Kerrang

Green Day

Como três punks conquistaram o planeta

 

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Brilho de Glória

 

Como Green Day superou seus demônios para se tornar a maior banda do mundo.

 

Texto: Tom Bryant  Fotos:Paul Harries

 

Três anos atrás, o Green Day estava acabado. Eles estavam com uma baixa criatividade e discutindo uns com os outros enquanto faziam um álbum que, de acordo com seu produtor Rob Cavallo, não era nada bom. Billie Joe Armstrong, se acreditarem nos rumores, estava uma bagunça - bebendo muito, incapaz de se ajustar para escrever alguma coisa boa. Sua banda, por outro lado, se sentia deixada de fora e decidiram desabafar sua raiva na cara dele.

 

Então, algo estranho aconteceu. O álbum no qual eles estavam trabalhando, temporariamente com o título de Cigarettes And Valentines - misteriosamente sumiu. Foi dito que as fitas master foram roubadas, mas suspeitosamente elas nunca apareceram em lugar nenhum.

 

A própria banda é cautelosa ao falar sobre o que aconteceu, com Armstrong sugerindo que possa ter sido "perdido" - algo meio descuidado de se fazer com um álbum que você gastou sangue e lágrimas fazendo. Talvez isso seja o porquê de haver tantas especulações na internet de que foi a própria banda que se livrou dele.

 

Foi uma época sombria e intensa para o Green day, que poderia ter acabado a banda caso eles não conseguissem superar. Mas o que aconteceu foi o American Idiot.

 

Esse álbum vendeu agora 11 milhões de cópias (1,5 milhões delas no Reino Unido, onde tem ficado no Top 20 por 42 semanas), ganhou um Grammy por "Best Rock Album" (melhor álbum de rock), e varreu ambos os Kerrang! Awards e os MTV Video Music Awards. Seu impacto até se extendeu à cama de um menino de 9 anos em South Wales que acordou de um coma de duas semanas depois de ouví-lo. A banda, enquanto isso, nunca foi tão forte. Foi assim que o Green Day se transformou de "foi um dia" para banda mais importante do mundo. Essa é a história do ano incrível deles.

 

"Billie me ligou e disse, 'Você quer continuar fazendo isso?'" lembra Mike Dirnt. Ele está se referindo ao período depois do desaparecimento de Cigarettes And Valentines. Armstrong estava, naquela época, cheio de dúvidas, seu casamento fragilizado e, como ele mesmo admitiu,os prazeres duvidosos de Los Angeles tinham o deixado um pouco hipnotizado pelo brilho e perigos de uma vida num estilo acelerado. Dirnt continua, "Eu disse, 'Sim, mas você tem que nos deixar entrar. Você tem que nos consultar.'"

 

Finalmente as coisas começaram a se acertar no campo do Green Day. Armstrong respondeu à Dirnt pedindo por mais esforço musical de sua banda, mais respeito e menos críticas. Ele estava cansado de, "coisas como Tré me dizendo que 'Welcome to Paradise’ era uma merda de música e eu ficando puto de raiva quando eles ficavam tirando sarro de mim."

 

Ele sabia que tinha que superar certas coisas também. "LA é cheia de gente com roteiros,

 

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vítimas de cirurgias plásticas, pessoas caindo e queimando", ele disse à revista 'Q' no começo desse ano. "Essa pessoa poderia ser eu. Eu sou fascinado e horrorizado com isso. Eu reconheço essa parte auto-destrutiva de mim. Há tentações nesse estilo de vida e eu sobrevivi à todas elas."

 

E é essa mesma obscuridade que fez American Idiot ser ótimo. Porque, pela primeira vez em anos, Green Day tinha sobre o que escrever de novo.

 

Um dia quando ambos Armstrong e Tré Cool estavam atrasados, Mike Dirnt sentou e tocou um riff - um simples 30 segundos nascido de tédio e frustação devido ao atraso de seus companheiros. Armstrong adorou assim que chegou e fez alguns acréscimos. Aquela música se tornaria "American Idiot" e, de repente, o Green Day sabia aonde estava indo.

 

"Naquele ponto," disse Armstrong à Kerrang! em junho, "era sobre começar tudo de novo. Nós queríamos começar uma nova era para nós. Ou sairíamos bem sucedidos ou iríamos dar com a cara no chão." Ele também estava consciente de que esse era um álbum - completo com um conceito magnânimo e cheio de críticas sobre a América e o seu conservadorismo - que poderia deixá-los com uma base de fãs de "aproximadamente 50".

