Kerrang

Após anos de Green Day nas páginas da Kerrang!, não posso acreditar que finalmente eles ediram para que editássemos uma edição! Nós somos tão bons nisto que estamos pensando em mudar de emprego. Sério agora, é uma honra para nós fazer parte da melhor editora de Rock N' Roll do planeta.

Queremos aproveitar a chance para agradecê-los por há mais de 16 anos, serem os melhores fãs que uma banda pode ter!

Esperamos que você goste desta edição. Trabalhamos muito nela e esperamos que você ache todas as bandas que estão aqui e que são tão próximas e queridas da gente, tão excitantes quanto nós também as achamos.

Obrigado!

Billie Joe
Mike Dirnt
Tré Cool

NO TOPO DO MUNDO

Com mais de 40 milhões de álbuns vendidos, o Green Day é agora a maior banda de punk rock de todos os tempos. Seus shows no Milton Keynes Bowl neste final de semana serão vistos por cerca de 120 mil pessoas. A Kerrang! encontrou-se com os mega-stars no Canadá para um bate-papo sobre o maior show da Terra...

Existem poucos outros barulhos que são mais assustadores de se ouvir na estéril sala de espera da alfândega de um aeroporto internacional do que de um oficial estalando aquelas luvas de latex em suas mãos. Assim que o mesmo começa a verificar nossos pertences (e não - pelo menos - nossas cavidades mais pessoais), nós explicamos pela terceira vez a nossa razão de estarmos no Canadá.

"Então, vocês estão aqui para encontrar uma banda?" eles repetem com um olhar como se alguém estivesse escrito "Sou um terrorista internacional" em nossas testas enquanto dormíamos. "E eles não vão tocar na Inglaterra?" Na verdade, sim. Irão tocar dois shows enormes no Milton Keynes Bowl para cerca de 120.000 pessoas. "Então, por favor, diga-me de novo o porque de querer vê-los em Winnipeg?" Porque a banda que viemos ver é o Green Day e exatamente agora eles... "Vocês estão aqui para ver o Green Day, é?," ele interrompe como se soubesse do que falava. "Ah, isso é um pouco mais claro... Acho que todo mundo hoje em dia quer ver o Green Day, certo?" E nossa última resposta é, claro... Correto. Hoje, o Green Day é a maior banda do planeta e seu ingresso é o mais procurado da noite de Winnipeg. Há dez anos atrás os catapultou do obscuro mundo do underground para o clima mais ensolarado e lucrativo do rock mainstream. O sucesso fenomenal de "American Idiot" fez com que o trio ficasse ainda mais encravado na consciência das pessoas. O Green Day não é apenas mais uma banda punk que conseguiu atingir o sucesso. Hoje, Green Day é o nome de artistas autênticos e de grade força para se perder.

"Obrigado pela sua cooperação," nós ouvimos assim que somos autorizados a colocar nossos sapatos de volta. "E aproveiteam a banda! Ouvi dizer que eles estão dando um belo de um show!"

Em 21 de Dezembro de 1991, uma banda pouco conhecida de Berkeley, Califórnia, fez um show no clube de ônibus da cidade de Wigan, o The Den (e não o The Cricketer, como dito antes). Alguns 14 anos e mais de 40 milhões de álbuns vendidos, a mesma banda é encaminhada á suite Queen no Fairmont Hotel em Winnipeg (uma suíte que na verdade foi
habitada pela banda Queen, sem falar no velho roqueiro Rod Stewart) e seu vocalista - Billie Joe Armstrong - está reclamando que a noite já se foi. O show foi notável, não apenas por ter sido um dos primeiros shows da banda na Inglaterra, mas também, por ter sido quatro dias antes do Natal e a banda decidiu se divertir um pouco, fazendo sua
própria versão da Natividade no palco, sendo Billie Joe um dos esquizofrênicos Três Punks Mágicos, Mike Dirnt foi Papai Noel e um nascimento bem de mal gosto com Tré Cool fazendo Virgem Maria, um roadie sendo Jesus e uma sacola de pó de arroz com ketchup sendo a
placenta sagrada.

"Considerando que isto foi há muitos anos atrás, o show foi interessante," diz Armstrong pensativo enquanto dá um gole em sua garrafa de Dasani - A marca de água da Coca-Cola que foi banida da Inglaterra por conter um alto nível de bromato químico causador de câncer. "Eu tenho fotos daquele dia e existe um vídeo por aí, todo mundo nos ameaça enviar uma cópia." "Estou louco de vontade de ver aquilo," diz Dirnt. "Foi muito... Criativo."

Vocês querem montar um show bem teatral assim que a grana for suficiente?

Armstrong: "Você pensaria no caso, não? Mas acho que foi tudo muito natural para nós. Nós fizemos o Warning: e foi quando nosso set começou a ir para cima e para baixo, como uma montanha-russa. Quando você usa a fumaça e os espelhos com a pirotecnia e os fogos e toda aquela coisa de um grande show de rock, existe um ponto de ambivalência onde você deve
considerar se faz sentido naquilo que você se propôs a fazer, mas cresceu tudo muito organicamente. Tudo cabe e dá certo com o que fazemos agora."

Você sente falta dos dias em que apenas subiria em uma van e nãopoderia esperar pelo próximo buraco onde ia se enfiar?

Armstrong: "Muitas bandas iriam dizer que preferem afzer shows menores, mas na boa, tocar em um estádio também não é nada mal."
Cool: "Bem, sem soar como um idiota agora, mas agora temos uma responsabilidade em tocar para as pessoas. ouviram dizer que somos uma boa banda rock e se você agenda um show de 12 mil lugares que se esvaziam em meia hora, bem, estamos fazendo a coisa certa."

E vocês têm as datas do Milton Keynes chegando por aí. 60 mil pessoas por noite e em dois shows... Isso é enorme.

"Enorme prá caralho," ri Dirnt. "Assim, você é uma banda grande, quando é grande na Inglaterra porque, veja, vocês eram donos do rock n' roll por tanto tempo, por falta de uma melhor palavra, é uma honra."

