Revista Metal Hammer




Metal Hammer Special

 

 

Parte 1: Billie Joe.

 

 

Foto: “Forte, mas não calado. Billie Joe não tem vergonha de falar o que lhe dá na telha.”

 

 

Matéria:

 

“Eu acho que sempre fui bi-sexual.” – Nosso homem sai do armário em 1995.

 

James Jam lhes traz o homem do momento: Billie Joe Armstrong.

 

IDIOTA PROFISSIONAL.

 

“Não gosto de ficar me justificando,” diz Billie Joe Armstrong. “Somo músicos, não devemos na verdade ficar respondendo um monte de perguntas.” Fica logo aparente que o rapaz não gosta muito delas. “Eu sempre achei que eram um caminho para as pessoas do outro lado da banda, ou um lado que muitas vezes não conhecem fora a música... Mas continuamos recebendo um monte dessas perguntas estranhas!”

 

Fora seu esforço para interrogações, no entanto, Billie tem um acervo enorme de opiniões. Onde temos o seu desleixo para a fama, “Eu odeio celebridades. Eu as odeio demais.” Temos sua visão política, onde disse a revista FHM que ele enforcaria o Presidente Bush se o dessem “uma pequena chance”. E temos também sua opinião com relação aos seus colegas músicos. Ao passar dos anos, ele andou administrando alguns ataques verbais a Lynyrd Skynyrd (“Uma bosta de uns caipiras fazendo música!”), Slipknot (“Eles soam como o Tré se engasgando com uma bola de pelo!”) e seus avós do punk-rock, Sex Pistols (“Johnny Rotten é um merda agora!”). Como cantor, guitarrista e compositor dos punks multimilionários do Green Day, Armstrong é o tipo de músico que toda vez que abre a boca para falar, algo fica no ar. Quando Billie Joe fala, o mundo do rock escuta.

 

Desde declarar á revista The Advocate, “acho que sempre fui bi-sexual,” até brincar consigo mesmo em auto-depreciação, “Não há nada de errado em ser um perdedor, isso depende do quão você é bom nisso”, o nativo de 33 anos de Oakland, tem enchido o saco e torrado a paciência dos jornalistas desde que sua banda apareceu na mídia no final dos anos 80. Suas falas derivam do besta ao sublime; Sua personalidade parece ao mesmo tempo desligada e alerta e enquanto isso, o portfólio da banda agora se vê a frente á odes á sarcasmos e junto á uma desafiadora ópera-rock. “Sou uma contradição ambulante!” Ele nos disse no single de 1996. “E está certo mesmo que é!” Nós concordamos, coçando a cabeça. Será que o verdadeiro Billie Joe Armstrong poderia se levantar, por favor?

 

“Eu gosto do fato de ser mal interpretado muitas vezes,” comenta o guitarrista. “Tudo bem. É o que faz as pessoas adivinharem. Enquanto as pessoas ainda falam ou comentam de você, isso mostra que é ainda um tipo de ameaça. Não quero dizer ás pessoas o que pensar e como pensar. Apenas que dizer para que pensem.”

 

Primeiramente, as pessoas querem conversar com Armstrong sobre punk. Querem questionar o direito de o Green Day usar o título. Acham que o Green Day se vendeu no momento em que deram as mãos ao Man (Ou Homem, ou no caso, o sistema... Ou seja, uma grande gravadora). “Quando assinamos com uma major, muitas pessoas andaram dizendo que usamos a cena punk como degrau para alcançarmos fama e fortuna,” explica Armstrong. “As pessoas ficavam chamando isso de ‘Punk de Oportunidade’, mas acho que na época éramos apenas uma introdução para um garoto que iria comprar um álbum do Black Flag mais tarde. E isso é algo positivo. Existem muitos garotos agora que estão muito na ativa em sua cena local e isso tem a ver como fato que de que nos conheceram primeiro.”

 

 

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Foto: Dye Hard: Esta é apenas mais uma das cores do cabelo de Billie Joe.

 

Como a banda que informou na mídia que a morte do punk foi algo bem exagerado, Armstrong e companhia têm desafiado os predecessores do punk tradicional desde o primeiro momento que saíram da cena underground á mais de dez anos atrás. “Nós queríamos sair de um selo independente e entrar em uma gravadora major,” ele diz sobre a decisão. “Nós recebemos uma proposta da Epitaph, mas ficamos pensando ‘Nós queremos entrar em uma gravadora major ou entrar em um selo independente que acha que é uma major?’ Escolhemos a Reprise.” Como um ponto de referência da cena de Berkeley, como Green Day sendo o marco do lendário palco do Gilman Street Project, Armstrong viu o impacto chegar bem de perto. “Sempre existirão pessoas que ficarão chateadas.” Ele disse ao fanzine 360 Degrees, antes da mudança. “As pessoas perguntam, ‘Porque estão fazendo isso?’ e basicamente é porque eu quero, porra. A música não mudou nada. Não vamos nos mudar para nos encaixarmos no perfil de uma companhia grande. A música estará aí lançada se quiser escuta-la.”

 

Assinando suas almas com o Grupo Warner Brothers em 1994, com dois álbuns e um EP no selo da área de Bay Area, Lookout! Records, o Green Day lançou o seu debut por uma gravadora major, “Dookie” na privada da cultura do jovem americano, meses após a mudança. E iria vender cerca de 20 milhões de cópias ao redor do mundo e lavar as lágrimas da cena do rock que estava velando Kurt Cobain no mesmo ano – nada mal para um álbum que tinha como princípios a zoeira e cocô. “Dookie é uma gíria para merda,” Armstrong sorri. “Ia ser chamado ‘Liquid Dookie’, mas achamos que era muito nojento!” Não obstante, a MTV abraçou o álbum e correu com ele, programando uma incessável sessão das escolhidas “Longview”, “Basket Case” e “When I Come Around”, ajudando o Green Day a ser a maior história de sucesso daquele ano. Enquanto isso, de volta ao ultra-político, reinado punk altamente forte, de sua própria criação, a merda estava acertando todo mundo, dentro ou não da cena.

 

Alguns acreditavam que a noção “Gravadora grande – punk” era uma contradição em termos. Outros acreditavam que o Green Day havia cometido o maior dos pecados do punk assinando com uma gravadora grande e estragando sua integridade em troca de dinheiro do sucesso popular. E membros de ambos os campos, levando consigo alguns que caíam pelo caminho, existia uma massa enorme de pessoas que apenas queriam gritar “Vendidos!” o mais alto que pudessem.

 

“As pessoas ainda estão falando sobre isso,” nota Armstrong. “Quando começamos a tocar punk rock era fato provado que não havia como ficarmos ricos. Não havia como você ficar milionário tocando punk. Na verdade, 6 ou 7 anos atrás, as pessoas tinham medo de dizer a palavra que começa com P! Nunca tocamos punk rock para ficarmos famosos, e eu nunca achei que sendo debochado me levaria onde estou hoje.  O que eu sempre digo para as pessoas é, ‘Você pode nos tirar do ambiente punk rock, mas não pode tirar o punk rock de dentro de nós.” Mas, isso é algo que ele já se encheu de defender. “Quando começamos como uma banda, tocávamos punk rock, e então, mudamos o som – mas não mudamos quem somos. Apenas gosto de escrever canções, e se alguém acha que isso é alguma regra de como ser punk então eu quero é que se foda!”

 

Não importando o lado onde você esteja, não há discussão de que, nos anos que seguiram de Dookie, Armstrong duelou consigo mesmo para superar as tramas das composições do mundo pop. Se o álbum “Insomniac” de 1995, era essencialmente Dookie com letras sobre auto-exaltação, ao invés de auto-abuso, então Nimrod de 1997, viu o compositor disposto a quebrar o molde dos três acordes, mostrando um álbum que começava a fazer surgir perguntas de como a sua banda foi criada.