 

O catalisador dessa mudança de direção repentina foi o 11 de setembro. "Mudou completamente o clima", Armstrong explicou à revista 'Rolling Stone'. É impossível não ser afetado por isso e por tudo que veio a seguir: essa guerra, mais paranóia, os alertas de terror de diferentes cores."

 

Foi esse espírito divergente que, na opinião de Ian Watkins do 'Lostprophets', os salvou:

 

"Não havia mesmo uma banda naquele nível que estava dizendo alguma coisa - especialmente na América - que essa geração quisesse ouvir. Você tinha o 'NOFX' protestando com o Rock Against Bush mas eles nunca tiveram mesmo o tamanho para fazê-lo numa escala mundial. Green Day tocou pessoas que não eram necessariamente grandes fãs de punk. Eles conquistaram os fãs de rock mainstream, então eles não estavam pregando só para os convertidos.

 

"Não é que a música não funciona por si só. Funciona. Mas era toda a mensagem sendo entregue no momento certo e na hora certa. Ninguém mais estava dizendo aquela grosseria naquele nível."

 

O primeiro passo para espalhar aquela mensagem veio nos festivais 'Reading' e 'Leeds' em agosto de 2004. Foi aqui que eles anunciaram suas intenções no Reino Unido numa grande escala. Foi aqui que a estrada para a recuperação deles pareceu mais uma certeza do que uma aposta.

 

"Uma das coisas que é mais importante para mim é que nós somos uma incrível banda ao vivo", disse Billie Joe Armstrong. "Nós não ficamos com medo de tocar para um número enorme de pessoas; acho que isso é algo que se pode dizer da gente. Nós sabemos como tocar esses tipos de shows. Eu gosto do fato de que as pessoas descrevem nosso show ao vivo dizendo, 'Como alguém vai seguir isso?'"

 

Eles enfrentaram, no entanto, uma certa quantidade de críticas. Foi a mesma questão que os tem seguido por anos - pode e deve uma banda de punk rock tocar em arenas e ficar em primeiro nas paradas ao redor do mundo?

 

M Shadows de ‘Avenged Sevenfold’ foi um crítico desses: "Eles foram uma das primeiras bandas que eu chamei de 'vendidos' porque eu era um pequeno babaca. E eles foram a primeira banda que eu voltei atrás e comecei a amar de novo. Eles são o resumo do pop-punk rock. Eles levaram muitos garotos a gostar de punk e fizeram muito pelo mundo do rock'n'roll. Eles se mostraram para às massas sem perder suas identidades."

 

Green Day não ligou para as críticas porque, para eles, isso agora estava além de ser uma banda punk - isso era sobre ser rock stars, admitindo isso e aceitando.

 

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"Muitas bandas dirão que preferem shows menores", diz Armstrong. "Mas vamos ser honestos, tocar em estádios também não é nada ruim."

 

E eles iriam ver estádios no mundo inteiro, na Austrália, Japão, Europa e de volta à América. Enquanto foi rapidamente se tornando óbvio para o resto do mundo que o Green Day estava de volta ao máximo de seus poderes, por dentro da banda era normal como sempre.

 

De acordo com o frontmen do 'My Chemical Romcance', Gerard way, raramente houve uma banda tão "pés no chão". Ele diz que nunca teve hostilidade entre as duas bandas quando MCR abriu para o Green Day na América no começo desse ano.

 

"O Green Day realmente nos colocou sob suas asas e foram extremamente gentis conosco. Eles nos deixam cometer nossos erros sem ficarem bravos conosco - até mesmo quando nós vomitamos no palco deles! Eles nos levaram ao cinema e cuidaram da gente. Eles ainda permanecem em contato e verdadeiramente sempre foram uma inspiração para nós.

 

Way continua, "American Idiot foi o álbum do ano. Por muitas razões. Número um - ninguém nunca viu um retorno como esse, número dois - eu não consigo pensar em um bando de caras mais merecedores desse sucesso. Eu acho que eles aguentaram muita merda, e ao mesmo tempo eles abriram muitas portas das quais muitas pessoas não os dão crédito. Eu acho acho que eles fizeram um lindo, profundo álbum.”

 

A American Idiot Tour que iria culminar, no Reino Unido, com a extravaganza do Milton Keynes em 18 e 19 de junho foram dois dias que provaram o quão longe eles iriam viajar. Mais de 120.000 fãs assistiram eles fazerem todo o lugar chorar. Como Kerrang! colocou: "Isso vai entrar para a história do rock'n'roll como o momento em que o Green Day deixou de ser uma banda que vende bastante e se tornou a banda de sua geração." A maioria das bandas teria ficado espantada pela escala do show. Mas, como Dirnt coloca: "Naõ há uma audiência no mundo que Billie Joe não consegue comandar."

