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Quicando pra tudo que é lado (por Pedro Só)
Qual a relevância deste Nimrod, quinto álbum do Green Day? Os mais velhos olham para Billie Joe e enxergam O idiotinha, personagem dos primeiros números do jornal O Planeta Diário, em versão punk. A garotada escuta e sai quicando, dançando... É praticamente uma questão hormonal... Com disposição, porém, a idade vira detalhe. Quase qualquer um pode se deixar levar pela música espevitada, docinha e cartoonesca do trio americano. Ele vem agora com uma pérola de new wave reciclada, "Uptight". Está gravando até instrumental de surf music (a chocha "Last Ride In") e balada acústica com arranjo de cordas e gosto duvidoso ("Good Riddance"). Billie Joe toca gaitinha em "Walking Alone", "King For A Day" tem metais do No Doubt, "Hitchin' A Ride" foi definida por Billie Joe como "mistura de Stray Cats com Cab Calloway"... Mas o Green Day ainda sabe ser despretensiosamente apenas ele mesmo. Num mundo do rock do qual o autoproclamado rei é o Oasis, originalidade deve ser urgentemente estabelecida como moeda forte. E aí é preciso reconhecer que, mesmo sem ser novo, o grupo de Billie Joe formou uma assinatura pessoal. O último álbum vendeu muito menos que Dookie. Se fosse todo na linha da ortodoxia punk de "Nice Guys Finish Last" e "The Grouch", este aqui, Nimrod, venderia ainda menos e divertiria mais. De qualquer maneira, vale pelo sacode.
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