 

“Eu me esforcei para escrever o melhor álbum que eu poderia,” ele diz. E do começo é óbvio perceber que Nimrod tinha um único ponto a ser tratado ambiciosamente, amor. Certeza, tinham várias músicas ali que você iria pogar até em cima da parede, mas assoviando aquelas melodias famosas, “Nimrod” tinha momentos de introspecção melosa, poppy, diferente de tudo o que a banda havia tido coragem de gravar antes. E também viu Armstrong, seu autor, cometer um ato a mais de traição do punk rock – usou no álbum um violão. E ainda, foi mais longe escreveu uma balada; a sentimental canção meio folk “Good Riddance (Time Of Your Life)”. “Colocar aquela música me fez ficar nervoso,” ele diz. “Para eu meio que tomar a frente e me desafiar junto com a platéia – para dizer que existe beleza na vida, que existe esperança...

 

 

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Foto: A banda em 1998. Nesta época Billie Joe já desbravava as fronteiras da música.

 

... Bem, aquela canção nos fez livres em muitos aspectos.”

Era para ser a pièce de résistance do álbum. O hino que queimou fluido de isqueiro durante todo o verão. “Good Riddance” viu Armstrong deixar de lado os cabelos de neon, a cara de cartoon, e anunciou a chegada de um respeitoso compositor tão reverenciado e respeitado como sempre quis ser. Caralho, e ainda ganhou um prêmio da MTV – e cara, como isso deu munição para os puristas do punk atirarem.

 

Mas o renascimento criativo do Green Day não começou e terminou com badalagens. Pela primeira vez na história, a banda convidou novos artistas para ajudar e modelar as novas dinâmicas das composições de Armstrong. A violinista da banda This Dog, Petra Haden, emprestou seu talento para algumas canções, com os saxofonistas e trompetistas Gabriel McNair e Stephen Bradley apareceram para dar mais vida á canção “King For A Day”. “Nós quisemos colocar no álbum novos instrumentos,” explica Armstrong, “mas ao mesmo tempo não queria perder a energia que eu, Mike e Tré temos numa sala juntos – Mas é divertido usar gaitas, bandolins e você sabe, uma banda mariachi e coisas do tipo.” Do primeiro acorde ao último, do rifferama de abertura “Nice Guys Finish Last” até as levadas infecciosas de “Prosthetic Head” – colocando toda a instrumentação estranha no meio – Nimrod era mais do que um álbum que provava que o Green Day era mais do que uma brincadeira, garotos de três acordes, mas também que já era hora dos cínicos se renderem ás habilidades de Armstrong como compositor.

 

“Com ‘Nimrod’ eu acho, sim, que conscientemente nós quisemos mudar um pouco,” ele resmunga. “E se não aceitássemos o desafio, iríamos terminar como uns velhos punk rockers, tocando a mesma coisa sempre. Um destino pior que a morte.” Touché! Green Day 1, Esnobes do Punk 0. “Não quero me limitar musicalmente,” ele diz. “Tudo o que eu quero é escrever boas canções. Quero me desenvolver e tentar novos estilos, cruzar as minhas fronteiras de uma música de 2 minutos e meio com as de uma canção de jazz de 3 minutos e meio. Talvez até chegar um pouco em swing ou rockabilly.”

 

E foi exatamente o que o Green Day fez como foco em sua nova mudança criativa, o álbum “Warning” de 2000. Armstrong foi rápido em declarar que este era o “álbum de rock n’ roll clássico do Green Day”, e cerca de 12 faixas de arranjos confiantes e ambiciosos, isso se deparou com uma diferente levada do que com a febre punk de antes. A visão do futuro da banda segundo Armstrong estava se emergindo. “Quando as pessoas dizem, ‘A minha banda favorita é o The Who’, você sabe que estão falando de uma banda clássica do rock. Quero que as pessoas falem assim do Green Day.” Repare na falta da palavra punk, na fala. Armstrong estava agora pensando além do óbvio, além de escrever apenas músicas punk rock, se livrando da cena de antes e se sentindo mais livre para alcançar objetivos mais ambiciosos, um corpo de trabalho para durar muito tempo. Músicas que o questionariam como compositor e não como punk.

 

Em Nimrod, os violões e outros instrumentos voltam com força total, mas este álbum se fez notável bem mais do que as melodias texturizadas de seu som. “Warning” fez sucesso em mostrar o coração frágil de Armstrong de modo como nunca havia ousado antes. Muitas as músicas eram afirmações caçadoras de tristeza, e havia horas parecer que Armstrong estava a ponto de explodir em lágrimas. A levada quebrada de “Misery” fez tudo o que disse com clareza, enquanto “Macy´s Day Parade” pegou exatamente onde “Time of Your Life” havia parado. Combinando cordas leves com o frágil e gago violão, eram ligados por um vocal doce, que se completamente diferente e que você nunca diria ser o mesmo rapaz que cantava “Basket Case”. E então, tinha “Jackass”, a confirmação definitiva das novas habilidades de Armstrong como sendo um compositor confessional.

 

 

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Foto 1: BJ estava sem medo de desplugar sua guitarra em Nimrod.

 

Foto 2: Armstrong fica vesgo ao ver a premiação e American Idiot, no Grammy.

 

 

 “Todos adoram uma piada,” ele cantava. “Mas ninguém gosta de um tolo”. Tudo isto implorava a pergunta, “estava tudo bem com Billie Joe?”

 

“Eu acho que, quando estrelas do rock fazem muito sucesso,” ele diz. “Muitos vão bem dentro de si e se trancam do mundo. E foi isso que meio que aconteceu comigo. Eu fiquei desconectado do que estava acontecendo. É sobre isso o que fala esse álbum: canalizar minhas frustrações e raiva em coisas importantes. Achar algo que saia disso e que seja positivo.”

 

E a conseqüência mais positiva de Warning, foi a continuação do processo de evolução das composições de Armstrong. Experimentando com sons e arranjos, extendendo sua capacidade a cada álbum lançado, e estava ganhando elogios por estar se “amadurecendo” como “artista”. Relembrando a introdução rápida da música “Burnout” de Dookie, com seu mantra niilista “Não estou crescendo, estou desaparecendo” – e parafraseando o título de uma de suas antigas músicas – o Green Day parecia estar longe cerca de 2.000 anos-luz.

 

“Temos muito punk rock em nossa formação,” diz Billie Joe, “mas agora, estamos apenas fazendo algo um pouco diferente. Não queremos ficar presos a apenas um gênero a nossa vida toda. Nossos shows têm sido vistos por uma geração nova de pessoas, e não me importo nem um pouco com isto. Você sempre fica nostálgico com os dias de outrora, mas estamos muito confortáveis fazendo o que estamos fazendo agora. Quero dizer, tivemos apenas cinco semanas para fazer nosso último álbum, ao invés de dois dias.” Green Day 2 x Esnobes do Punk 0.

 

“Tudo o que fazemos no passado,” ele diz. “Nós deixamos de lado e fazemos algo novo. Sempre tentamos nos reinventar e aparecer com algo que seja novo. Tentamos fazer algo que documente a época em que estamos vivendo. Sempre queremos fazer o melhor álbum que pudermos.”

 

Existem alguns poucos que não concordariam que o Green Day fez seu melhor álbum no ano passado, o multifacetado, sonoramente absurdo, apontando o dedo na cara de George W. Bush, “American Idiot”. Essencialmente, um álbum conceitual, a narrativa do álbum leva os créditos aos antigos grupos e favoritos de Armstrong, The Who com o álbum “Tommy” de 1969, é diferente de tudo o que o mundo do rock havia visto em anos. É esperto. Não é passional e é lotado de ambição. “Uma ópera punk rock!” Armstrong diz. “Eu acho que ninguém havia pensado nisso antes!”

 

“O rock ficou tão estagnado,” ele continua, “e tinham muitas bandas que não faziam nada diferente da última moda. Eu acho que o motivo do hip-hop estar bem maior que o rock hoje em dia é o fato de terem muita ambição. Eles fazem álbuns que têm um conceito e parecem personagens. Eles soam como um roteiro”.