ONTEM WIGAN, amanhã o mundo ou ao menos, Milton Keynes. E hoje a noite? Winnipeg. Se você olhar nos guias, não achará muitas coisas sobre Winnipeg. o "Rogh Guide" mostra o "portão para pipas" é conhecido por ter a intereseção mais ventaniosa de qualquer outra cidade do Canadá. Prepare suas pipas e boa volta para casa.

Então, este show é a maior coisa que já aconteceu na cidade desde... Sempre?

"Em termos de punk-rock sim," diz John E. Bud, um senhor de 44 anos de idade que é proprietário do Hemp Rock Café e do museu da maconha. "Nós temos uma ótima cena local, mas grandes turnês não chegam muitas vezes no centro do Canadá." E o senhor já assistiu ao Green Day antes? "Não... Na última vez que eles vieram, eu estava preso, mas estou
excitado para hoje á noite..." Julgando o tangível senso de excitação que ronda o squat, o conhecido MTS Centre (casa dos Manitoba Moose, o time do hockey da cidade) todo mundo está ancioso para hoje á noite.

"O Dookie foi o primeiro álbum que eu tive da banda e as músicas fora as primeiras que eu tirei na guitarra," diz Jacki, uma residente de Winnipeg de 22 anos de idade. "Estou tão feliz que eles tocarão aqui, geralmente quando você quer ver uma banda, tem que ir á Toronto," diz Olivia, de 16 anos, que estava no primário quando o Green Day estourou.

E, olhando para as listagens da casa de show, você tem que ter um pouco de simpatia para os habitantes deste squat, uma grande cidade. Entre agora e Outubro, os únicos shows de rock que roalarão são os vagos Avril Lavigne e uma banda tributo ao The Doors. De outra forma, é um crooner (vocalista apenas, igual á Tony Bennet e Frank Sinatra) chamado Canuck, uma moça chamada Jann Arden e George Jones, estrela country. "Nossa teoria foi sempre tocar em qualquer lugar e em todo lugar," diz Tré, que hoje é o caso de Winnipeg.

Após um asombroso set da banda My Chemical Romance, uma banda que está focada em se tornar a cada polegada uma banda rock star, o delírio começa a se criar. Não é comum se ver uma reação tão grande com um coelho rosa dançando "YMCA" e "Blitzkrieg Bop" dos Ramones, mas nada se compara ao estrago que Billie Joe, Mike Dirnt e Tré Cool causam
quando tocam os primeiros acordes de "American Idiot".

"Quero ouví-los cantar tão alto que todos os caipiras malditos da América irão escutar vocês," Armstrong lidera e a platéia responde impecávelmente. Durante o set, ele tem a platéia na palma de sua mão com unhas pintadas de preto, mostrando um carisma que nem ao menos se mostrou viável quando a banda começou. Na última década, ele se tornou no maior frontman e o Green Day na Instituição do punk rock. Não existem exageros, mas sim, temos umas explosões e uns fogos saindo do chão que chamam a atenção. O material de "American Idiot", enquanto isso, soa soberbo, feito-á-mão para um evento como este.

"Para nós, foi meio que começarmos do zero e fazer algo que soasse tanto positiva quanto assustadoramente," diz Armstrong. "Nós sentimos que estávamos criando uma nova era para nós."

Vocês tem noção que poderiam ter dado com os burros n'água?

"Sem dúvida. Sabíamos que poderia ser muito bem sucedido ou cairíamos de cara no chão. Nós pegamos a responsabilidade e dissemos, agora é só nos dar nota 0 ou nota 10."

Existe um ponto durante a maioria dos shows do Green Day e provavelmente você já sabe disso, quando eles param a cover de "Knowledge" da Operation Ivy e pegam três fãs da platéia para subir e terminar a música. Isto feito, mostra mais uma vez a habilidade de
comandar um palco que Billie Joe possui. Feito algumas vezes, perde um pouco do impacto que possui. Agora, feito todo show, como se fosse uma rotina da banda, vira aquela coisa que pega: Green Day, aquilo que só eles fazem. E de certa forma, é sobre isso que o Green Day é agora.
Eles não se importam com que jornalistas ou comentaristas podem pensar. Não estão preocupados em copiar alguns clichés de shows de estádio ou criar seus próprios. Somente se importam com o show e seus fãs. Como parte do pacote ao vivo do show de punk rock, "Knowledge" continua sendo a parte teatral mais interessante do show do Green Day
e com relação aos fãs... Bem, ponha-se no seu lugar e tente imaginar como isso deve ser.

"Eu gosto de fazer isso toda noite para ver a reação no rosto deles toda noite," Armstrong sorri. "Fazer eles subirem e dizer, olha lá, quanto gente olhando para você agora." Em Milton Keynes, haverá um garota ou garota que tocará para 60.000 pessoas. "Como um veadinho em destaque!" Complementa Tré.

E você se lembram de serem fãs também?

"Mas com certeza," diz Billie. "É claro que, existe um ponto onde você fica cansado de fazer isso noite após noite, uma atrás da outra, mas não existe outro lugar onde eu gostaria de estar. Quando eu era um moleque tocando guitarra no ar com meus braços ouvindo meus álbuns favoritos, eu nunca poderia imaginar que fosse fazer isto de verdade
para tanta gente ver."

O fato de Billie Joe se encontrar em tal posição é o testamento de muitas coisas, não obstante o fato do Green Day sempre trabalhar um pouco mais do que outras bandas, se recusando a aceitar o que os críticos, o público e até mesmo os seus mais genuínos fãs tenham preparado para eles. Mas com certeza, mesmo depois de todo este sucesso, a pressão de tocar no Milton Keynes não mete medo?

"Mete medo mas é excitante ao mesmo tempo," diz Armstrong sorrindo e tomando mais um gole de água enquanto anda em direção ao palco. "Se eu não achasse que a gente pertence áquele lugar, aquilo não existiria.
Tudo o que fazemos hoje se encontra com o que somos e com o que queremos e eu nunca estive tão feliz com essa banda do que há 16 anos que estamos juntos."

