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"Se Bush não for forçado a sair, as coisas poderiam ficar meio 'fora-da-lei'." - Billie Joe Armstrong
CANSADO DOS EUA!
As eleições presidenciais deste mês foram a mais decisiva na história do país. O Green Day protegeu Kerry e seu álbum foi banido, como resposta...
No telhado do estúdio de um fotógrafo em Hollywood tão horrível que até dá ao Slough um bom nome, os três membros do Green Day estão discutindo se devem ou não execrar a bandeira de seu país. O vocalista Billie Joe Armstrong, que está vestido em camisa preta e uma fina gravata vermelha é cuidadoso, porém focado, enquanto o baixista Mike Dirnt, que está com o cabelo descolorido e muito mais viajando que ele, está ainda mais focado.
"Não significa nada para mim," ele diz. "Vamos tocar fogo nessa merda".
Apenas o baterista Tré Cool, que normalmente é o pregador de peças designado para tal tarefa e que geralmente aparece como um Bart Simpson bem mais velho, oferece uma voz cuidadosa e lenta, "Mas isso não é tipo, ilegal?"
É irrelutante e absoluto que Tré Cool tem razão. Tudo bem serem os ressucitadores do punk, mas eles têm um álbum para promover e ninguém está a fim de encarar o xadrez. No fim, um comprometimento acontece. Os fósforos ficam na caixa e, ao contrário, Billie Joe pinta com spray a bandeira escrevendo a palavra "IDIOT" em letras maiúsculas, rindo sozinho com o feito.
O Green Day acaba de lançar American Idiot, não somente seu sétimo álbum em seus 16 anos de carreira, mas uma ópera rock na íntegra, seu álbum mais ambicioso até hoje. Seus alvos não são exclusivamente políticos, mas George W. Bush é o principal foco de músicas como 'Give Me Novacaine' e a faixa-título que fala sobre a "Era da Paranóia", a imbecilidade da cultura POP dos EUA e as "táticas terroristas" próprias do Presidente. A música mais impressionante do álbum é 'Jesus Of Suburbia', que tem nove minutos e que parece com algo que o Pink Floyd faria, juntando cinco diferentes segmentos onde o vocalista declara a morte de tudo àquilo que um dia amou em sua terra-natal. Mas na terceira parte, ele está de olhos esbugalhados de raiva: "I don't care if you don't care/Everyone is so full of shit/Born and raised by hypocrites."
Tão incomum quanto parece, American Idiot é para a carreira do Green Day, o que Combat Rock foi para a carreira do The Clash e Green para o R.E.M, ou seja, se revitalizar.
Seu conteúdo é temporal, pois em 2004, vimos a política se infiltrar nas famílias americanas como nunca antes visto, até a era Reagan. Enquanto certos partidos ainda continuam fazendo manchetes, as ondas de choque políticas estão em toda parte: Em filmes como Fahrenheit 9/11, em livrarias, em músicas, comerciais da MTV onde aparecem celebridades implorando para que os jovens votem (58% de jovens entre 18 e 24 anos simplesmente não se importaram em votar nas últimas eleições de 2000), enquanto organizações gostam da Punkvoter.com (também patrocinada pelo Green Day) e os shows Rock The Vote que são patrocinados pelo Bruce Springsteen, tentam encorajar o voto. Enquanto o objetivo primário disto tudo é fazer com que os jovens se engajem em assuntos políticos, os nomes que aparecem não fazem segredo para os assuntos Democratas. O alvo maior, não é ambíguo.
Assim como Armstrong diz, "Isto é nós nos sentindo confusos com relação à política Americana e sua cultura. Talvez seja nossa idade (todos estão no começo dos 30 e com filhos) ou a era em que estamos vivendo, mas finalmente, nós conseguimos questionar as autoridades."
Estamos agora em um restaurante grego e Armstrong fala com fervor com relação a seu ódio por Geroge W. Bush e a obsessão americana em querer ser "o melhor país do planeta, não importa que porra iso signifique." Conforme fala, ele tenta olhá-lo diretamente, mas ocasionalmente falha, suas pequenas pupilas caem perto da bochecha, mais ou menos na linha do cabelo, atrás do ombro. Talvez, um contato maior olho-a-olho o deixe nervoso, curiosamente é algo impressionante, não importando a razão.
Seu humor é tão volátil que seus companheiros de banda se mantém quietos, calados. Enquanto Cool apenas balança a cabeça e come seu húmus, Dirnt concorda adicionando apenas algumas confirmações como "Absolutamente!" e, "Porra! Claro...", mas ele gosta mesmo é de te olhar com um olhar ameaçador. Mike Dirnt tem um excelente olhar ameaçador.
"Este novo álbum é nosso," Billie Joe fala para a enorme e distante parede em frente, "nasceu de tudo o que aconteceu neste país nos últimos anos. Não estamos em um bom lugar e se Bush não for tirado do poder (este mês), provavelmente haverá muita confusão, as coisas podem ficar meio 'fora-da-lei'."
A mais que antecipada reinvenção da banda, foi mais natural do que possa parecer, ele diz. Com Warning: de 2000, eles estavam começando a se sentir como uma força gasta, entediados com suas próprias limitações. Mas quando um amigo tocou para Armstrong uma música do Midnight Oil, banda política da Austrália, uma lâmpada surgiu na cabeça de Billie. No começo dos anos 80 esta banda lutou contra o apertheid e destruição do ambiente e fez com que o mundo conhecesse a causa dos Aborígines através do hit mundial 'Beds Are Burning'.