 

E ainda, aumentando os horizontes do gênero, “American Idiot” finalmente viu o lado de “alfinetador” político de Armstrong. Embora, ele tenha feito questão de deixar a banda bem longe da política por mais da metade de sua carreira. – “Não somos uma banda política,” ele diz muitas vezes.” Os eventos de 11 de Setembro, a invasão do Iraque e toda a avalanche de notícias de medo e terror que ele via toda vez que ligava a televisão, o fez realizar um trabalho mais externo do que muitas vezes havia feito.

 

“O encontro da Reality TV com notícias e guerra. Tanques entrando em Bagdá, com comerciais de Viagra no meio. Eu fiquei tão confuso com o que estava vendo que tive que escrever sobre isso,” ele diz. “Todas minhas composições são sobre tomar uma atitude e criar uma opinião. Enquanto o tempo passava, e por causa do clima ao meu redor, eu senti mais responsabilidade em escrever sobre política. Eu sempre escrevi sobre coisas que me cercam, seja sobre um garoto se masturbando em frente á TV ou como agora, eu morrendo de medo em frente á TV”.

 

Pergunte á Armstrong o que ele acha de Bush e ele lhe dirá, “Eu acho que é um dos piores presidentes que a América já teve.” Pergunte á ele o que ele quer fazer sobre isso e ele sorrirá e dirá, “Eu apenas continuarei compondo e quem sabe um dia ele será condenado por crimes de guerra.” Pergunte á ele o que “American Idiot” significa para ele, e ele apenas irá sorrir e erguer seu Grammy de “Melhor Álbum Rock” – A última provação do compositor Billie Joe Armstrong.

 

Se ‘American Idiot’ testemunha o alcance da idade de Armstrong politicamente, isso fala muito mais sobre quem ele é do que qualquer deslize em sua carreira de 15 anos. É o trabalho de um artista disposto a superar qualquer moda e fazer seu próprio caminho, desafiando e combatendo os tédios do punk do passado. Testemunha o estilo de música que ele ama, não importando  as cores de cabelo que um dia já teve, misturado junto dentro de uma única embalagem. É o som de uma pessoa querendo cutucar o mundo ao seu redor, como compromisso de lutar por um mundo melhor. Testemunha a prova sem controvérsias que Billie Joe Armstrong é o cara. Não faz sentido qualquer definição que a palavra “punk” já tenha sido qualificada. Green Day 3 x Esnobes do Punk 0. Três strikes, você está fora!

 

“O que as pessoas deveriam perceber,” ele acentua, “é que eu sempre ouvi a todos os excelentes compositores, de Bikini Kill até Rolling Stones, passando por The Replacements... Apenas boas canções. Com certeza tenho mais influência de composições do que de punk”.

 

E com isto em mente, vamos perguntar mais uma vez. O verdadeiro Billie Joe Armstrong poderia se levantar?

 

“Eu acho que antes de sermos uma banda punk e antes de eu ser um punk rocker, sou um compositor,” ele diz.

 

E um bem PUNK por sinal.

 

 

Foto: “Toda minha composição fala sobre tomarmos uma atitude.” – Preparado para seu close-up. Armstrong em ’94, o ano em que ele “se vendeu”.

 

 

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ATÉ 11! – Os destaques da carreira do Green Day em uma escala de 11 á 1.

 

 

Foto: A banda ensaiou muito mesmo para a ópera.

 

 

11. “AMERICAN IDIOT” – O começo de sua fase madura.

 

10. “DOOKIE” – Ainda maravilhoso uma década depois.

 

9. “WOODSTOCK ‘94” – Ótimo show na guerra de lama no festival de hippies corporativos malditos.

 

8. “A WARPED TOUR DE 2000” Bom para eles e para todas as pessoas nos shows.

 

7. “O SHOW ACÚSTICO DO BRIDGE BENEFIT SCHOOL” – A prova ocular de que havia muito mais para a banda do que o chamado punk da Califórnia.

 

6. “O SHOW DE BOSTON DE 1994 ACABA EM PROTESTO” - Fãs alvejados com gás lacrimogêneo, anarquia e caos.

 

5. “BILLIE JOE PRESO POR EXPOSIÇÃO INDECENTE” – A lição é: Não mostre a bunda em Milwaukee.

 

4. “MIKE CAGA DE UMA VARANDA NO SUNSET MARQUIS MOTEL” – Meio engraçado, mas infantil.

 

3. “GREEN DAY CANCELA A TURNÊ DA EUROPA EM 1996” – Completamente exaustos na prévia de Nimrod.

 

2. “MIKE HOSPITALISADO APÓS BRIGA NO PALCO” – A brincadeira do baixista Arion Salazar da banda Third Eye Blind acaba em ataque com garrafa de cerveja.

 

1. “THE NETWORK” – Um péssima idéia em todos os sentidos.

 

 

ESTATÍSTICAS!

 

·          O Green Day recentemente teve que adiar os shows em Dayton, Tennessee para que Billie Joe Armstrong pudesse descansar sua voz (em ordens médicas).

·          No dia 8 de Setembro no Gillete Stadium em Foxborough, MA, os rapazes tocaram ao lado de Santana e outros no show de abertura da temporada de 2005 da NFL, que foi visto por milhões de pessoas.

·          O Green Day acaba de pedir de volta os direitos sobre seus primeiros álbuns que foram lançados pelo selo californiano Lookout! Records, após anos de problemas financeiros com o selo. A retirada do material vai fechar as atividades do selo de uma vez por todas. O selo também já foi a “casa” das bandas Rancid e The Donnas.

·          Você tem iPod? O Green Day acaba de lançar uma capinha muito bem feita para iPods no formato do álbum American Idiot para quarta geração. A arte aparece fora e dentro da capa e existem buracos para os controles. Talvez ainda lancem uma para o iPod Phone.

 

 

 

AMERICAN IDIOT: A SEQÜÊNCIA!

 

A continuação do álbum massivo já está a caminho.

 

A banda já declarou estar trabalhando em 15 músicas que provavelmente irão aparecer no álbum que irá ser lançado depois de “American Idiot.” Segundo Billie Joe, o álbum ainda está bem nos primeiros estágios de produção, embora esteja bem feliz com o modo que as coisas estejam funcionando. “Por enquanto estamos naquela fase sem stress e de diversão. Apenas pegando nosso gravador de 4 pistas e fazendo um monte de coisas engraçadas,” disse á revista da Billboard. “Eventualmente alguma coisa se desenrola. É excitante. As idéias estão sempre fluindo.”

Não existem planos da banda tocar nenhuma música nova nas turnês.

 

 

Foto: “Vós não ireis contar...”

 

 

BANDO DE LARGADOS!

 

 

O Green Day talvez tenha encontrado o sucesso mais uma vez com “American Idiot” e sua nova visão política, mas com certeza acabaram alienando muitos de seus fãs de direita. Um número enorme de blogs a favor de Bush testemunharam, existem muitas pessoas lá fora que ficaram indignadas com a posição anti-guerra da banda, assim como sua opinião em tópicos como registro de votos e o apoio ao candidato John Kerry nas eleições para Presidente em 2004.

 

Disse um garoto no site blogcritics.com, “Eu comprei Dookie em 1994, apenas uma semana depois de ter ouvido ‘Longview’ ... Eles tinham um local especial em minha coleção de discos e eu sempre podia contar com uma canção da banda para me deixar motivado. Mas, o Green Day, assim como eu, cresceu. Entretanto, eu não cresci para ser um abusado democrata anti-guerra. Estou pensando seriamente em repensar meu amor pela banda.”

 

O ex-vocalista dos Misfits, Michael Graves, ficou tão incomodado com a posição de esquerda do Green Day que, não apenas criou seu próprio dite direitista conservativepunk.com, mas também se alistou na Marinha dos Eua! “A esquerda desse país hoje agora caminha pela mensagem “A América é toda ruim”. Culpando os Eua não só de todas as doenças e problemas domésticos, mas o planeta todo, eles se esconderam em um canto intelectual que não ecoa nos corações de muitas pessoas.”

 

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AMERICAN IDIOT, O FILME?

 

Green Day quer fazer filme baseado no álbum.

 

 

Foto: BJ pondera os méritos relativos de Jim Carey e Matt Damon.