Bem-Vindo á Selva!

Quando o Green Day lançou Dookie em 1994, ele afundou sem rastros. Foi preciso uma revolução em alta-escala para que as pessoas percebessem a banda...

Para Billie Joe Armstrong, o aniversário de 25 anos de Woodstock deixou de ser um festival de culto á paz, amor e entendimento no momento em que ele viu Mike Dirnt cuspir 3 dentes, além de uma poça de sangue de sua boca. Um segurança derrubou o baixista e sua face suada, cheia de lama e baqueada se colidiu com uma caixa de retorno. Jogando sua guitarra no chão, Armstrong voou em cima do segurança para salvar seu amigo e o que receberam foi uma termenda chuva de socos. Como uma banda punk-rock, a idéia de tocar no Woodstock 2, uma falsa celebração á nostalgia do festival hippie original, sempre foi uma piada. Mas agora, esta piada não parece nem um pouco engraçada.

Na verdade, o Woodstock 2, que aconteceu no fim-de-semana dos dias 12 - 14 de Agosto de 1994, foi anarquizado antes mesmo do Green Day (literalmente ) entrar no palco. Uma chuva torrencial transformou a fazenda Winston de 834 acres em Saugarties, Nova Iorque em uma piscina de lama. As instalações para atender cerca das 250.000 pessoas que pagaram US$ 153,00 eram mais do que inadequadas, o preço de comida e bebida era algo simplesmente absurdo e cerca de 100 pessoas por hora chegavam nas instalações hospitalares com tornozelos torcidos, hipotermia ou ambos. Olhando pelo vidro fumê da Limosine que levava sua banda ao local do show - uma inesperada conseqüência para sua banda, já que as vendas do terceiro álbum Dookie passavam as 500.000 cópias - Billie Joe Armstrong de 22 anos de idade, observava as pessoas nadando na lama com uma face incrédula e horrorizada.

"Isto foi o mais próximo do caos que eu já vi em toda a minha vida," ele revelaria mais tarde. "Eu vi policiais jogando fora seus distintivos e dizendo 'Eu não posso mais fazer isto!'. Tecnicamente, foi um desastre humano." Devido ás circunstâncias, a decisão do Green Day de abrir seu set com a canção "Welcome To Paradise" foi simplesmente inapropriada, Billie Joe Armstrong se deliciava em atiçar a platéia com o primeiro verso: "Querida mãe, você consegue me ouvir chorar?"

A partir daí foi o caos. A platéia começou a atirar lama no palco. Armstrong baixou as calças. "Isso seus cuzões! Joguem mais! Olhem para mim, eu sou um cuzão!" Assim que a lama chovia do céu, o time de segurança tomou conta dos lados do palco. Vendo barreiras desprotegidas, garotos subiam no palco para invadir. Seguranças começaram a jogar garotas do palco segurando-as pelos cabelos. E foi quando Mike Dirnt interrompeu para dar uma pequena palavra. E foi quando ele acabou se chocando como monitor de retorno. E foi quando o set do Green Day chegou á um abrupto e violento final.


A banda foi escoltada para fora do palco e foram avisados para deixarem o local para sua própria proteção. Mas, sua performance foi o assunto do festival. E ao redor de todos os EUA, milhões de pessoas de pessoas notaram mentalmente a banda e seu visual estranho de cabelos verdes e azuis para a próxima vez que fossem em uma loja de discos. Mas não foi todo mundo que se impressionou, no entanto. Quando Armstrong chegou em casa, havia uma carta de sua mãe esperando por ele. A Sra. Armstrong com certeza ouviu seu filho "chorando" na televisão e ficou enojada. Sua performance, ela falou, foi "desrespeitosa" e "indecente" e, se seu pai ainda estivesse vivo, ele teria sentido vergonha do que aconteceu. Os pais nunca entenderam o punk-rock.

"EU ESCREVO MUITO SOBRE SER UM PERDEDOR PORQUE FUI CONDICIONADO Á PENSAR DESTA FORMA." - Billie Joe Armstrong

Em 16 de Fevereiro de 1989, um dia antes de seu aniversário de 18 anos e uma semana antes de sua banda lançar o primeiro álbum 1.039/Smoothed Out Slappy Hours (Também conhecido como 39/Smooth), Armstrong decidiu sair da Pinole Valley High School. Tudo o que ele precisava era da assinatura de seus professores. Um deles, na verdade quando o viu disse "Quem é você?".

Armstrong não poderia dar a mínima. Ele tinha sua própria maneira de aprender. Um prédio garagem em Berkeley, Califórnia, na Rua Gilman, 924 era a segunda casa de Billie Joe. Aberta em 1986 por Tim Yohannon, o fundador do zine militante "MaximumRock'N'Roll" o clube é uma casa de shows para bandas underground sem fins-lucrativos e para todas as idades. Junto de seu colega de classe em Pinole, Mike Pritchard (Que logo se tornaria Mike Dirnt), Armstrong viajaria para lá todo fim de semana, através de sua cidade, que tem a principal fábrica de refinaria de óleo, implorando para serem aceitos. Dirnt e Armstrong já eram familiares com punk rock. No Gilman Street, eles viam isto virar realidade.

Com apenas 15 anos de idade, foram inspirados a começar sua própria banda, Sweet Children.

"Nós tocávamos em todo e qualquer lugar," Billie Joe lembra, "que fosse um bar mitzvah ou no banheiro de alguém. Parte da beleza do punk rock era ver as mesmas bandas dividindo os amplificadores ou até mesmo sete bandas dividindo a mesma bateria que era grudada com silver-tape. Nós tocávamos todos os shows e isso nos fez uma banda melhor."