 

É preciso um tipo especial de segurança e talento para atingir aquela quantidade de pessoas, para deixar tanta empolgação e desnorteamento no fim. Foi uma maneira adequada de celebrar um ano no qual eles foram, sem dúvidas, os campeões musicais. Como eles admitiram, American Idiot podia ter sido o fim deles. Mas acabou sendo o que fez eles.

 

"A descrição do meu emprego é que eu sou um rock star", Armstrong disse à 'Rolling Stone'. "E eu sou bom nisso, sabe? Quando eu estiver morto, eu quero que alguns garotos fiquem bobos ao falar de meus discos, dizendo, 'Você sabe que dá pra ver que em Warning: eles começam a mudança que viria em American Idiot?. E pela primeira vez em nossa carreira também, nós podemos olhar para trás nesse círculo. Eu consigo ver a mudança e a evolução."

 

No mês que vem o Green Day vai entrar no estúdio para começar a trabalhar no próximo álbum deles. Aí que as coisas devem começar a ficar bem interessantes...

 

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The Ultimate Green Day Mix CD

 

BASKET CASE

"Eu amo tudo em Dookie porque foi com o que eu cresci e o Green Day foi uma das primeiras bandas que eu amei."

M Shadows,

'Avenged Sevenfold'

 

2000 LIGHT YEARS AWAY

"É do Kerplunk. A primeira vez que eu ouvi eu achei bem original e renovada mas me lembrou o ‘Ramones’. É demais e eu costumava ouvir bastante."

Tom Delongue, ex-'Blink-182'

 

ARMATAGE SHANKS

"Na verdade eu gosto de todo o Insomniac. Não era o sucessor de Dookie que todos estavam esperando mas foi um ótimo álbum. Eles tocaram "Armatage Shanks" no MTV Awards bem quando o álbum saiu, e eu achei demais."

Frank Iero,

‘My Chemical Romance’

 

CHRISTIE ROAD

"Eu costumava tocar covers com meus amigos quando éramos adolescentes e essa foi uma das primeiras músicas que nós tocamos. Eu tenho memórias adoráveis dessa música. E eu admiro mesmo o Green Day pelo o que eles estão conquistando agora. Eles nunca mudaram, eles se mantiveram e provaram quem são - você tem que apreciar isso."

Keith Buckley,

"Every Time I die"

 

"Eu amava 'Christie Road', porque tem essa parte em que ele canta 'Take me to the tracks at Christie Road' e simplesmente parece demais. Por um tempo as pessoas me falavam que eu parecia muito com o Billie Joe, mas aí ele ficou muito bonito. E eu ainda sou assim..."

Alex Varkatzas, 'Atreyu'

 

HOLIDAY

"É bem ousada mas, mesmo que só tenha saído há um ano, já parece ser um clássico. Eles são uma dessas bandas que sempre têm algo importante a dizer mas eles conseguem colocar numa música que faz você se sentir bem enquanto ouve."

Benji Madden,

'Good Charlotte'

 

WELCOME TO PARADISE

"Nós estávamos no colégio quando essa música começou a tocar e traz de volta toda a empolgação que tínhamos ao formar nossa banda. Eu tenho muito respeito pelo Green Day. Todo mundo criticou eles e agora eles são a maior banda de rock do mundo, o que é demais. Isso reafirma minha fé no rock.

Mike Einziger, 'Incubus'

 

MACY'S DAY PARADE

"Eu gosto de muitas músicas do Green Day mas essa é a minhan favorita. É a última faixa de Warning:. Eu gosto da melodia, da estrutura e ela não fica velha. Eu posso ouvir mais e mais uma vez que não fico cansado dela."

Pierre Bouvier, 'Simple Plan'

 

80

"Essa foi uma das primeiras músicas do Green Day que eu ouvi e sempre foi minha preferida. A primeira vez que ouvi eles eu era um calouro no colegial, e eles estavam numa fita mix que o amigo do meu irmão mais velho tinha. Tinha ‘Operation Ivy’ e Green Day nela.

Matt Akiba, 'Alkaline Trio'

 

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foto (2° página)

Green Day com seus rêmios K!, Londres, novembro de 2005.

 

foto (3° página)

Green Day: (esquerda-direita) Mike Dirnt, Billie Joe Armstrong, Tré Cool.

 

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fato K! (2° página)

Billie Joe gravou um single, Look For Love, com apenas cinco anos.

A mãe de Mike Dirnt era uma viciada em heroína que deu ele para adoção com seis semanas de vida.

 

fato K! (3° página)

O tio de Billie Joe morreu no Vietnã. Ele foi morto com um tiro enquanto saltava de pára-quedas de um avião.