 

 

O Green Day anunciou ter planos de transformar o seu álbum conceitual de extremo sucesso “American Idiot” em um filme. E estão com planos de filmar American Idiot: O Filme em 2006, embora antes queiram tomar controle artístico completo no projeto.

 

Billie Joe Armstrong explica, “existem muitas pessoas lá fora em Hollywood, então temos que segurar nossas rédeas. Queremos ter o controle de tudo o que existe no álbum.” A banda também não deu nenhuma dica sobre quem vai dirigir, ou estrelar ou qual será o elenco, mas não serão os primeiros a tornar um álbum conceitual em filme. O The Who fez isto primeiro com Tommy (1975, dirigido por Ken Russell) e com Quadrophenia (1979, dirigido por Franc Roddam), enquanto a versão para filme de The Wall do Pink Floyd foi dirigida por Alan Parker em 1982.

 

Voltando à pequena tela, o vídeo promo de “Jesus Of Suburbia” será feito por Samuel Bayer, que já anunciou ser o último vídeo clipe que irá dirigir. Falando com a MTV, Bayer revelou, “Será bem cru, como no filme Kids, estamos usando garotos reais de Los Angeles e Califórnia. É um triste vídeo sobre perda e corações quebrados.” O vídeo ainda contará com o astro de Billy Elliot, Jamie Bell.

 

Bayer dirigiu todos os clipes de “American Idiot” e junto com a banda recentemente ganhou 7 prêmios dos 8 disputados no Vídeo Music Awards da MTV. “Sam tem o mesmo tipo de coração que nós temos,” disse Billie para a MTV. “E ele tem uma paixão incrível em como realizar sua arte. Então, ganhar estes prêmios e reconhecimento é super importante para ele também.”

 

 

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Parte 2: Mike Dirnt.

 

Foto: Sr. Bonzinho: Apesar das aparências, Mike lhe deseja apenas o melhor.

 

 

Matéria:

 

“NÃO POSSO DIZER QUE SOU A MESMA PESSOA DE 5 ANOS ATRÁS. EU ESTARIA ENGANANDO A MIM MESMO SE DISSESSE QUE SOU AQUELA PESSOA.”

 

As palavras e sabedoria do baixista do Green Day, por James Jam.

 

A VIDA BOA

 

 

Mike Dirnt com certeza irá fazer palhaçadas e rir se você fizer uma pergunta gentil com ele. Ele fará o papel de punk de cartão postal perfeitamente, fazendo poses engraçadas e debochadas a cada clique da câmera. E você sabe bem que tipo de pose. São aquelas que decoram as paredes de seu quarto. Estas que aparecem nestas páginas. Aquelas que mostram Dirnt como sendo a referência do rebelde chique e anti-autoritário – o tipo de cara que lhe arrancaria um sorriso mesmo não rindo de suas piadas, e dos 11 anos que se passaram desde o lançamento de seu álbum de estréia “Dookie”, são imagens como esta que formaram a cara do Green Day.

 

Há uma calma natural em sua cara amarrada, uma espécie classuda de “foda-se” em sua posição um pouco corcunda e a sua performance totalmente enérgica no palco faria pensar que ele é o filho bastardo da prole de várias bandas de espírito punk rock. Ele se parece com o mesmo cara que sempre pareceu, e com a exceção do logotipo da BMW em seu chaveiro, você não consegue fazer a mínima idéia dos milhões de dólares que descansam em sua conta bancária. Se colocasse algumas linhas a mais alinhando seu nariz, ele poderia ser o irmão gêmeo inteligente, que pelo olhar, o lembraria do rapaz na contra-capa do “Dookie” em todos esses anos.

 

Parecendo estiloso em sua camisa cortada e pelo adorno perfeito na orelha, Dirnt mostra uma espécie rara de arte na pele que não seria nada difícil de se ver em uma prisão – ele se encaixa perfeitamente no papel do espertão punk de cabelos grisalhos. Entretanto, sentado e tomando um café no Rudy’s Can’t Fail Café em Emeryville, Califórnia, (o qual é também de sua propriedade), o baixista é tudo, menos agitado.

 

Afável e astuto, parece um homem em paz consigo mesmo e ficamos surpresos ao saber da doença cardíaca que ele tem e que o acompanha desde pequeno, resultando em pequenos ataques de pânico, os quais ele ainda tem, até os dias de hoje. O pragmático e paterno mestre das cordas em contraste com o jeito meio palhaço-triste de Billie Joe, e uma pedra parada e forte ao lado das batidas malucas de Tré, Dirnt é o Gandalf de quase dois metros de altura olhando e cuidando, com seus olhos delineados, dos companheiros hobbits de banda. Se Billie Joe é o artista e Tré o Performer, então ele é o peso que faz com que a banda de Berkeley se mantenha em equilíbrio e no chão da realidade.

 

Nascido Michael Ryan Pritchard em 4 de Maio de 1972, ele ganhou o nome Dirnt na época do colégio, quando ele fingia que tocava baixo durante o recreio. Ele imitava o som de alguém tocando notas simples em um baixo, que soava algo parecido com ‘dirnt, dirnt, dirnt’. Sua atitude hoje em dia é cuidadosa e bastante pensativa, até mesmo quando cutucamo-lo com o nosso debate “Green Day não é punk rock coisa nenhuma!”, logo de cara. “Eu concordo,” ele diz rindo. “É quase um absurdo dizer punk rock e arenas de hockey junto. Com certeza viemos de um certo elemento, e temos uma idéia bem definida do que gostamos. Definitivamente, nós carregamos em nós mesmos a nossa moral, nossos ideais e ética e tudo dentro de nós, tudo de onde viemos”.

 

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Ele olha para a garçonete, e então para a sua xícara de café, o tempo todo brincando com um sache de açúcar entre seus longos e calejados dedos. “Mas, não consigo dizer que sou a mesma pessoa que eu era há 5 anos atrás. Eu estaria brincando comigo mesmo se dissesse isso. Acho que a coisa mais importante que se tem a fazer é ser honesto consigo mesmo”.

 

O espertalhão tatuado bebe o seu primeiro café com leite da tarde, deixando escapar um “ahhhh”, como prova de uma satisfação própria. “Não é problema,” ele continua.  “Quero dizer, a gente faz músicas para as pessoas que querem escutar as nossas músicas e também fazemos músicas para nós mesmos. Ultimamente o lance é o seguinte, gostamos de nos satisfazer e escrever boas canções”. Ele solta um arroto discreto. “Chamem-nos de egoístas, de gananciosos, mas fazemos música para nós mesmos”.

 

Perdão Senhor, então o sucesso comercial é uma obra do acaso? Dirnt pensa por um instante, batendo o sache de açúcar em sua xícara na mesma batida de uma canção rock n’ roll dos anos 50 que sai na jukebox do café. “Quando criamos estes CDs,” ele resmunga. “Nós os damos para as pessoas. Então (a música) é deles para que escolham e que façam o que bem entender com ela seja falar mal ou amá-la e adorá-la – o que quer que seja que você queira fazer com ela. Uma das coisas mais gratificantes de tocar música é poder dividi-la com as pessoas e tocar para elas”.

 

O Green Day tem tocado canções para as pessoas há mais de 15 anos e já faz quase 20 anos desde o dia em que o baixista conheceu Billie Joe na cantina de seu colégio, quando tinham 10 anos de idade. Os dois viraram amigos rapidamente, dividindo um desejo adolescente de tocar heavy metal. “Billie e eu tocamos juntos desde a quinta série,” Dirnt contou para a revista Onstage. “É muito mais tempo do que algumas bandas duram no mundo!” Ele ri. “Quanto tempo levou para os Beatles ficarem juntos? 10 anos?”

 

As primeiras jams de Armstrong/Dirnt contavam com versões para “Ain’t Talking About Love” dos cabeludos de permanente do Van Halen e “Photograph” dos roqueiros NWOBHM do Def Leppard. Naqueles primeiros anos alimentavam-se de uma série besta de canções cover. Entretanto, na oitava série Dirnt e seu companheiro Armstrong já escreviam as suas próprias canções.

