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Kerrang - Milton Keynes Bowl
  
Isto é simplesmente MASSIVO. Na verdade, para
qualquer um que era fã de rock nos anos 90, é algo inacreditável. Quem pensaria
que quando três magrelos da Califórnia chamaram a atenção da mídia há 11 anos
atrás quando lançaram seu "Dookie", eles não só conseguiram se manter na liga
profissional por mais de uma década, mas estava caminhando para virar algo deste
tamanho? Mais do que apenas uma banda punk, mais do que mega-vendedores de
discos, o Green Day conseguiu seu ticket para o Hall da fama das lendas do rock
n' roll onde apenas verdadeiros fenômenos são liberados para entrar e qualquer
falsárioque tenta entrar de última hora é espirrado ao patamar anônimo do
esquecimento. E existe maneira melhor de estreiar sua nova posição do quetocar
para mais de 100.000 pessoas em dois dias? Este são números de Bon Jovi, Rolling
Stones e Aerosmith. Isso é rock de estádio!
     
Resenha do show:
"E então, vamos aos headliners do show. Seguindo a imagem de um coelho rosa
enorme, puto da vida, dançando "YMCA", a intro da banda "2001: Uma Odisséia no
Espaço" explode nos PA's e a banda entra correndo no palco para rasgar a
primeira música do show "American Idiot". Tudo o que veio antes parece
totalmente irrelevante. Deixe de lado o calor, esqueça que os malditos
vendedores de sorvete estavam vendendo bebidas borbulhantes para garotos com
cara de doentes á 3 libras cada e principalmente não esqueça que, após você ver
o Green Day no palco, durante duas horas fazendo o melhor show que já fizeram na
vida, você leva três horas para deixar o Milton Keynes. Você está perto de
testemunhar um momento único no rock, o momento em que o Green Day deixa de ser
uma banda grande que vende milhões de álbuns e se torna "A" maior banda de sua
geração.
De repente, tudo o que diz
respeito á eles, se junta e você percebe que o punk rock pode funcionar em
frente á uma platéia massiva e efervescente. A piada corrente de que Billie Joe
Armstrong sabe apenas três acordes talvez seja o fator crucial que o faça ter,
na palma de suas mãos, mais de 64.000 pessoas. Bem, isto e mais o fato de
colocá-los todos no seu lugar e fazer com que um hino de três minutos seja
cantado em uníssono e ser um dos maiores, senão o maior fontman do rock,
obviamente. Sim, Armstrong estáfazendo o que quer, alongando as múscias
originalmente de três minutos e coordenando a multidão em berros de uma
plataforma na frente do palco, pegando um garoto que nem devia ter nascido na
época de 'Dookie', para ajudá-lo á atingir a galera com sua pistola de água e
geralmente agindo quase como um juiz de tribunal. É um espetáculo e tanto e uma
platéia como esta não pagou cerca de 30 libras para ficarem entediados.
Claro, hits como "Basket Case", "Minority" e "Hitchin' A Ride", completa com
Armstrong colocando sua mão dentro das calças, por razões conhecidas melhor por
ele mesmo, "Longview", "Brain Stew", mas existem surpresas também. "She", no
álbum uma boa canção, mas não é uma escolha óbvia para um show ao vivo e quando
tocada, se transforma muito mais do que uma canção. São momentos como ste que
fazem o show desta noite, provando que a banda está em uma liga deles
mesmos e que pode deixar de lado o mais óbvio, músicas mais populares como "When
I Come Around" em favor das canções dos álbuns e você acaba nem dando a mínima.
O set-list é totalmente irrelevante, o que é mais importante, é que Billie Joe
Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool estão ali em cima tocando estas músicas com
gosto e pose de verdadeiros heróis.
"Eu quero que vocês gritem tão alto que todo mundo no show do U2 escutem vocês!"
grita Armstrong em um momento. Sem problemas, amigo. Quer que subimos no palco e
pegamos seus instrumentos para tocar a cover de Operation Ivy "Knowledge" com
vocês? Ah, mas só tem um estádio lotado na sua frente para te dar uma mãozinha.
"Você sabe mesmo tocar guitarra?" Ele pergunta á um candidato. "Quantos anos
você tem? 16? Você já transou? Bem, com certeza hoje você vai!" E com isso, o
maravilhado garoto corre no palco, agarra a guitarra de Billie e junto com o
baixista e um baterista também da platéia, pegam de onde parou a música e tocam
talvez a versão mais maravilhosamente terrível da música até hoje. E quando
Billie Joe diz ao garoto que ele pode ficar com a guitarra, parece que haviam
dado ao garoto uma mega-dose de Prozac.
O espetáculo continua quando uma
sessão de metais entra no palco para a versão do fim-de-semana campestre de
Baden Powell com a versão de "King For A Day", todos com a cabeça nas nuvens,
Billie Joe Armstrong usando uma coroa e uma capa, sendo coroado pela platéia á
sua frente, no momento em que a besta canção se transforma em "Shout". Emtempo
real, a música dura 15 minutos. Não que você vá perceber, porque é tão engraçada
que você não tem tempo nem de olhar para seu relógio.
Na verdade, nem tudo é brincadeira. A balada "Wake Me Up When September Ends" é
um espetacular momento, daqueles de isqueiros no ar, mais uma música simples que
se transforma em um enorme hino com uma sombra de escuridão e centenas de
pessoas cantando junto. E então, temos a cover de "We're The Champions" do
Queen, que soa mais apta hoje á noite do que em qualquer jogo da final da UEFA
Cup, antes de Armstrong lindamente tomar o palco acalmando as coisas com "...
Time Of your Life", completa com tantos fogos de artifício que fariam Hans Blix
bater em sua porta.
"Milton Keynes, nós somos uma banda há 16 anos," anuncia Armstrong. "E este é o
maior show que já fizemos." Não apenas isto, senhor. Mas também, o melhor. Um
absoluto e inegável triunfo que em cerca de dez anos, se tornará algo que você
se gabará de ter visto."
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Billie Joe: "Será que alguém consegue tirar esse coelho maldito do meu palco?"
Mike Dirnt: "Agora eu não posso, tem um garoto na platéia que quer meu
trabalho!"
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