Uma possível história da banda lembra de uma vez que um show da Sweet Children foi interrompido por um telefonema da mãe de Billie Joe dizendo que o "Sr. Punk Rocker" deveria voltar para casa e terminar seus afazeres. Mas em algum momento de 1988, Sweet Children se tornou GREEN DAY, uma gíria da Bay Area para um dia que você passa fumando maconha e sem fazer mais nada. Dois anos e dúzias de shows em matinês no Gilman Street, o trio, completo pelo baterista Al Sobrante (Também conhecido como John Kiftmeyer) chamou a atenção do fundador da Lookout! Records, Lawrence Livermore que gastou $600 em um fim-de-semana em um estúdio que tornaria "1.039/Smoothed Out Slappy Hours". O álbum soava cru e barato, mas a qualidade das letras e Armstrong sobressaíam através da barata produção. A banda ficou feliz com o resultado. "Nós, na verdade, não poderíamos ter esperança alguma, pois não existiam bandas lá foram que poderiam ter uma chance comercialmente falando," notou Armstrong.

Vamos acelerar dois anos para frente e centenas de shows depois, além da chegada de um novo baterista (A banda escolheu Frank Edwin Wright III - Tré Cool - que era da banda de Livermore, The Lookouts, pouco antes da gravação de seu segundo álbum "Kerplunk"), ali ficou óbvio que a banda estava crescendo e saindo da barreira de heróis locais. "1.039/Smooth" e "Kerplunk" venderam cerca de 30.000 cópias. Em algumas cidades da América, a banda já levava cerca de 2.000 pessoas por show.

Após cinco anos cuidando das coisas por eles mesmos, eles assinaram com a primeira empresa de "management" Elliot Cahn e Jeff Saltzman, que deixou com eles uma nova demo para que pudessem garimpar. Warners, Geffen e Sony estavam entre os selos que gostaram do que ouviram. Enquanto a banda fazia pouco caso e zoava toda a atenção que lhes era dada. Mark Hoppus do Blink 182 lembra de um show no Soma em San Diego quando Billie Joe pediu para que todo mundo gritasse tão alto que fosse possível que o pessoal de RH das gravadoras ouvissem e pensassem que a banda era garantia de retorno. Mas, com certeza, não foram inocentes quando foi a hora de fazer negócio.

"Nós nos seguramos por um bom tempo, na verdade," Tré Cool explica. "Nós queríamos controle criativo completo. Claro, a primeira oferta é um lixo, a segunda um pouco menos, a terceira ainda é um lixo... Nós pensamos, 'Foda-se isso! É nossa vida!'."

O representante da Reprise Records, Rob Cavallo estava finalizando o trabalho com os punk de Orange County The Muffs quando a demo do Green Day foi deixada em suas mãos. Ele voou para Berkeley para conhecer a banda em 1993. "Eu nunca vou me esquecer do que eles disseram, foi tão legal," ele lembra. "Eles me disseram, 'Nós seremos uma ótima banda, não importa o que a Reprise faça pela gente!"

A gravação do debut do Green Day em uma major começou no Fantasy Studio em Berkeley, no final do verão de 1993. Talvez, a banda tenha tido um belo budget da primera vez, mas nem por isso iriam relaxar. Com Armstrong utilizando um amplificador Marshall 100 watts emprestado de Rob, a banda gravou 17 faixas em 19 dias, trabalhando 12 horas por dia para cumprir a agenda. Os vocais de Billie foram completos em dois dias, com várias faixas gravadas apenas em um único "take".

"Dookie", um álbum nomeado com a gíria americana para fezes, foi lançado em 1 de Fevereiro de 1994. O álbum entrou no chart da Billboard em 141? lugar, uma posição que não merecia nem estar nas reviews de canto de página. Cheio de pegada e rios de raiva emocional, "Dookie" era úm álbum punk com um coração pop. Um álbum sobre crescer sem se render á estruturas e pressões sociais. Embora muitas das músicas de Armstrong terem sido escritas sob um ponto de vista de um adolescente sem perspectivas ("EU ESCREVO MUITO SOBRE SER UM PERDEDOR PORQUE FUI CONDICIONADO Á PENSAR DESTA FORMA," ele diz.), uma bela inteligência encontra-se sob a apatia aparente. "Welcome To Paradise", que foi gravada em "Kerplunk" originalmente, celebrava os desejos dúbios de um hotel recém construído na West 7 em Oakland, Califórnia, que Armstrong chamou de casa quando deixou a casa de seus pais. "Longview" era um hino em homenagem á masturbação, maconha e televisão o dia todo. "Pulling Teeth" e "She" eram músicas de amor azedas, cheias de imagem de violência e desespero.

O primeiro single de Dookie foi "Longview". O vídeo para a canção, filmado no porão da casa que Armstrong dividia com Cool, suas namoradas e mais três pessoas na Ashby com a Telegraph Avenue em Berkeley, via Billie destruindo a sala onde ele mesmo havia escrito a canção. Em Maio, gráças á trasmissões incessantes da MTV, a música subia ao 30o lugar da Parada Us Top.

A histeria Green Day veio com novos problemas. Dois dias antes da banda tocar no Woodstock 2, em um show no Lakewood Amphiteatre em Atlanta, Georgia, Billie Joe perguntou para a platéia, como sempre, pessoas que ficam atrás e não comparecem aos assentos da frente, que viessem para a frente do palco durante "Welcome To Paradise". Na corrida frenética até o palco, uma segurança feminina teve seu braço quebrado. Com a ameaça de processo pairando sobre suas cabeças, a banda voou até Woodstock prometendo se comportar da melhor maneira possível.

Após o final de Woodstock 2, as vendas de Dookie foram á estratosfera, passando da marca de milhões de venda em semanas. Um segundo single do álbum, Basket Case, chegou ao topo do Modern Rock Charts da Billboard em Agosto e ficou assim por cinco semanas. O trio estava rapidamente se tornando um fenômeno. O Green Day foi agendado para tocar em um show beneficente em 9 de Setembro no Hatch Shell em Boston, um auditório ao ar livre do teatro Charles River. Os organizadors esperavam 5.000 pessoas. Mas, a quantidade que apareceu era 10 vezes a esperada.