 

“Se você queria ouvir canções em sua cidade, você tinha que tocá-las,” ele disse á revista RIP. “Não tínhamos uma loja de discos na cidade. Éramos garotos. Nossos pais contavam os centavos em casa, sabe? Mas com o tempo, conseguimos economizar e Billie comprou a sua guitarra e começou a tocar. Então, eu comecei a guardar dinheiro como um louco e aprendi algumas canções até poder comprar a minha guitarra. Billie e eu tocamos juntos e também com outras pessoas. Nós tentamos várias bandas diferentes e tocamos em shows de talentos na escola e essas coisas.”

 

“Então, de repente, nós fomos apresentados ao punk rock e era a coisa mais fascinante que existia,” Dirnt relembra com seus olhos azuis brilhando com a memória. “Quero dizer, aqui estamos, tocando alto com um amplificador vagabundo, e tudo isso era exatamente o que aquelas bandas estavam fazendo. Não foi exatamente como elas nos influenciaram, mas foi o que nos mantinha com energia”.

 

Ficamos interessados em saber como o baixista vê a evolução de sua banda ao longo dos anos. De heavy-metal á punk rock no espaço de um ano-letivo. Dos adolescentes esnobes, desiludidos, de três acordes aos músicos de hoje em dia. Como cresceram sendo que vieram de um começo difícil até se tornarem os homens por trás de uns dos maiores Superhits Internacionais?

 

“Acho que mudamos demais,” ele diz. “As pessoas dizem, ‘Vocês estão mais maduros’, ou seja o que for, mas acho que apenas ficamos mais experientes com relação á tudo. Aprendemos a começar a escrever canções de várias direções e não utilizar apenas uma fonte”. Ele pensa coçando o queixo. O jukebox muda para uma outra canção rockabilly e Mike aponta para a garçonete pedindo um outro café. “Não existem regras para esta banda. Acho que quanto mais a banda vai avançando, mais iremos procurar novos caminhos. Adoramos nos desafiar. Se algo nos deixa com medo, nos assusta, então acho que estamos no caminho certo.

 

Hoje em dia, ele mal usa os comentários de “o garoto pobre que se deu bem”, uma vez que ele mantém sua cabeça bem centrada em sua realidade. A juventude de Dirnt foi temperada com tristezas – ele tem todo o direito de saborear o sucesso que sua banda faz. Sua mãe biológica era uma viciada em heroína que o deu para adoção, logo no nascimento, enquanto o casal que o adotou se separou alegando “diferenças irreconciliáveis”, quando ele tinha apenas sete anos de idade. No começo, morou com o seu pai, depois, com sua mãe. Então, sua adorada irmã mais velha saiu de casa quando ela tinha 13 anos de idade. “Estava era acontecendo de tudo,” ele explica bebendo o café. “Quando eu estava na quarta ou quinta série, minha mãe ficou uma noite inteira fora, chegou em casa de manhã com um cara e então ele se mudou para nossa casa. Eu nunca havia visto o cara mais gordo e não mais do que de repente, ele é meu padastro”.

 

Na escola, o baixista achava os estudos bem difíceis. Especialmente quando a sua mãe(...)

 

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“Eu nunca havia visto o cara mais gordo e não mais do que de repente, ele é meu padastro” – Mike, falando sobre sua difícil infância.

 

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“Eu nunca vou poder ver o Green Day ao vivo. Que merda!” – O lado ruim de fazer parte da banda.

 

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Foto: Os garotos pensam por que diabos eram sempre os últimos a serem escolhidos na escola.

 

(...) não ficava muito em casa para regular as suas lições de casa e dar desculpas pelas suas faltas. Duas faltas sem explicações causaram a perda de uma nota do ano todo e no fim do ano ele encarava péssimas notas, ao contrário das ótimas notas que ele sempre lutou para conseguir. “Chamei minha mãe de canto,” ele conta, “e disse para ela ‘É assim que funciona, você está com um monte de merdas acontecendo na sua vida e não adianta vir, de semestre em semestre perguntar se eu fiz a lição de casa e ficar puta comigo, não é certo. Eu repeti o ano? Não. E eu vou me formar se você não me encher o saco. Esse é o único momento da sua vida que você escolhe ter alguma moral e isso vai acabar me ferrando. Não finja ser uma mãe uma vez por ano, por que não vai rolar”.

 

Cara, isso soa muito pesado, talvez injusto. Você botou para quebrar mesmo? “Nós não nos demos bem por anos,” ele olha longe. “Mais tarde, quando eu entrei no colegial, minha mãe se mudou e meu padastro e eu ficamos bem próximos. Ele me instigou muito. Se tem uma coisa que minha família me deu foram as morais da classe-média”. Os olhos azuis de Mike parecem mais fortes do que nunca. “Mas, ele faleceu quando eu tinha 17 anos de idade,” ele olha longe de novo. “A vida tem muitos desafios. Você tem que encará-los de frente e ir em diante”.

 

Certamente! Dirnt se formou no colegial naquele mesmo ano e se matriculou na universidade local para uma grande lista de cursos que durariam mais de um ano. Ele e Billie se mudaram para um squat em Oakland, Califórnia (a inspiração para a canção “Welcome To Paradise”, fato para os fãs). Com tudo contra, Mike se deu bem.

 

Se não tomarmos cuidado, o que começou como apenas um pingado pode se transformar em uma inundação de cafeína. Uma vez que, sentados aqui, queremos detalhes, queremos estórias, queremos saber mais. Por exemplo, do que ele mais se lembra sobre sua infância.

 

“Eu andava muito de bicicleta,” ele ri. “Eu pirava em bicicletas quando eu era garoto. Tenho muitas lembranças de quando eu era garoto. Mas eu não paro e fico relembrando e vangloriando isso o tempo todo,” ele ri. “Estou muito preocupado com o que o futuro guarda para mim. Principalmente de agora à tarde até a noite”.

 

Ficamos pensando onde seria a “casa” de um cara que vive na estrada e se isso pode ser uma coisa ruim, após um começo tão modesto. Ficamos pensando, como será que ele consegue se manter são, mesmo dando voltas ao mundo com seus braços dados á ele, viajando de país á país na velocidade de um piscar de olhos com fãs adoradores em qualquer lugar que ele vá?

 

“Não acho que nossa banda é a banda típica que leva as turnês como estilo de vida,” diz Dirnt em resposta. “Bem, nós trabalhamos muito, saímos em turnê toda noite, mas não ficamos em hotéis. Temos o melhor trabalho nas turnês, pois conseguimos tocar todas as noites e vivemos para isso, mas ao mesmo tempo, temos o trabalho mais entediante do mundo também, sabe? Dar entrevistas e ficar sem fazer nada o dia todo, ficando ansioso e esperando. Então, é difícil, com certeza. Ele ri mostrando os dentes e dá com os dedos na mesa. “Mas tocar é tão divertido. Amo meu trabalho”.

 

“Apenas tento não me colocar em um pedestal e achar que é mais do que realmente é,” ele diz sabiamente. “Você tem que se lembrar que hoje você está aqui, mas daqui a pouco, não está mais. Nós não saímos por aí comprando Ferraris e vivendo o estilo de vida rock n’ roll. Nós entramos nesse meio muito bem. Nós já fazíamos turnês extensas antes mesmo de assinarmos com uma major. Nós saímos em turnê por meses e então, voltamos e nossos amigos vão nos testar, com certeza. E isso acontece há anos. Nós saímos por dois meses, voltamos, três meses, voltamos e toda vez, eles nos testam. Acho que nós sabemos muito bem quem nós somos e de onde viemos”.

 

Mas, no ano passado mesmo, a atenção para a banda virou algo público. O lançamento de sua “ópera punk rock”, o multidimensional American Idiot, mostrou que a banda tem um cérebro esperto, um coração e um sentimento exatos sobre o momento em que vivemos hoje em dia. Fez com que “Dookie” parecesse tão ultrapassado. Foi um álbum que testou as suas habilidades e fez com que o nível fosse aumentado para as bandas jovens de hoje em dia, tendo a cabeça voltada primordialmente para o conflito que acontece no Oriente-Médio e com a atenção voltada para quem está sentado na cadeira de comando do país, como Presidente dos EUA. Dirnt olha longe, bem para longe quando começa a falar do álbum e de seu significado.

