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Bush deveria ser indiciado por crimes de guerra!
Então, não conseguiram fazer com que Dubya não pegasse novamente a Casa Branca, mas os punks veteranos do Green Day têm sido o oponente antiguerra mais feroz que o Presidente já enfrentou. E não vão parar por aqui...
"Sou um daqueles tolos melodramáticos!" - Green Day - Basket Case. É sexta-feira à noite e você nos contra em Detroit onde os campeões revitalizados do punk, Green Day estão prestes a arregaçar com umas bundas em Michigan no Cobo "Enormodrome" da cidade. Na quinta-feira, George Bush ganhou sua reeleição à Casa Branca, desta vez, ganhando de verdade, o que significa que agora ele pode mesmo fazer o que quiser. Então, com o mundo já propriamente fodido, nós nos juntamos em uma das paradas para ver se conseguíamos fazer alguma coisa a respeito, falando dos Strokes falando do The Clash... O que vamos fazer agora?
Billie Joe Armstrong, punk milionário que não é partidário das Pessoas Racionais da América: "Eu acredito que as músicas do álbum têm ainda mais significado para mim agora do que elas tinham há quatro dias atrás." Ele respira fundo, com seus olhos de panda crescendo. "Tomara que o cara (Bush) seja indiciado por crimes de guerra agora. Havia um sentimento de que ele seria re-eleito mesmo, só porque Kerry não era um oponente tão forte, mas a parte mais depressiva nisto tudo é as pessoas de 18 á 29 anos que não votam, essas pessoas eram cerca de 17% da população em certos locais. Mas destas pessoas, 54% acabaram votando no Kerry, o que é impressionante."
Mike Dirnt, baixista: "Então, temos uma ótima prospecção para nosso futuro. (Agora, você provavelmente está no meio de um processo de desaprendizagem de tudo o que sabia sobre o Green Day. Liberador, não?)
Tré Cool, baterista: "O grande problema também é com relação aos fanáticos religiosos nos estados do sudeste. Você tinha coisas como o diretor de campanha de Bush jogando o assunto do casamento gay no meio das coisas, é nisto que você está votando. Não que as pessoas do sudeste sejam intolerantes, mas elas cuidam do que é delas, sabe?"
Mike: "Eles estavam cadastrando pessoas para que votassem em igrejas. Você não está votando em religião. É Igreja e Estado, existe uma separação ali."
Billie Joe: (Ficando um pouco roxo de raiva) "Existe ainda uma pequena porcentagem das pessoas do sul que ainda carregam a bandeira da Confederação. Eu acho que Bush é uma ameaça á América ainda maior do que Saddam Hussein um dia foi."
Tré: "Ele é um hipócrita, pois fica apoiado nestas crenças, mas se você olhar no que a Bíblia diz, são coisas como ajudar aos pobres, alimentar os famintos e não explodir as pessoas com bombas e tentar implantar a democracia em outros países quando não temos uma aqui dentro. É uma república. Nada aqui é democrático."
Quais seriam os cenários otimistas e pessimistas para os próximos quatro anos?
Tré: "Um cenário pessimista? A Terceira Guerra Mundial. Santa guerra... Tudo explodindo."
Billie Joe: "Eu acho que a guerra no Iraque e no Afeganistão acabará se estendendo á outros países também. Irã, Síria. Eu acho que vai rolar ainda mais terrorismo. Isto está crescendo em outros países agora, então, isto provavelmente pode acabar acontecendo aqui."
Mike: "Vai rolar uma Guerra Estelar. Isso me deixa enojado..."
Billie Joe: "Mas eu havia previsto que haveria ainda mais terrorismo quando Bush assumissse o cargo de novo, para começar. Uma das coisas que (o Vice-Presidente Dick) Cheney disse foi, 'Se você votar em Kerry para a presidência e o terrorismo começar a aparecer, é sua culpa.' Mas o 9/11 não aconteceu até que Bush entrasse em comando."
Foi algo perigoso de se dizer.
Billie Joe: "Não existe democracia quando religião está envolvida. Não tem como dar certo."
Tré: "Eu vou voltar ao tempo onde o Papa volta a ter exércitos e tal." Tré de repente lembra em que banda que ele está. "Ninguém espera pela inquisição Hispânica."
"Bem-Vindo á um novo tipo de tensão" - American Idiot.