O Green Day começou o show, como sempre, com "Welcome To Paradise", causando mosh-pits que se cortavam pela platéia. Para aqueles que não eram familiares com a etiqueta punk rock, a dança hiper-física suspeitou agressão corporal e a polícia de Boston decidiu puxar o fio da tomada. E não foi uma decisão muito certa. Inicialmente, levados pelo o que viram em Woodstock, a platéia jogou lama: dentro de minutos, a platéia estava jogando garrafas, latas, latas de lixo ou qualquer coisa que encontrassem pela frente. Assim que uma confusão generalizada ameaçava entrar em erupção, a banda saiu de helicóptero do local. Batalhões de policiais compareceram e levaram muitos fãs presos.

Sentado em um hotel de Boston naquela noite, Armstrong e sua esposa há dois meses, Adrienne, viram a confusão se desenrolar em um programa de televisão. "Quem é este Green Day?" o jornalista solenemente proclamou. "Esta banda punk que veio dos lados errados." Os recém-casados podiam apenas se olhar e rir de tudo. "Aquilo foi muito engraçado de assistir," ele lembra. "Tipo, Caralho!"

Um ano que começou com a banda tocando na cozinha da casa de um amigo na Califórnia, terminou com um show da banda no Madison Square Garden para cerca de 20.000 pessoas no dia 5 de Dezembro. Dookie já havia vendido cerca de 15 milhões de álbuns no mundo todo. Muitos executivos do mundo da música viam o álbum como uma aberração da era pós-Cobain e um voto incerto no punk rock.

"American Idiot" já fez muito para calar todos estes argumentos. Um álbum-conceito cronicamente ironizando a "alienação e desilusão do cidadão americano sob a admnistração de Bush," está atualmente na reta para ultrapassar "Dookie" como o ponto mais alto da banda artística e comercialmente. Ganhando o prêmio de melhor álbum de rock no Grammy das mãos de Quentin Tarantino no dia 13 de Fevereiro deste ano (16 anos após ter deixado a escola), Armstrong comentou, "O Rock N' Roll pode ser divertido e perigoso ao mesmo tempo."

Qualquer pessoa com lembranças dos shows do Woodstock e Hatch Shell, sabem muito bem do que ele estava falando.

A MEMÓRIA AINDA PERSISTE...

Green Day: Uma vida, nas capas da Kerrang!

Maio de 1995

Aproveitando sua grande leva pós-Dookie, a banda não falava com a Kerrang!
(Na verdade, nós nem escrevíamos sobre punk naquela época), então, nossa matéria de capa foi simplesmente um artigo sobre suas conquistas até então.
"Quem é o Green Day?" bradava a manchete. "Eles vêm da Califórnia e são em três!" o texto dizia. Er, muito obrigado por isto. Outro destaque foi uma entrevista com um garoto que disse os ter visto tocar em Wigan. Clássico.

Comentário-Chave: "Dookie vai enfrentar a briga do tempo..." Pelo menos nisso nós acertamos.

Janeiro de 1996

A entrevista da era "Insomniac" agora continha revelação interessantes sobre o passado mental de Billie Joe e o clima ficou ainda mais pesado quando dissemos que a arte de Insoniac nos lembrava de Kurt Cobain e Courtney love.
"Isto tudo é ridículo!," Billie brigou. "Se você acredita nisto, é ainda mais idiota do que eu imaginava..." Continuando...

Comentário-Chave: "Nós nos divertimos no palco. Não vou ser um idiota que nem os otários dos Smashing Pumpkins." - Billie Joe.

Abril de 1996

Em Brisbane para promover seu novo single, "Brain Stew", um Billie Joe cansado conversou sobre as éticas do punk e a morte de Kurt Cobain, enquanto Tré andava pela sala derubando pó de café no chão. O Green Day agora era enormemente bem sucedido e ricos, mas eles pareciam não estar se divertindo muito. "O novo 'nascimento' do punk rock é uma grande merda'.", Billie aponta.

Comentário-Chave: "Nós nunca tocamos punk rock para ficarmos famosos. Quando começamos, era fato que esse tipo de música não poderia ser popular." - Billie Joe.

Outubro de 1997

Isso foi bem assim. Em Londres para o lançamento de "Nimrod" um bem-humorado Tré cumprimenta a K! dizendo que ele acabava de ter uma enorme ... Seguida por uma conversa bem infantil sobre groupies, meias no pau e masturbação com martelos. "Teve uma vez que eu bati punheta três vezes em meia hora,"
explicou Billie, ajudando o comentário antes de dizer que Mike Dirnt parecia uma "puta de bar", enquanto o Tré parecia mais um "ruivo adotado".

Comentário-Chave: "A meia é uma camisinha pessoal muito interessante. Ás vezes você se masturba tanto que fica com a cabeça do pau preta, que nem pau de atletas." - Tré.

Janeiro de 1998.

Com "Time Of Your Life" subindo nas paradas, uma Green Day mais calmo se encontrou com a K! em San Francisco e falou sobre sua infância pobre. O tópico da discussão acabou sendo o "Prodigy" que acabava de conquistar o primeiro lugar das paradas com o álbum "The Fat Of The Land". "Tecno era uma merda antes e é uma merda agora," disse Tré sem noção.

Comentário-Chave: "Se eu começo algo, tenho certeza de terminá-lo. Se eu tomo drogas, faço com que uma pilha de anfetaminas sumam até a noite acabar.
Se eu bebo, bem... Eu continuo bebendo..." - Billie Joe.

Julho de 2000.

Com um protesto em massa rolando na rua, o Green Day nos levou ao estúdio onde estavam alocados para nos mostrar algumas faixas de seu novo álbum, ainda em fase de mixagem, "Warning'. ("Minority" soava como uma paulada, nós escrevemos). Billie Joe admitiu ter uns sentimentos meio que "fim-do-mundo", um sentimento de uma escuridão interminável. "Tenho me sentido ansioso," ele diz. Não é a primeira vez que você pergunta se ele está bem.

Comentário-Chave: "Warning? os fãs podem esperar orgasmos múltiplos e vão gozar pelas orelhas." - Tré.

Outubro de 2000.

