente como o inferno em East Bay, pixando I-880 em seu paletó, Cool explica a origem do nome: "Em tempos passados, os caras de paletó costumavam balançar suas moedas e esta era sua marca. Isso é um costume de famílias latino americanas há 50 anos. E então, tem nós."
Nascido, Franklin Edwin Wright III, Cool é o membro mais pateta de uma banda de patetas, um cara hiperativo e que costuma falar muito com poucas palavras. Mas pegue-o sozinho e parece que, estar longe de seus amigos de banda, tira dele todo o poder de palhaço que incorpora.
Estamos fora, no deck do Lighthouse de Quinn, um bar e Cool está falando sobre pescaria e em como ela te força a ser paciente, de repente, estamos falando de crianças. "Você tem que ser um filho-da-puta muito paciente para ter filhos," ele diz, "Primeiro de tudo, eles levam 9 meses para ficarem prontos e é foda. E então, quando eles nascem é tipo, 'Caralho!' Muito stress. Minha primeira filha, eu ficava imaginando se ela ia respirar de novo, a cada minuto."
"Eu também era jovem demais," diz ele. "Eu tinha 22 anos de idade e tive a Ramona e então, me casei e logo depois, me divorciei e então, depois disso, minha ex-esposa decidiu, totalmente contra minha vontade, que ela estava mudando para Nova Iorque e levando minha filha com ela. E isso foi algo que quebrou meu coração." Ele também tem um filho de três anos de idade, Frankito, com sua segunda ex-esposa, Claudia. Eles se divorciaram há um ano e meio atrás, depois de dois anos e meio de casados; Ela ainda mora em sua casa, uma situação que ele descreve como muito difícil, porém necessária. "Eu quero poder levar meu filho em casa, criá-lo e cuidar dele e isso significa cuidar meuito bem de sua mãe também, pois então, é isso o que eu vou fazer."
Antes da banda descer para L.A. para gravar, Cool estava saindo com Torry Castellano (Mais conhecida como "Donna C," da banda The Donnas) e uma psiquiatra. Nenhuma das duas relaçãos durou o bastante para que pudesse mover. "Vamos dizer que é difícil ser eu mesmo em L.A.," ele diz. "É muito difícil você ficar sóbrio também. Não que eu tenha tentado."
Mas quando não tinha mais nada, ainda tinha o álbum e fazê-lo virou meio que uma terapia. "Eu estava em uma nuvem negra muito grande no ano passado," ele diz. "Mas eu consigo me transpostar tocando bateria, eu me desligo da realidade, não estou no estúdio, não existe playback no fone de ouvido, existe apenas essa dança com a imortalidade. Você está criando algo que vai estar por aí para sempre. Eu sou muitro sortudo de poder ter isso."
"Música sempre foi uma válvula de escape para todas as pessoas," disse-me Armstrong um pouco mais tarde. "E também é algo que vicia, pois, independente do que anda rolando em nossas vidas pessoais, nós sabemos que teremos mais um ano e meio em turnê, para poder escapar de tudo."
Já é bem de tarde agora; Armstrong me levou do estúdio 880 até a sede da Adeline Records. Em seus sete anos de operação, Adeline lançou a música de A.F.I, One Man Army e The Soviettes, até mesmo um EP do Green Day. Armstrong não tem muio a ver com o selo no dia-a-dia; Adrienne e os parceiros de negócio do casal, Lynn e Jim Thiebauld, basicamente fazem ele funcionar. E o espaço atrás da Adeline, se tonou um espaço do Green Day, seu clube - não oficial, um loft enorme com uma cabine de DJ, um keg enorme de Guinness e um half-pipe de madeira enorme. Ás vezes, a banda dá algumas festas ali, Dirnt decantando seleções de seus milhares de discos ''45, todos dançando e bebendo até o amanhecer. É o tipo de local que um velho punk vestido de preto sonha em ter, onde você pode fechar a porta e parar o relógio. Armstrong não tem passado muito tempo aqui, ultimamente. Mas enquanto me mostra o local, eu percebo que ele gosta que pelo menos, este lugar exista. Bem-vindo ao paraíso, ou pelo menos, bem perto dele.
|