Considerando o que aconteceu na semana passada, você poderia esperar que mais músicos levantassem suas bundas e dissessem algo à respeito. E (eles não vão ligar de dizermos isto) você não imaginaria que as únicas pessoas que levantariam para tal ação fosse o Green Day. Para todos nós que não conseguíamos arranjar uma namorada em 1994, o Green Day e seus hinos á masturbação "Basket Case" e "Longview" irá sempre ocupar um lugar especial em nossos corações e embaixo de nossas camas, mas foi sempre assim, né? A banda que sempre esteve por perto. Sendo pescados da cena punk underground da Califórnia pela Warner após dois álbuns independentes (1.039/SOSH de 1991 e Kerplunk! de 1992) e foram condenados como vendidos pela velha cena que os havia dado á luz, por assinarem com uma major.
Sem dúvida alguma, foram em frente para se tornar a maior banda punk do planeta. Depois de toda a tristeza do Nirvana, o rock americano necessitava de algo "bobo". E o "Dookie" de Green Day era exatamente o que ia cumprir este espaço e as coisas foram acontecendo da mesma forma que sempre rolaram. Mas enquanto seu lugar no topo da árvore nunca apareceu, sua relevância apareceu.
Em Novembro de 2002, bem perto do fechamento e conclusão do sucessor de Warning de 2000, eles chegaram um dia no estúdio 880 em Oakland apenas para descobrirem que as fitas master da banda haviam sido roubadas.
"O que nós fizemos era bom e sólido," diz Billie Joe para se convencer muito mais do que qualquer pessoa. "Mas chegou em um ponto em que nós paramos e dissemos para nós mesmos 'Será que isto é melhor do que qualquer coisa que já fizemos e será que estamos nos desafiando o suficiente também?" E a resposta era não, não era aquilo."
Eles pegaram isso como um sinal, jogaram as outras músicas fora e começaram do zero. Fazendo blocos criativos em dias separados. Cada membro da banda vinha com uma música de 30 segundos, que eram grudadas até formarem uma única música o que lembrava Mike das óperas rock do The Who "Tommy" e "A Quick One While He's Away". Hey, se as pessoas acham isso algo estúpido, então elas odiariam que você fizesse algo esperto. Em alguma parte da caminhada, uma idéia nasceu. Eles não poderiam montar uma ópera rock, poderiam?
"American Idiot" com certeza é a melhor coisa que a banda já fez até hoje. E desafia a banda muito mais do que qualquer pessoa poderia algum dia imaginar para a banda de rock mais predileta do mundo. Ela une metade da raiva e frustração da nação com o "Maldito presidente" com a forma mais simples do rock e aparece em primeiro lugar. E se metade da batalha vinha com as músicas, eles não poderiam prever um simples acorde.
Antes do show, sentado em um hotel em Detroit, Billie Joe parece mais novo e belo do que há tempos atrás (Seu "Período do Elvis Gordo", como ele diz). Mike Dirnt, embora seja o que faz as caretas mais estúpidas nas fotos, é o mais sério e concentrado dos três, enquanto o baterista Tré Cool (que pegou um resfriado e de cinco em cinco minutos levantava-se para tossir ou para assoar o nariz) é o hiperativo arrasador nasal da banda.
Vestidos e calçados muito bem, além de caro, o cabelo punk ainda continua imaculado, eles se parecem um pouco como personagens da Looney Toons, porém, cada um deles tem sua peculiaridade. No show, continuam chamando adolescentes para tocar ao vivo (‘Eu quero ver o melhor filho de uma puta que sabe tocar baixo em Michigan!’, durante o interlúdio de Oi! Punk.) e a cover de "Shout" com uma sessão de metais impecável, porém ainda existe um senso de excitação elétrica com o que a banda anda apresentando ao vivo.
"Nós colocamos tudo em ordem," diz Billie Joe. "Nós colocamos nossa carreira na linha, em nosso ponto de vista. Escrevendo 'American Idiot', nós estamos colocando nosso Dookie na linha. Então é meio que, tipo, nós tivemos que olhar uns para os outros e dizer 'É isto o que nós queremos fazer, então vamos continuar e fazer mais!'
Houve alguma resistência da gravadora?
"Nenhuma. As pessoas simplesmente odeiam o Bush e ninguém está 100% satisfeito. Não sei se é algo estratégico ou se é pura política ou se faz parte de algum plano de marketing, mas para nós, era a hora de abrirmos a boca."
E com certeza está dando lucros. "American Idiot" está em primeiro lugar na Inglaterra, EUA, Japão e Austrália, além de Canadá e Argentina, na casa dos 27 milhões de cópias.