K! grudou durante três dias na banda enquanto rodavam Londres promovendo o single "Minority". Uma das atividades mais estranhas foi dividir cumprimentos com o astro da TV infantil Andi Peters e tocar para uma audiência em estúdio para participantes do "Big-Brother" e nerds da Z-list.
Estranhamente, posaram para fotos com o recém contratado segundo guitarrista, Jason White. Billie parece engraçado e um pouco fora de forma aqui, milhas de distância do magrelo Deus do sexo de hoje em dia.

Comentário-Chave: "Eu só dormi duas horas ontem á noite. Uma garota me convidou para uma festa do pijama em seu flat." - Tré.

Outubro de 2001.

O lançamento de "International Superhits" nos deu mais uma chance de encontrar a banda em San Francisco e de relembrar. Mas Billie parecia fadado á seu legado, nem um pouco a fim de falar sobre o in-sucesso comercial de "Warning". Poucos estariam surpresos se a banda tivesse acabado nesta época.
Ninguém poderia imaginar que, três anos depois, eles voltariam ao topo do mundo...

Comentário-Chave: "Pessoas acharam que, após 'Insomniac', nós iríamos sumir.
Mas isso nunca iria acontecer..." - Billie Joe.

Julho de 2002.

O ano de 2002 viu um Green Day mais feliz e mais saudável. Uma tour pelos EUA de 46 shows com a banda Blink-182 (que entrava após no palco em todo
show) fez com que tivessem um poder competitivo maior. "Nós saímos em turnê para tomar de volta o trono com a banda ao vivo mais incrível que existe,"
disse Tré. Missão cumprida e qualquer um que viu algum show, pode lhe dizer isto.

Comentário-Chave: "Uma das principais preocupações que tínhamos era de que o Blink 182 iria desistir da turnê, pois estavam sendo massacrados cruelmente.
Mas sei lá, acho que já estão acostumados com isso." - Mike Dirnt.

Julho de 2004.

Dois anos na K! e nós fomos a primeira revista á escutar "American Idiot" e estava claro que este não era apenas, "mais um álbum do Green Day". Algo extraordinário aconteceu com a banda. havia uma nova energia, um novo fervor político nas veias e canções como "Jesus Of Suburbia" era como nada que já haviam feito no passado. A dominação mundial (pela segunda vez) estva ali, na esquina...

Comentário-Chave: "Nós temos um Presidente que, seu único motivo, é fazer a si e seus amigos ainda mais ricos." - Billie Joe.

Agosto de 2004.

Na semana das suas performances arrebatadoras em "Leeds" e "Reading", a banda olhou fotos antigas da época do "39/Smooth" e fez uma linha até onde estão hoje. "American Idiot" ainda não havia saído, mas o "momento" se criava. No fim-de-semana seguinte, foram os headliners do Festival Leeds/Reading e lembraram á mais de 100.000 pessoas o porque que se apaixonaram pela banda.

Comentário-Chave: "Uma vez passamos três meses ba Europa. Eu peguei 'chato'
na Alemanha."

Janeiro de 2005.

O explosivo sucesso de "American Idiot" resultou em sua entrevista mais engraçada até hoje, falando sobre Evil Knievel, groupies-peixe (hein?) e o mais dfebatido tópico, "o cara mais merda do rock". Sem falar, segundo Tré, "da vez que ficamos bêbados e fizemos sexo oral em nós três." Mike admitiu achar a Mulher-Gato gostosa, Billie falou sobre mijar em sua bagagem e quanto menos falar nas "meias pegajosas" de Tré, melhor...

Comentário-Chave: "Minha mãe tem uma bunda gostosa. Uma bela mãe que eu gostaria de foder." - Billie Joe.

INTERNATIONAL SUPERHITS!

De "Welcome To Paradise" até "Holiday", as estórias não contadas sobre os singles mais amados da banda!

AMERICAN IDIOT

Billie Joe: "Eu me lembro dirigindo até o estúdio um dia enquanto escutava a rádio local. Rolou uma música do Lynyrd Skynyrd e falava sobre o quão orgulhoso ele se sntia em ser um capirira. Não era "Sweet Home Alabama", era alguma outra música e eu berrava no carro "Essa música só não é uma merda, como também não tem nada a ver comigo e me ofende ao mesmo tempo!" E foi assim que surgiu o verso "I'm not a part of a redneck agenda", não sobre Bush, na verdade, mas sobre o Lynyrd Skynyrd."

Mike: "Que é basicamente a mesma coisa..."

Billie Joe: "O Bush não era do Lynyrd Skynyrd? Eu acho que fiquei puto na hora, mas era mais sobreser honesto com meus pontos-de-vista políticos."

Mike: "Eu acho que muita gente se ofendeu com a música, até escutarem o bastante e ver que não estamos apontando o dedo na cara de ninguém. É mais um chamado para individualidade."

LONGVIEW:

Billie Joe: "Cheguei em casa um dia e estávamos morando todos juntos em Richmond, CA e o Mike estava sentado no chão tomando LSD."

Mike: "Que é gerealmente onde você acaba ficando quando toma LSD."

Billie Joe: "Ele estava lá, sentado com o seu baixo e ele começa a dizer, 'nossa cara, olha só essa linha de baixo... Não soa engraçada?' É, na verdade era bem engraçada..."

Mike: "O Tré já tinha criado a batida de bateria e ela estava na minha cabeça, então, fiquei fazendo algo para completar aquilo..."

Tré: "E a batida de bateria veio de um riff que o Billie Joe fez e que nem está na canção."

Billie Joe: "E a letra fala por si só, sobre ser patético, sem namorada, sem vida alguma a não ser puro entretenimento na palma das mãos. A música é totalmente autobiográfica, mas na época eu também escutava muito a canção "Pictures Of Lily" do The Who. Eu sempre gostei de como eles falavam em masturbação nas músicas."