 

“Eu gostaria que tivéssemos um Presidente que não mentisse para nós todo santo dia,” ele diz brincando com o fim do café que se junta na xícara enquanto fala do verdadeiro Idiota Americano.

 

“O Presidente Bush aconteceu para nós e para todos que moram na América do Norte,” ele continua. “Nós não elegemos este Presidente. Elegemos uma outra pessoa. Uma velha regra fez com que ele caísse ali. As faculdades eleitorais o elegeram e isso foi coordenado há muito tempo atrás para que as pessoas que tem educação votassem nele e vencesse a população. Funcionou, mas não parece que as pessoas são na verdade muito inteligentes”.  E o que lê diz agora, na verdade, nem precisava muito, uma vez que ‘American Idiot’ é mais do que a prova disso, mas mesmo assim, ele fala. “Cada um de nós nessa banda,” ele fala. “É muito mais sério do que você possa imaginar”.

 

Existe uma concepção errônea de que “American Idiot” era o apelo para uma juventude ferida. Um levante musical contra o pensamento corporativo/conservador, idiota e sufocante que é propagado por nossa cultura e mídia. Ou pelo menos muitos gostariam de pensar isso. Um argumento raivoso de desgosto com relação ás atrocidades cometidas em solo nacional e estrangeiro. Bem, não para estes ouvidos. Enquanto ‘American Idiot’ é, em parte, tudo aquilo acima, para este jornalista, soou mais como uma carta de amor para o potencial não explorado do mundo livre. Dirnt está disposto a esclarecer.

 

“O que esse álbum grita para todos é o fato de que minha banda e eu não somos representados por George Bush e seus comparsas,” ele diz. “Não representam a minha moral. Não representam meus valores e se você ignorar as coisas como estão hoje, então você está vivendo uma fantasia”. Ele olha para sua palma aberta na mesa e então fecha a mão, frustrado.”

 

“Nós nos sentimos obrigados à escrever este álbum. Este álbum diz que você está perdendo a sua individualidade. Você está com raiva. Está sendo mal representado. Ele diz que eu não sei o que eu quero, mas diz que não quero ser um americano idiota”. Ele pega o resto de café com açúcar com a colher e continua conversando. “Toda a venda e escalas é tudo maravilhoso, mas esse álbum fala sobre darmos uma opinião. Nós queremos que as pessoas comprem o álbum, mas que também entendam de onde viemos. Isso é muito importante”.

 

Mas os fãs do velho, esnobe e melódico Green Day não precisaram ser avisados. Mike e companhia não esqueceram de seu passado, apenas escreveram á caneta mais um capítulo em sua história. Ao vivo, eles ainda tocam os velhos hits, bem como material do álbum ‘American Idiot’, mas com certeza dão mais atenção às canções de seu mais novo filho. “Estamos muito excitados com esse novo álbum,” Dirnt explica. “É tudo muito novo para nós, mas não vamos abandonar o que já é familiar. Vamos lá e nos divertir em tempos difíceis”.

 

“Tocar o álbum inteiro de cabo á rabo realmente funciona ao vivo,” ele diz. “Agora, tocamos grandes partes do nosso álbum, mas também tocamos várias canções velhas. Nossos shows chegam á mais ou menos uma hora e 45 minutos, mas facilmente conseguimos tocar por quatro horas. Estamos virando o Bruce Springsteen do punk! Nossos shows são feitos para o maior impacto. Quem dera eu ver minha banda ao vivo,” ele ri, sendo sincero. “Nunca vou poder ver o Green Day ao vivo e isso é uma merda”.

 

Ele ri de novo e Dirnt dá um sorriso charmoso. Ele acena para a garçonete e educadamente pede a conta. Existem dois punks sentados em uma mesa á nossa esquerda e ficam brancos quando reconhecem o ícone punk, tão ali. Dirnt sorri para eles e eles ficam vermelhos de vergonha. O baixista pega a sua jaqueta e se prepara para sair. “Muito legal te conhecer Mike,” nós dizemos. “E para onde vai o Green Day agora?”

 

“A gente não olha muito dentro do futuro,” ele responde indo até a porta. “Hoje aqui, mais tarde, não mais aqui, sabe?” Ele ri e fecha sua jaqueta. “Estamos muito feliz com o que fizemos até hoje e se continuarmos a lançar música, isso vai nos fazer felizes, então tenho certeza que haverá muitas pessoas que vão gostar delas. Acho que seria bem legal isso acontecendo em uns cinco anos, ainda lançar nossas músicas e adorar fazê-lo”. Sua perna esquerda abre a porta.

 

“Com relação para onde queremos ir, bem... Nos vemos quando chegarmos lá”.

 

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Foto: A espécie conhecida como Tré Cool, avance com cuidado.

 

“Sou como um saco de batatas, para ser abusado à vontade” – Tré, sobre seu corpo cheio de ferimentos.

 

 

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Parte 2: Tré Cool.

 

Matéria:

 

IDIOTICE AMERICANA

 

James Jam traz á você e melhor e o mais louco – os altos e baixos de Tré Cool.

 

“Merda acontece cara,” diz o baterista do Green Day. “Se você  pegar gasolina e ficar com ela por aí, logo ela cai na sua cara e antes que possa perceber, sua cabeça já está pegando fogo”. Bem-vindos á um dia na vida do Sr. Tré Cool.

 

Perigo! Perigo! Perigo!

 

Nascido Frank Edwin Wright III em Frankfurt, Alemanha, filho de um ex-piloto de helicóptero na Guerra do Vietnam e que acabou virando construtor de casas e a energia da sensação punk de Berkeley, Green Day, Tré Cool não é o mais sensato homem de 32 anos de idade. Estamos aqui hoje, juntos, e com as esquisitices do homem em pessoa, para tentar entender a sua loucura – e estamos com medo. Instalamos um botão de pânico ao lado de nosso computador, instalamos várias faixas de proteção – no melhor estilo Goonies – em nossas mesas e cadeiras e contratamos alguns ex-seguranças da SAS armados com rifles contendo tranqüilizantes apontados e prontos. Na verdade, é mentira, mas bem que a gente gostaria.

Tenha cuidado caro leitor, pois aonde Tré Cool vai, o caos geralmente vai atrás.

 

Explodindo dentro deste mundo em 09 de Dezembro de 1972, nosso rapaz pode ser descrito como o pai de Ramona (10 anos de idade) e de Frankito (4 anos de idade), um morador das montanhas de Mendocino County, um andarilho bem esperto, um brincalhão do punk e um baterista arrebatador. Claramente ainda existem muitas coisas que devemos aprender para entender um cara como este. Estamos aqui para descobrir o que ele fez para que um membro do Radiohead chorasse e como ele fez para entrar na banda de maior sucesso no rock hoje em dia, em primeiro lugar. Queremos compreender a verdade sórdida por trás do homem que adora colocar suas partes pudendas nas mãos de jornalistas e como ele conseguiu ser bem pago para bater em peles com pedaços de madeira e explodir objetos – na maioria das vezes, ele mesmo. E falando nisso, vamos começar no ponto onde ele diz que sua cabeça estava em chamas.

 

“EU cuspia fogo,” ele diz orgulhoso. “Até agora, eu consegui fazer com que o fogo subisse uns quatro metros. Naquela vez em tinha muito combustível e muito pouco ar, então ele ricocheteou e minha boca explodiu. Eu parecia o Freddy Krueger! Foi legal prá caralho, cara!”

 

Claro, não poderíamos esperar outra coisa de um homem que escalou o globo em cima do Universal Studios durante a transmissão do MTV Awards em 1998 e que se inscreveu em uma faculdade para palhaços, até que o destino do Green Day mudasse o seu próprio. Este é o cara que se descreve como “um moleque de 12 anos de idade com responsabilidade,” e que certa vez tirou leite de uma cadela, pois queria que seu café não ficasse sem leite.