Mike: "As pessoas não esperavam um álbum deste feito por nós, mas as pessoas sabem que qualquer emoção que estamos colocando nos álbuns, nós a atacamos 150% mais. Nós temos muita paixão em tudo aquilo que fazemos, mesmo que há anos atrás nós tínhamos paixão em bater uma e fumar maconha. Assim, você sabe, talvez a gente seja um pouco mais apaixonado por isto do que algumas pessoas..."
"Não há nada de errado comigo, é assim que devo ser. Numa terra de mentiras, onde ninguém acredita em mim" - "Jesus Of Suburbia"
Álbuns políticos geralmente são uma merda e eles caem em duas categorias: um lixo (Chumbawamba) ou tão intelectualizado que você não conseguiria encontrar um centro (O novo álbum do REM). Pelo contrário, "American Idiot" é um rito de passagem do drama na tradição do Saturday Night Fever e 8 Mile que conjura a realidade dos dias de hoje da América de um modo tão profundo quanto o mais novo álbum de Springsteen "The Rising." Que fala após o pânico de 9/11. Ele conta a história de um garoto que poderia ser fã de Green Day. Não tem casa, é um vagabundo, ignorado na escola, não é oferecido nada além de um emprego e se reinventa meio que nos moldes de "Jesus Of Suburbia," que se dá ao direito de achar algo a mais do que deveria na terra de desafortunados. Deixando sua cidade e correndo para o mundo, ele confunde a autodestruição com rebelião quando encontra o magnético personagem St. Jimmy (Que no final das contas é um Tyler Durden... O alter-ego de Jesus, mas de qualquer forma...), se tornando um junkie antes de encontrar a salvação nos braços de uma linda ativista chamada Whatsername, mas ainda era perseguido pelo fantasma de St. Jimmy para que fodesse com tudo. E na final, você sabe, encontrando a redenção e aprendendo sobre tudo.
"A música 'American Idiot,' o clima político no qual ele está inserido," diz Mike, "É a gota d'água para que ele fuja da cidade, pegando suas próprias crenças e começando sua jornada."
"Ele está tentando encontrar a sua própria cultura," diz Billie Joe. "Criando a sua própria ao invés de se curvar para a dos outros. Na minha cidade, muitas pessoas acabam trabalhando nas fábricas de açúcar e isto tem acontecido com muitos amigos meus. É alguém que está a procura de algo mais cultural, intelectualmente."
Usando como fundo a administração de Bush e contando as histórias das pessoas, não é besteira dizer que "American Idiot" faz com a América de Bush exatamente o que The Boys From The Blackstuff da televisão inglesa fez com Margaret Thatcher nos anos 80. E se isso tivesse mesmo funcionado e Dubya não comandasse mais o mundo, você diria que o Green Day teve sucesso em fazer o que os Democratas falharam em fazer: politizar jovens votantes de um modo que seja interessante para eles. Talvez isto nem tenha funcionado, mas eles fizeram algo melhor do que qualquer outra pessoa.
Mike: "Eu fiquei um pouco desapontado, pois algumas pessoas não se manifestaram, sabe? Onde está nossos Bonos, nossos Michael Stipes?"
Billie Joe: "Não nos pediram para fazer a turnê 'Vote for Change'; Era muita pregação. As pessoas no show tinham o que? 30, 50 anos? São pessoas já estruturadas que sabem os prós e contras da lei. Eles não se enquadram em nosso público-alvo e em nossos fãs, que fazem parte da faixa entre 18 e 29 anos de idade. Eu diria que o Springsteen foi quem mais se destacou do bolo. Até mesmo o Puff Daddy disse, "Vote ou MORRA" e isso é algo muito forte."
Mike: "Se mais pessoas tivessem saído nas ruas e dito "Vote ou MORRA," ou se mais homossexuais famosos saíssem nas ruas e dissessem, "Quer saber de uma coisa? Ele nos odeia." Estas são questões que afetam as pessoas individualmente, mas ninguém fala sobre isso."
Vocês já foram indicados como perigo para a segurança nacional?
Tré: "Nós vivemos nos estados separados da América agora, então, nem encontramos muitos republicanos. Muitos de nossos fãs são democratas, independentes e anarquistas."