BASKET CASE

Billie Joe: "Algumas pessoas acharam que a letra falava mal e que tomava nossas dores com relação ao grunge, mas não era nada daquilo, se era tomadora de dor, era minha mesmo. A minha intenção era de apenas escrever algo tão bom quanto 'Kiss Me Deadly' do Generation X, mas apareceu então 'Basket Case' no lugar. A música ainda me lembra muito de Ashby House. Era a casa onde morávamos na época em Berkeley e o vídeo de Longview foi filmado lá. Nós ficávamos tocando essa música na casa. Nós três naquela pequena sala e nossos vizinhos ficavam putos, porque a gente tocava ela umas cinco vezes seguidas."

Tré: "E o prédio onde morávamos está tombado hoje em dia, por acaso..."

MINORITY

Billie Joe: "Essa apareceu no momento em que estávamos ficando um pouco mais políticos e o refrão praticamente se escreveu sozinho. Fala apenas sobre você manter sua individualidade. O resto das letras eu peguei da "Pledge Of Allegiance" e virei um pouco de ponta-cabeça, 'one nation under dog' e coisas assim. É a música mais engraçada de tocar ao vivo porque ela tem aquela levada que tem um enorme suingue, uma batida boa e toda vez que a gente toca, parece que o chão vai abrir no meio!"

Mike: "Tem aquele sentimento meio Irlandês nela. Eu me lembro que, antes do Warning sair, eu toquei ela algumas vezes pros caras do Flogging Molly e do Dropkick Murphys e eles diziam, 'Muito obrigado!!!'."

JESUS OF SUBURBIA

Billie Joe: "Oh Deus... Qual parte? Nós já pensávamos em fazer algo do tipo há muito tempo atrás, só que demorou muito para escrevermos esta canção, apenas escolhendo as idéias. O personagem de 'Jesus Of Suburbia' segue de 'American Idiot' e para mim, tocar essa música ao vivo, é simplesmente impressionante. Eu acho que poderiam olhar para ela como uma 'Bohemian Rhapsody', por exemplo. É uma canção épica e os dois primeiros versos são as letras que mais me impressionam até hoje e que mais me afetaram até hoje.

Mike: "Foi meio que uma viagem no começo. A idéia não era fazer uma canção com várias partes, mas ela foi crescendo e deu no que deu. Chegou um ponto em que dissemos se queríamos mesmo fazer a música deste jeito, mas as partes em si saíram naturalmente, com a banda tocando e ensaiando as idéias como sempre fizemos."

WELCOME TO PARADISE

Billie Joe: "Eu vivia no Oeste de Oakland na época e foi a primeira vez que eu fiquei fora da cidade, fora da casa dos meus pais e eu tentei capturar aquele sentimento. Dava medo, mas você chegava á conclusão de que isso fazia você crescer como um indivíduo. Nós ensaiamos ela apenas uma semana antes de, na verdade, gravarmos ela no 'Kerplunk' e nós tocamos ela ao vivo tantas vezes que já queríamos deixar ela soando de um jeito. Ela era maior e mais cheia e ela se encaixou bem com o material que estávamos escrevendo para o 'Dookie', então a gravamos e com certeza fizemos um melhor trabalho da segunda vez."

BRAIN STEW

Billie Joe: "Nessa música eu sempre fico pensando em como a guitarra faz aquele "dhá-dhãn".

Mike: "É, foi uma das coisas de estúdio que fizemos. Nós tínhamos aquele riff, o 'dáh-dhãn' e nós limpamos todo o barulho no meio, então tínhamos tudo sem som algum. Existe meio que um buraco negro entre os acordes de guitarra e a guitarra em si era bem metal. É nossa música metal, nossa música á lá AC/DC."

Tré: "Eu acho que muito dos engenheiros de som quanto entram em um estúdio novo, colocam 'Back In Black' para tocar, porque esse álbum é um guia a ser seguido. É um som completo e forte."

GOOD RIDDANCE (TIME OF YOUR LIFE)

Billie Joe: "Essa música foi escrita sobre uma ex-namorada que foi morar em um outro país para estudar. Eu estava tentando dizer um 'tchau' legal para ela, para olhar á isto com a cabeça levantada. Mas não acho que você sempre consiga olhar para isso de cabeça levantada, então por isso chamei a música de 'Good Riddance..."

Mike: "Ela foi vista como uma despedida da época em que estávamos, mas acho que, na verdade, ela tapou os buracos de algo que fizemos em 'Kerplunk'."

Tré: "Não foi estranho para nós pois quando policiais apareciam em festas que estávamos para terminar com tudo, nós pegávamos os violões e tocávamos ela. Algumas músicas sempre saem muito bem em violões, também."

Mike: "Em uma festa, Tré tocou essa música batendo em panelas e em caixas de papelão, também".

BOULEVARD OF BROKEN DREAMS

Billie Joe: "Ela fala sobre estar em Nova Iorque e o título eu tirei do poster de James Dean onde ele anda por NY com seu sobretudo. Fala sobre você estar sozinho e tentar pegar um pouco de poder disso. Tematicamente, ela apenas pareceu estar dentro do material que fazíamos para o novo álbum, com os personagens e coisas assim."

HOLIDAY

Billie Joe: "Holiday foi tipo o próximo passo, depois de 'American Idiot' e ela tenta dizer ainda mais sobre política usando um palavriado bem pesado para ilustrar o argumento. Ela fala sobre desmascarar basicamente tudo o que o Congresso diz, particularmente os Conservadores. Eu andava pensando muito no lado Conservador da política americana e em como eles são estratégicos quando querem roubar ou comprar os votos das pessoas. Em algum momento, alguém deveria dizer, pore exemplo, que você tem que alienar o povo gay se quiser o voto dos religiosos. Isso fica velado, mas é como eles pensam. Será que vale a pena você alienar um grupo apenas para tentar conseguir o voto de outro?"

QUERIDO GREEN DAY...

GREEN DAY EDITA A KERRANG!

Quando perguntamos á Billie Joe e Cia para se tornarem os tiozinhos residentes do escritório da K!, eles agarraram a chance. Isso foi antes deles descobrirem sobre o vibrador de 14 polegadas...