 

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Foto 1: Tré vs. Raio. Raio 1 x Tré 0.

 

Foto 2: Ah e a inevitável extração de rola ao vivo.

 

Foto 3: Dá prá acreditar que esse cara um dia já fez curso para palhaço?

 

O cara que admite sem vergonha nenhuma em ser “o mais idiota do Green Day” e que tem como ambição primordial “sobreviver a uma avalanche” (“Quero ser uma daquelas pessoas que os cães acham enterradas embaixo da neve, quase morrendo de fome”). Ele diz que “Canções da Fisher-Price, rimas de enfermeiras e a canção do alfabeto,” são suas influências, enquanto suas contribuições para a banda contam com diversas canções falando sobre masturbação, umas duas sobre sadomasoquismo e uma sobre atropelar velhinhas – ao mesmo tempo em que bem, naturalmente, “destruo a minha bateria”. “O Rock N’ Roll precisa voltar aos dias de Keith Moon e The Who,” ele explicou para a revista Modern Drummer. “Apenas causando problemas, fazendo merda. Esse é nosso papel agora. Nós somos os caras que mais causarão problemas, mais do que qualquer banda. Temos o poder, hoje, de fazer qualquer coisa que nos der na telha”.

 

É só você dizer e provavelmente Tré já o tenha feito. Ou dito, ou sofrido. Ele perdeu um de seus testículos em um acidente com um monociclo. (“Ainda tento tirar o sangue da minha fantasia de palhaço,” ele contou à revista Stuff), ainda disse que um dia espera que as pessoas, “desliguem seus computadores, toquem umas as outras, lambam umas as outras, apreciem a companhia uma das outras e que fiquem cheirando o rabo uma das outras”. Além de já ter perguntado sagazmente, “Groupies são peixes? Não tenho guelras e não tenho como fertilizar ovos,” diz que sua mais memorável experiência em festivais foi quando, “quase tive minha cabeça arrancada em uma luta com um jacaré”. Ah, e já citamos que ele tem um pesadelo freqüente com o mágico cheio de mullets, David Copperfield? “Eu estou enchendo ele de porrada,” ele conta do sonho. “Aquele cara me assusta demais. Odeio-o. É um fodido horrível”. Louco, mau e perigoso saber, Tré Cool é, Keith Moon do The Who, John Bonham do Led Zeppelin e o seu irmão drogado que sofre de ADD, tudo em um mesmo corpo. Constantemente drogado e obviamente, pegando fogo.

 

“Já peguei fogo umas quatro vezes,” ele grita. “E já peguei fogo umas duas vezes no palco. Já fiquei internado várias vezes. Minhas mãos são que nem couro, o que é bem legal. Já tive vários terapeutas enchendo o meu saco por que eu não cuido melhor do meu corpo. Sou como um saco de batatas, para ser abusado á vontade.” Ele ri. “Há há há, teve essa vez que eu tive uma concussão em Road Island...” Uh-oh.

 

“Não, não... Não foi isso. Ali foi onde o segurança me largou,” se corrigindo. “Na verdade, eu a tive em NY. Os paramédicos queriam me levar pro hospital lá mesmo e então eu ficava falando, ‘Não. Eu tô legal.’ Foi engraçado Há há.”

 

Tré Cool acha muitas coisas engraçadas, mas as coisas que mais o fazem rir são as que acontecem consigo mesmo. Seu cérebro é como se fosse um interminável episódio de Tom & Jerry, enquanto o seu approach para o humor faz com que ‘Esqueceram de Mim’ seja bem sutil. Então, qual foi a maior loucura que ele já fez?

 

“Bem, estávamos em Los Angeles, no Chateau Marmont Hotel durante uns seis meses, gravando um novo álbum, e o baterista daquela banda inglesa, velha e ranzinza, Radiohead se mudou para o quarto do lado, por uns dias. Estávamos dando uma festa no meu quarto, nos divertindo, com o som ligado, bebendo e tudo o mais. Então, eu vejo esse cara entrando no meu quarto com um roupão. E eu, ‘mas que porra é essa?’ Quem é que está no meu quarto?’ E meus amigos dizendo, ‘é o cara do quarto do lado’ – ele me disse para baixar o volume do rádio. E eu, ‘é mesmo?’, o rádio estava ligado na hora.”

 

Coitado...

 

“Eu saí e consegui uma corda e fiz um nó de marinheiro na maçaneta da porta dele. Então, fui até um corrimão do outro lado do corredor e amarrei ali também, bem forte. De manhã, quando ele tentava sair do quarto dele para ir até o show da banda no Coachella, ele teve que chamar os seguranças para abrirem a porta para ele.”

 

Percebemos que nossa mão está chegando cada vez mais perto do botão de alarme. Tré ri, “há há há!” Sua risada soa como os portões do inferno abrindo e Satã fazendo com que seus pequenos demônios se apoderem de você. Estamos morrendo de medo, produção! Produção!!! “Ele começou a gritar, ‘Me deixa sair daqui! Eu vou contar para o Thom (Yorke)’ E eu dizia, ‘Cara, se você entra num quarto cheio de gostosas o lance é, Opa. E aí? Não é?” Há há há.”

 

E se esse incidente não for o bastante para você, tem aquele com o anel de pênis e o jornalista de rock.

 

“Cara, ele ficou puto!” Tré contou para a Record Collector. “Ele teve um pouco das minhas bolas nas mãos dele. Eu estava com um daqueles anéis no pau, todo suado e deixei na mão dele e disse, “eu estava usando esse aí há horas,” Ele disse, “Euuurgh, seu filho-da-puta!” E saiu correndo para lavar as mãos.”

 

Ugh... E por que você faria isso? Que mancada!

 

“Ele era um otário – Por isso fiz isso com ele.”

 

Esse pensamento puramente infantil e sincero é a marca registrada de nosso herói. Ele é um cara que não tem tempo à perder com poucas coisas ou pretensões: ele diz as coisas como são e que se fodam as conseqüências. Tré, sobre sexo: “Ás vezes você se masturba tanto que acaba com umas bolas pretas no pau. Você pega meio que um joanete no pau.” Sobre bebidas: “A noite de anteontem nós estávamos bebendo mais do que a gente agüentava para ver se conseguíamos mijar da janela em Madrid. Os taxistas colocavam as mãos para fora e falavam, “está chovendo?” Sobre drogas: “O que você tem que fazer é, pegar o cereal matinal antes de sair e encher de cocaína em cima. Você fica absolutamente louco e o cereal vai sair de você antes mesmo de você chegar até á porta, afinal de contas o cereal tem tudo o que é necessário para tirar do caminho qualquer coisa presa em seu cólon. Sou um expert em cu.”

 

E então, suas opiniões sobre os companheiros pop-punk do Green Day. “Nós conhecemos os caras do Sum 41 e do Blink,” ele diz. “Eles são uns caras legais. Vendem muitos discos, mas parecem umas boy bands. São bem polidos. São como uma pílula de fácil digestão para muitos garotos, mas pelo menos faz com que esses garotos se interessem por músicas que contém guitarras. É sempre bom ter alguma coisa que leve esses garotos para o lado negro, certo?”

 

E ainda não acabamos, falta muito. Sobre maconha: “Deveriam legalizá-la. Agora! Agora!” Sobre(...)

 

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Green Hair Day: Cool e sua gangue num role em ’94.

 

“AINDA ESTOU TENTANDO TIRAR O SANGUE DA MINHA FANTASIA DE PALHAÇO!” – Tré relembra a perda de uma de suas bolas.

 

 

Página 16:

 

Norfolk, Virgínia ganha uma dose de TC em Abril deste ano.

 

Foto: Tré recebeu a notícia que agora fazia parte do Green Day de uma maneira mais ou menos...

 

 

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“EU AMADURECI TALVEZ, MAS NÃO CRESCI” – Tré fala sobre idade.

 

Guardem suas cadelas, pois o leiteiro de cachorras chegou.