Mike: "Nós nos declaramos à oposição do que está acontecendo no momento. Uma coisa que eu notei nos fãs que têm ido aos shows é que muitos deles são bem patriotas. Muitos de nossos fãs concordam totalmente com o que nós dissemos, mas alguns ainda estão confusos e ainda ficam presos às suas crenças. Mas existe esta discussão que se abriu agora, ao invés de apenas dizer "Vão se foder." Que na verdade, é o grande problema com a política nos dias de hoje."
Quando Jesus Of Suburbia atinge o fundo do poço na canção que mais tira lágrimas do álbum, "Wake Me Up When September Ends" (Uma música inspirada em 9/11 e que está planejada para ser o quarto single do álbum), "American Idiot" atinge seu clímax e a próxima canção, uma mini-ópera de 5 partes "Homecoming," mostra St. Jimmy cometendo um maldito suicídio em um píer, mas veja você... O que acontece aqui é que Jesus Of Suburbia está á frente de muitas verdades. A última canção, "Whatsername" encontra um Jesus pensando nos tempos passados, magoado, confuso, longe de qualquer perigo, mas longe também de conseguir novas respostas para seus questionamentos.
Existe algum final feliz para Jesus Of Suburbia?
"É definitivamente uma série de aprendizados que ele tira de uma série de erros," diz Billie Joe.
Mike: "É o fim de uma vida real, não existe um fim de livro para isto, feliz ou triste, você aprende com seus erros, arrependimentos... Eu tive alguns."
Tré: "O final... A maioria das pessoas que conhecemos também têm o mesmo sentimento de arrependimento. Eu deveria, queria, poderia... É um final real, não é nada inventado."
A realidade do Green Day é uma visão mais atrativa do que sua "Boulevard Of Broken Dreams", mas este sentimento, eles dizem que também se aplica á eles. É a razão que faz com que Billie Joe ainda toque "Basket Case" e continue brilhante, mesmo tendo 32 anos e um casamento feliz.
"Eu acho que a ponte que te divide entre ser um garoto e um homem é a mesma quantidade de problemas," ele diz. "Elas apenas chegam em você de maneira diferente. Seja você tendo medo de repetir o ano, ou de perder seu casamento, ou seu emprego. Eles ainda se aplicam da mesma forma, nunca escrevi músicas sobre puberdade."
O próximo capítulo, por enquanto, será "American Idiot - The Movie."
"Sem brincadeira!" diz Tré. "Luzes, câmera, ação!" Billie Joe explica: "Assim que os rumores caíram por aí, as pessoas começaram a levar a coisa á sério."
Tré: "Mas não façam filas nos cinemas por enquanto."
Billie Joe: "Ainda leva um tempo, mas com certeza nós vamos..."
Qual seria o diretor perfeito para o filme?
Mike: "Tarantino!"
Billie Joe: "Caralho! Não sei... Um cara meio o Guy Ritchie, mas sem a Madonna."
Ele reconhece seu erro, volta e diz mais. "O lance é que nós somos tão ambiciosos que as coisas já começam a ser discutidas, não estamos fazendo aquela coisa velha, de novo, gravar 13 músicas, lançar um single e depois lançar um vídeo. Esse é o novo pop para muitas bandas de rock hoje em dia. Elas são entediantes prá caralho, não se desafiam e isto foi o que fizeram os álbuns de rock com os quais eu cresci: Vamos elevar isto á um nível onde ninguém está. Assim como OutKast ou até o Eminem, por exemplo."
Eles não irão, eles dizem, fazer um álbum convencional tão cedo. E mesmo tendo criado o "punk MTV" será que tem alguém para quem eles queriam pedir desculpas?
"Nah!," resmunga Tré. "Sinto orgulho destas bandas, elas conseguem tirar uma grana e fazer uma música que eu prefiro escutar do que Britney Spears, mesmo que não tenha tanta substância. Prefiro escutar guitarras."
O que com tudo, resta apenas a América e a preocupação constante de que o Armagedom está ainda mais próximo do que parecia estar há meses atrás. E é aí que tem que existir um pouco de Jimmy e Whatsername em todos nós. Se "American Idiot" não fala de nada, assim como todas suas músicas, fala então sobre não existirem respostas fáceis.
"Eu apenas tento e me mantenho positivo," diz Mike. "Muitos jovens votaram, é apenas uma questão de votar uma vez para que se mantenha constante. Uma vez que você vai lá vota e finaliza."
Tré: "Os velhos Conservadores vão morrer e espero que a próxima geração da América venha menos fodida."
Quando é você que está de costas para a parede, é bem a hora que você tenta se juntar a algo. Talvez, a história de "American Idiot" seja apenas o começo.
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