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QUERIDO GREEN DAY, estou com um problema um tanto quanto incomum. Eu trabalho como animador de crianças, mais exatamente como um palhaço...
Ultimamente, embora, eu tenho trazido muito trabalho para casa e isso está começando a prejudicar meu relacionamento com a minha família. Os garotos não conversam mais, sendo que eles dizem que os chamo de "anões". Minha esposa ficou muito chateada quando pedi para que ela me dasse um gole da cerveja dentro de um corvo morto para o café-da-manhã. Eu estou sendo exagerado?

S CRAHAN, IOWA.

Tré: "Bem, Sr. Crahan, se sua família não entende, talvez seja hora de você ver alguma família nova. Com certeza eles é que estão exagerando aqui."
MIke: "Isso não é tão fácil assim, você pode escolher seus amigos, mas não pode escolher sua família."
Billie Joe: "A coisa mais chata de se usar uma roupa de palhaço é tirar o sangue depois."
Tré: "Diferente do Sr. Bailey (veja a última carta), você tem que começar a se levar mais á sério. Pare de fazer palhaçadas por aí. Faça isso ou compre fantasias de palhaço para toda sua família. E talvez também uns ternos laranja..."

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QUERIDO GREEN DAY, estou com medo de ter um atque. Parece que sou duas pessoas ao mesmo tempo! Geralmente, não gosto de mais nada a não ser uma noite calma com um copo de Merlot ao meu lado, um pouco de poesia e um charuto. Mas de vez em quando, sinto uma enorme vontade de enfiar meu pau em um tubo de PVC, lubrificar um vibrador de 14 polegadas e me proclamar o Deus da Foda: isso é normal?

BRIAN WARNER, LA.

Tré: "O charuto, o Merlot e a poesia... Isso me assusta. É um pouco estranho. Mas o vibrador de 14 polegadas? Isso é totalmente normal..."
Mike: "A menos que ele esteja bebendo o Merlot como o sangue de Jesus e esteja usando o charuto á lá Clinton Style..."
Tré: "Não nos decepcione. Continue sendo um louco. Gosto de você assim. Eu acho que você é muito bom sendo o Deus da Foda. Alguém têm que ser!"

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QUERIDO GREEN DAY DO CARALHO, minha família maldita está me deixando louco.
Minha filha é uma boca-suja e maldita vagabunda que mais parece uma rueira.
Meu filho é um boca-suja e vagabundo com o cérebro de doninha. Minha maldita esposa é uma boca-suja... Bem, acho que vocês entenderam o que significa. O que eu posso fazer por um pouco de paz? Me ajudem, seus putos!

JOHN OSBOURNE, BUCKINGHAMSHIRE.

Tré: "Vai dar um rolê de quadriciclo na floresta. Ou sei lá, arruma um cachorro."
Mike: "Você poderia tentar um pouco de magia negra. Tenta arrancar a cabeça de um morcego com a boca. Na verdade, isso soa como um belo mix de Reality TV. Se bem que sem realidade alguma."
Billie Joe: "Primeiro, preste atenção no seu linguajar, garoto. Ninguém gosta de um boca-suja!"
Tré: "E nossos ouvidos não são pinico!"
Mike: "Você poderia tentar tomar pílulas ou matar formigas para esquecer um pouco das coisas. E também, você deveria tentar não ouvir ás vozes que pairam em sua cabeça, exceto áquelas que vêm de fora."

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QUERIDO GREEN DAY, eu sou um artista, um músico um cara do entretenimento e com o risco de não soar modesto aqui, um gênio do caralho. Mas tenho um pequeno problema. Eu estou em um estúdio gravando desde 1993 e não tenho a mínima idéia do que fazer para sair daqui. Por favor, me ajudem!

BILL BAILEY, INDIANA.

Billie Joe: "Um gênio do caralho? Hey, nós temos muito em comum então, Bill.
Meu conselho seria, pare de se levar tão á sério e reúna sua velha banda mais uma vez."

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QUERIDO GREEN DAY, á todos os lugares que eu vou, as pessoas querem conversar comigo sobre punk-rock: o que é punk rock, pelo amor de Deus?

MS A. LAVIGNE, CANADÁ.

Tré: "Queria Srta. Lavigne, por favor, escute ao CD anexo..."
Billie Joe: "Peça conselho para seu namorado, talvez faça umas covers de suas músicas. Ou então, se esfregue em um tubo de PVC e comece a se chamar de Deusa da Foda."

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QUERIDO GREEN DAY, sou um homem de 33 anos de idade e sempre acreditei que você é apenas velho quando se sente velho. Mas recentemente, meus amigos têm me dado dicas de que eu deveria crescer e tal. É errado um homem de 33 anos de idade gostar tanto de skateboarding? É tão errado assim um homem de 33 anos usar boné de baseball virado para atrás? Existe alguma lei dizendo que homens de 33 anos de idade não deveriam tentar sair com garotas pop-star adolescentes? Que porra é essa? To dizendo, raiva é tudo o que eu tenho ouvido das pessoas ultimamente! Por favor, me dêem alguma dica.

FREDDIE D, LA.

Billie Joe: "Querido Freddie, pare de ler suas próprias notícias para dar um jeito. Mas hey, um cara de 33 anos de idade gostar de skate não tem nada de errado."
Mike: "É errado um cara de 33 anos de idade usar seu boné de lado. Na verdade, é errado qualquer um utilizar um boné virado de lado."
Billie Joe: "Bem, sair com garotas pop-star adolescentes talvez não seja a melhor idéia... Talvez se a garota vier com dois filhos do casamento anterior."
Mike: "Ou se você não for um pop-star também."
Tré: "Ou se você for um dançarino acompanhante. Se você for, então tá beleza! Esse é o ponto máximo de um dançarino de palco."




Na próxima edição...

PUNK PRÁ CARALHO!

Green Day e amigos brilham no Milton Keynes Bowl! A primeira entrevista ao vivo de Milton Keynes!

"Estaremos de volta na Kerrang! na próxima semana XXX"