 

Foto 1: Minutos depois as páginas estão todas grudadas.

 

(...) Leis e Ordem: “Você consegue se imaginar em um julgamento na Inglaterra? Ser condenado por alguém com uma peruca ridícula? Eles costumavam te jogar na água se achavam que você era uma bruxa! Que se foda!” Ah, e mais uma coisinha sobre sexo: “Tenho uma paixão homossexual por adolescentes.” Sublime.

 

Então, bem, isso pode dar á vocês uma idéia do que estamos lidando aqui. Entretanto, deixando de lado sua raiva e vontade de encarcerar nobres do Brit-rock, tirando da cabeça imediatamente a imagem de um anel de pênis todo suado e deixando de lado suas opiniões sobre sexo, drogas, bebidas e o bizarro, fantasias negras para analisar um novo dia, o que queremos saber, de verdade, é como que Tré entrou para o Green Day, em primeiro lugar? Afinal de contas, a banda já havia feito um álbum e vários Eps, bem antes dele sentar no banco de bateria. Tré escolhe a estória.

 

“Eu comecei a tocar punk rock quando eu tinha 11 anos de idade. Foi quando eu entrei na minha primeira banda, The Lookouts. Os outros dois da banda tinham 38 e 16 anos e iam começar a fazer o seu primeiro álbum. Precisavam demais de um baterista, pois a última baterista da banda havia acabado de se mudar para o Brasil e o guitarrista ficou com sua bateria. E eu, ‘Hey, me deixa tentar!’ Então, imediatamente o guitarrista pega meu ximbau e coloca longe por que eu estava era destruindo ele. Eu tive que tocar punk rock rápido, logo de cara. Foi assim que eu comecei a tocar.” (O guitarrista de 38 anos de idade é ninguém menos que Lawrence Livermore, que fala sobre o gênio Tré Cool na matéria “The Early Days”, começando na página 122).

 

“Eu cheguei em casa e contei para o meu pai, ‘Yeah, vou ser um baterista.’ Ele disse, ‘bem, se você consegue esfregar sua barriga enquanto dá uns tapas na própria cabeça, ao mesmo tempo que você pula pra cima e prá baixo em uma perna e conseguindo chutar uma pele redonda com a outra e dizendo a “Pledge Of Allegiance...’ E então, tudo o que eu fiz foi BAM! Sabe?”

 

E é neste ponto que o caos começa a reinar. Damos um tempo para os caras do telhado descansarem um pouco e soltarem as cordas. “Bateria começou a ser a única coisa com a qual eu me interessava,” ele diz. “A escola estava uma merda. Eu era um aluno horrível, muito brincalhão e que não prestava atenção em nada. Mas, eu gostava de bandas. Eu queria era fazer parte de uma banda. Eu gostava de como as bandas apareciam em premiações, com aqueles ternos brilhantes. Eu queria praticar bastante e conseguir chegar num nível bom. Quando você é um garoto esse tipo de coisa impressiona demais.”

 

Ouvir tré falando de baterias é como ler os textos de Lord Byron falando de amor e fazendo com que ele fale disso, faz com que apareça algo em Tré que é quase tão legal quanto composto. Tré ama bateria e, bem vamos ao que interessa – Tré Cool é um baterista bom prá caralho. Você não chega nesse ponto sendo um maníaco 24 horas por dia e você não aprende a fazer o que ele faz se fica brincando o dia todo. Á partir do momento que descobriu a bateria, Tré achou seu amor, seu nicho, seu romance. Ele praticava com a intensidade que o cachorro avança em um osso suculento.

 

“Eu costumava chegar lá e tocar com eles (Livermore e o baixista Kain Kong),” ele diz. “Eu não sabia o que eu estava fazendo, eles tocavam punk rock e então eu apenas fazia a batida. O guitarrista guardou meu ximbau num guarda-roupas. Ele não queria que eu exagerasse. Daquele momento em diante eu só tocava punk e queria tocar cada vez mais rápido, preciso e melhor.”

 

“Eu queria ser como o cara do Duran Duran,” ele lembra. “Eu só ouvia punk, o dia todo e eu comecei a prestar atenção no que os bateristas estavam fazendo. Eu não tive a minha bateria até que meu pai tivesse me dado uma Pearl, quando eu fiz 13 anos de idade, então, eu consegui um walk-man e ficava tocando músicas das bandas The Cars, Led Zeppelin, AC/DC.” Ele ri. “Tocar junto com um disco do AC/DC é a melhor maneira de se aprender a tocar rock! São as baterias mais fáceis do mundo e elas fazem você se sentir o dono do mundo, logo de cara!”

 

Sob a tutela de Livermore e o desejo de “ser o melhor baterista do mundo”, Tré ficou bom em menos tempo do que esperava. Não tão tarde, os novos Lookouts já estavam tocando no Gilman Street e foi lá que Tré conheceu o Green Day. “Eu achava o Mike engraçado,” ele contou para a revista Live. “Ele me enchia de drogas. A gente fumava maconha juntos, bebíamos cervejas, nos divertíamos.” As novas amizades dele no Gilman ainda renderam alguns conselhos para o então baterista do GD, John Kiffmeyer (Al Sobrante).

 

“Eu era amigo do baterista da banda deles,” ele diz. “Embora ele fosse bem mais velho do que eu. Ele é canhoto e tocava todo engraçado, como o bumbo no pé direito e o ximbau do lado esquerdo e ele errava aquelas coisas fáceis, tocando umas levadas e batidas que aprecia que alguém caía da escada.”

 

Quando Sobrante saiu da banda para entrar na faculdade, Billie Joe e Mike sabiam quem é que iria cobrir o lugar do antigo baterista. E então, lá vem Tré, um cara que passou a vida toda tendo decisões erradas. (“Me jogar nessa pilha de vidros ou não me jogar nesta pilha de vidros, eis a questão”), mas que, no momento, fez a decisão mais acertada de toda sua vida. E o Green Day como conhecemos hoje, estava ali.

 

“Al ainda recebe uma grana pelo primeiro álbum,” diz Tré, “e acho que hoje ele conserta bicicletas ou algo do tipo. Sou Tré Cool! Não vou desistir de algo como isso, sabe? Ser um baterista me fez chegar aonde cheguei, então serei um até o dia em que eu morrer. Quando eu morrer, irão me enterrar em um caixão de metal - com rodas”.

 

Você acha que, quanto mais vai ficando velho, está amolecendo um pouco? Crescendo?

 

“Aw, porra, claro que não!” Ele grita. “Amadureci, talvez, mas não cresci. Ainda não tenho um corpo peludo. Ainda sou a cobaia se jogam drogas novas no palco. Então, eu poderia dizer que cresci um pouco por que, ao invés de andar sobre uma pilha de vidros e dizer “Oh, uma pilha de vidros! Crash!!!” Eu direi, “Espera um minuto! Bem, seu eu pular nessa pilha de vidros eu vou me cortar todo e vou ter que passar a noite no hospital.”

 

O que entendemos disto é que, apesar das explosões de caos, os dias de caos 24 horas de Tré estão ficando para trás. Liberamos nossos seguranças e eles vão assistir um colega meu da Hammer entrevistar Casey Chaos do outro lado da cidade. Desligamos nosso botão de pânico ao mesmo tempo em que passamos a mão em nossas testas suadas e com uma expressão de alívio. “Tem sido um prazer falar com você Tré – Obrigado pela oportunidade,” nós dizemos ao mesmo tempo em que esticamos nossas mãos em sinal de gratidão.

 

Tré pega nossa mão e coloca a palma da sua contra a nossa e é nesse exato momento que percebemos a terrível conseqüência de nossas ações. Sentimos o suor quente e grudento de um objeto de alumínio cilíndrico em nossas mãos enquanto Tré se vai, já longe.

 

“Sou o melhor baterista de rock n’ roll do mundo e você é um merda!” Ele diz, enquanto sai à procura de gasolina e fósforos, rindo... Há há há.

 

Euuurgh, seu filho-da-puta!

 

Por: Tércio Testa.