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'Warning' - Não chame o Green Day de vendidos- por Kirk Baird - É difícil pensar que ser chamado de "punk ranheta", na grande tradição do ex-Sex Pistol Johnny Rotten, seja um elogio. Mas Mike Dirnt, baixista do Green Day, parece se revelar assim. Isso não quer dizer que Dirnt seja difícil ou mesmo desagradável. Completamente de ressaca, de uma festa que durou até o alvorecer, Dirnt estava tão agradável quanto a situação - uma recente entrevista por telefone no meio da manhã de sua casa em Oakland, Calif. - permitia, fazendo piadas, tirando sarro dos punks "wanna-be" e daqueles que dizem que a banda "se vendeu". Era óbvio, no entanto, que promover o show da banda na quarta-feira, no Thomas & Mack Center, não estava em sua lista de prioridades. Ainda sofrendo pelo recente rompimento com sua namorada de longa data (por isso a balada noite adentro), Dirnt disse que mal podia esperar para voltar a excursionar com a banda no verão americano e esquecer sua dor. Além disso, ele pondera, tocar é o que ele e os outros fazem de melhor. "As pessoas sempre me perguntam 'o que vocês estariam fazendo se não estivessem tocando?' ", diz ele. "Bem, nós provavelmente estaríamos tocando. Nós todos reconhecemos que definitivamente é o que fazemos de melhor e é o que queremos fazer." Não dói quando uma banda experimenta o mesmo sucesso que o Green Day. A estréia do grupo num selo major em 1994, Dookie, impulsionado pelos singles Basket Case e When I Come Around, vendeu mais de 12 milhões de cópias. Os trabalhos sucessivos do Green Day, embora não tão monstruosos quanto Dookie, venderam bem o suficiente. E o hit do fim de 1997/ começo de 1998, Good Riddance (Time of Your Life), tornou-se um pseudo hino, aparecendo nos lugares mais incomuns: casamentos, funerais; clipes de fim de temporada em eventos esportivos. Em adição, foi provavelmente o momento mais memorável do fim de Seinfeld, quando tocou durante o clipe com piadas dos bastidores. Todos as utilizações da música parecem um pouco "estranhas" para Dirnt, especialmente em se considerando suas origens: ela foi escrita pelo guitarrista/vocalista Billie Joe Armstrong como um adeus bem-intencionado para uma ex-namorada que estava indo embora para o Equador. Dirnt também sustenta que a maioria das pessoas familiarizadas com Good Riddance não associam a canção cheia de vida - com seu violino proeminente sobreposto pesadamente a um violão - à banda pop pós-punk. "Eles dizem 'eu ouvi essa música super legal há 2 anos e não sabia quem cantava' ", diz ele. "Eu realmente acho que - especialmente na época - as pessoas não fizeram a conexão. A música foi colocada em tantas coisas. Eu ganhei uma fita de matrícula para a Faculdade de Redwoods no norte da Califórnia, e lá dizia 'Time of Your Life performed by Green Day'. Essa é nossa música!" Formado em 1989 pelos amigos de longa data Armstrong e Dirnt, a formação original do Green Day trazia o baterista John Kiffmeyer, que logo foi substituído por Tre Cool. Não demorou muito para a banda da Bay Area desenvolver uma reputação na cena punk underground da Califórnia, o que levou a um contrato com uma gravadora 5 anos depois. É claro, tal sucesso - especialmente para um grupo que surgiu como uma banda punk - levou a clamores de que o Green Day "se vendeu". Sem nenhuma surpresa, Dirnt contesta tal declaração. "Se existisse uma fórmula para se vender, acho que toda banda do mundo estaria usando", diz ele. "O fato de que você escreve uma boa música e vende bastante, se todos no mundo soubessem como fazer isso, eles fariam. Não é algo que nós escolhemos fazer. O fato é que chegamos a um ponto em que éramos tão grandes que toneladas de pessoas começaram a aparecer nos clubes punks, e alguns clubes chegaram a ser fechados por excesso de pessoas. Nós tínhamos que tomar uma decisão: ou terminar ou sair daquele elemento. E seria meu fim se eu fosse condenado a fritar hambúrgueres. Eu faço o que faço melhor. Se vender é comprometer suas intenções musicais, e eu nem sei como se faz isso." Certamente se o Green Day tivesse se vendido, a banda não estaria ansiosa para testar seus limites como músicos; seguindo ao invés disso em sua trilha musical segura (e bem-sucedida). Este não é o caso do último disco do grupo, Warning. Uma combinação de sarcasmo punk ao lado de uma recém-descoberta perspectiva adulta - todos os três são pais -, Warning demonstra uma maturidade nas letras que você não esperaria de uma banda que batizou um disco de "Dookie" [cocô]. Até musicalmente a banda cresceu, incorporando acordeão, gaita, bandolim, farfisa e saxofone à sua mistura tão punk quanto pop. O crescimento geral da banda é um violento contraste com muitos de seus pares, que estão contentes em martelar o mesmo estilo de músicas porque é o que tem vendido no passado. "Eu acho que muitas bandas arregimentam uma certa base de fãs e se sentem seguras com aquilo e têm medo de sair da sua redoma", diz ele. "Nós temos que manter as coisas interessantes para nós mesmos, também. Se você fica entediado... ou se você pára de crescer, você morre." Fazendo uma pausa por um momento, Dirnt parece pesar suas opções antes de continuar. Era óbvio que a ressaca exigindo seu pagamento e ele sentiu um esgar. "Em primeiro lugar e mais importante", diz ele, "chame a gente de egocêntricos, mas nós fazemos isso pra nós mesmos." Johnny Rotten sentiria orgulho. |