Armstrong também queria escrever músicas com toques políticos e sociais relevantes e os acontecimentos de quatro anos atrás, com certeza plantaram as sementes em sua cabeça. "Vamos contar," ele diz com a mão aberta, "Primeiro, Bush quase perdeu por pouco a eleição para Al Gore, mas ele foi em frente e se tornou Presidente, depois tivemos os acontecimentos de 9/11, uma queda econômica enorme, o fato dele ser simplesmente estúpido..."
"Eu me lembro quando terminei de escrever a faixa título e fiquei surpreso do quão raivosa ela soava e eu fiquei preocupado com o que os caras iam pensar." Os outros rapazes no entanto, foram muito mais rápidos em parabenizá-lo pela tentativa, Cool que normalmente aplaude tudo o que o vocalista traz para as músicas e Dirnt porque dividia dos mesmos sentimentos que ele.
"Porra! foda," diz o baixista. "Eu não queria que o Billie se arrependesse de nada. Nós tínhamos que soltar nossos sentimentos e nós tínhamos que fazer qualquer coisa, qualquer coisa mesmo para dar um jeito naquele filho da puta do Bush."
Poderia a transformação do trio punk cabeça-dura, que têm músicas com o nome de 'Geek Stink Breath' e 'Brainstew', em políticos polêmicos mudar a visão de grupos apáticos? A escritora política do LA TIMES Susannah Rosemblatt não tem tanta certeza.
"Não acho que a influência deles vai ser pequena," ela diz. "A política pode ser um acesso ou uma barra de medida para a experiência musical, mas eles talvez tenham amadurecido e têm um argumento maior para disseminar, é o que todos os artistas fazem, não?"
Com certeza é o que Bruce Springsteen e cia. estão fazendo. Num editorial do NY Times dias atrás, o líder do Rock The Vote sentiu que deveria expor seus motivos. "Pessoalmente, por 25 anos eu fiquei afastado de partidos políticos," ele escreveu. "Este ano porém, as coisas foram muito mais além para que pudéssemos simplesmente sentar e não fazer nada nas eleições."
Johnny Depp se tornou um porta-voz franco atirador, assim como Robbin Williams, Leonardo DiCaprio e Andre 3000 do Outkast. Então, o Green Day se encontrava em uma boa e um tanto inusitada companhia. Mas Armstrong diz incisivamente que sua banda não se tornou um segundo Rage Against The Machine.
"De modo algum," ele diz. "Não é isso o que queremos falar. Nós fizemos isso, pois tínhamos que tirar de nosso peito o que estávamos pensando. Se as pessoas entenderem, bom, ótimo, se não, está bom também."
O Partido Republicano com certeza se ligou com a posição do Green Day, mas ainda acredita que um "apoio de Hollywood" significa muito pouco para ser comuns, árduos trabalhadores e votantes americanos. A oposição, no entanto, ativamente encerrou o apoio a celebridades. O porta-voz do partido Democrata Nathan Ballard sugere que John Kerry é "Mais descolado" que Bush. "Você viu aquela foto dele com John Lennon, certo?" Ballard pergunta. "Músicos podem se relacionar com isso."
Isso não é bem a verdade com relação á Billie Joe Armstrong. Em um mundo perfeito ele preferiria dar apoio ao Partido Green Day, mas confessa que é uma enorme corrida e se mantém em sua opinião. "Kerry é o menor dos males, basicamente, Mas de qualquer forma..." ele muda de assunto, "Nós somos uma banda punk e fazendo isso, estamos fazendo o que bandas punk fazem, não? Sendo subversivos, né?"
Se valer algo, o Green Day nunca foi menos subversivo, eles estão no final apenas cutucando a linha de celebridades. Eventualmente, ele lhe dá esse argumento, mas não antes de alertá-lo com relação à repressão que sofreram como resultado. As músicas da banda foram retiradas de estações de rádio ao redor do país e o Wal-Mart, o maior vendedor de CDs dos Estados Unidos, se recusou a vender o álbum. Wal-Mart, a rede de supermercados onde você pode comprar armas e não FHM, de acordo com sua natureza, efetivamente baniu 'American Idiot' pela sua posição anti-americana.
"Fodam-se eles," diz Dirnt com a boca torta igual Billy Idol. "Este é o tipo de loja onde você vai comprar fraldas e não punk rock."
Uma semana depois, o Green Day tocou seu single no Late Show com David Latterman e John Kerry era um dos convidados e os críticos notaram a ferocidade de sua performance. A visão política da banda tem rendido frutos, embora os esforços enormes do Wal-Mart, o álbum estreou em primeiro lugar nos charts dos EUA e fez o mesmo na Inglaterra.
NA NOITE SEGUINTE, o Green Day tocou seu álbum na íntegra em um show no Henry Fonda Theatre no subúrbio do Hollywood para uma platéia de tatuados que, na verdade, se importam muito mais com o bom e velho mosh do que com qualquer tipo de política. Mais tarde, um fã confessa que 'Boulevard Of Broken Dreams' o fez ficar com lágrimas nos olhos. "É sobre uma garota, certo?" Ele pergunta e o especialista de manutenção de 47 anos Gary Lansdon também não entendeu o seu ponto.
"Eu sou um democrata," ele diz, orgulhoso. Então, ele estará votando em Kerry? "Oh no," ele diz com o sorriso sumindo. "Nenhuma banda vai me dizer o que fazer. Eu votei nele na última eleição e voto de novo agora, ele está fazendo um bom trabalho."
Mais tarde, Billie Joe Armstrong tem a capacidade de apagar tal indiferença.
"Este álbum foi feito para nós e para mais ninguém estes últimos anos foram terríveis e nos deram uma bela injeção de criatividade. Eu nunca gostei tanto de estar em uma banda como agora." Ele sorri, aquele sorriso safado de um punk. "Eu nunca fui muito bom em pequenas conversas
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