Kerrang

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Fotos:

 

1.      Billie Joe Air-Strong

2.      Tom DeLonge se prepara para mais uma piada sobre botões...

3.      Oh Meu Deus! Mataram o Blink 182.

4.      Mike Dirnt rela em seu baixo

5.      O novo comercial da Duracell foi um desapontamento...

6.      “Por favor Deus, faça com que eu me pareça com um dos membros da Icarus Line!”

 

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Welcome To Paradise!

Blink 182 e Green Day sacodem a Califórnia na turnê “Pop Disaster”.

 

Blink  182 / Green Day

Mais: Jimmy Eat World

Verizon Wireless Amphiteatre, Califórnia.

Domingo, 21 de Abril de 2002.

KKKK

 

O Verizon Wireless Amphiteatre é tão punk rock quanto uma arena cuja dona é uma empresa de telecomunicações pode ser. Antes conhecido como Irvine Meadows, o anfiteatro com capacidade para 15 mil pessoas é limpo e estéril e com o staff andando entre a multidão e vendendo Popsicles, cervejas a 8 dólares cada e amendoins com um preço absurdamente parecido como uma extorsão de 3 dólares, o clima lá era mais para Disney do que para CBGBs. Mas leva apenas 5 minutos para Billie Joe levar um pouco de anarquia para um local tão comportado.

 

“Isso aqui é um show de punk-rock e não uma festinha de chá-de-cozinha,” insiste o vocalista do Green Day, gesticulando para a quantidade de concreto que separa o palco das pessoas sentadas. “Eu preciso ver algumas pessoas na minha frente. Desçam e encham este espaço.” Centenas de garotos californianos atendem ao pedido deixando seus lugares. A segurança do anfiteatro coletivamente tem um ataque cardíaco e Billie Joe Armstrong sorri um sorriso maroto sabendo que deixou mais uma vez chateados os conservadores. Clássico.

 

Mas antes desse ataque caloroso de rebelião, o Jimmy Eat World começa a quarta noite da “Pop Disaster Tour” com uma performance muito boa. Tocando a frente de uma platéia que ainda enchia o local do show e com um fundo vazio, o quarteto do Arizona tocou a maioria do seu set de 40 minutos com músicas do álbum “Bleed American”, embora a aparição de “Blister” do álbum “Clarity” tenha aparecido no repertório. O emo certinho e campestre do quarteto é o som perfeito para a noite, com a presença de “A Praise Chorus”, “If You Don’t, Don’t” e “The Middle”, hoje em primeiro lugar na parada “Modern Rock” da Billboard soando do tamanho da arena. A falta de algo parecido com espetos no set mostra que sugere que a banda seria a perfeita abertura de um show do Sting em 2002, mas não vai demorar muito e bandas como esta é que estarão lotando casas de show sozinhas.

 

O Green Day têm feito shows para multidões desse tamanho durante uma boa parte de sua carreira e o trio de Berkeley é mestre quando o assunto é performance. Ou Billie Joe está atirando com uma pistola de água na platéia, simulando masturbação no meio de “Hitchin’ A Ride” ou pegando garotos da platéia para uma performance simbólica de “Knowledge”, música dos ska-punks Operation Ivy, é impossível imaginar alguém se divertindo mais no palco do que Billie Joe Armstrong, e a energia inquietante do vocalista é contagiante. O Set do Green Day é feito para todos os gostos: uma cota de singles genuinamente clássicos (Welcome To Paradise, Basket Case, Longview, When I Come Around), velhos petardos também clássicos (Disappearing Boy, 2.000 Light Years Away) e a visão inspirada de uma sessão de sopro vestida alternadamente de galinha e abelha, até mariachis mexicanos. Adicione uma cover de “Shout” dos Isley Brothers, berros fenomenais de Mike Dirnt, uma bateria destruída por Tré Cool e uma tocante versão acústica solo de “Good Riddance (Time Of Your Life)” por Armstrong e você tem um belo de um pacote de entertenimento. Talvez a banda tenha feito shows melhores em sua carreira de quase 15 anos, mas aposto que não muitos.

 

O Blink 182 sempre terá sua apresentação ofuscada pela performance anterior e hoje á noite, definitivamente, levam a medalha de prata. O trio de San Diego têm um arsenal interminável de explosões, um belo trabalho de luzes e a maioria da platéia de Orange County em suas mãos, mas em termos de performance e set-list, não pode competir com os antecessores do punk. Um pouco mais velhos e mais espertos que os garotos que invadiram o mundo com “Enema Of The State”, o humor escatológico do Blink 182 que já é sua marca registrada, soa um pouco forçado hoje em dia. Que nenhuma outra banda introduziria uma música sobre desavença familiar (Stay Together For The Kids) com a frase “Quero comer todas as mães!” (Tom De Longe), faz deles uma banda única, mas este comportamento incrivelmente juvenil contrasta e muito com as suas composições notavelmente mais sofisticadas, sem falar nos esforços do Mark Hoppus tentando fazer com que os adolescentes dessem uma passada na tenda “Anti-Racist Action League” que estava no local.

 

Deixando dores crescentes de lado, é impossível não dizer que o Blink 182 andou escrevendo umas canções realmente muito boas nos últimos cinco anos. O set é apenas um pouco diferente do capturado no álbum “The Mark, Tom And Travis Show”, mas “Don’t Leave Me” e “What’s My Age Again” são hinos cantados em uníssono pela platéia durante o set, enquanto “First Date” e “Dammit” são simplesmente canções rápidas, com punch e debochadas. O destaque entretanto aparece quando o baterista Travis Barker faz seu solo com a bateria voando em cima das cabeças de Hoppus e DeLonge, girando para frente e para trás no meio de “All The Small Things”, no momento em que os Beavis e Butt-Head do Blink olham extasiados e cerca de 15 mil pessoas de olhos esbugalhados dizem “Legaaaaaaaal!”. Maldito seja o punk-rock, isso não é nada mais do que puro show-bizz, mas é uma indulgência concebida brilhantemente.

 

Se a “Pop Disaster” prova alguma coisa, é que o rock de arena não necessariamente tem que ser caras de mullet do meio-oeste socando o ar ao som de Creed ou Nickelback. Um “a riot of your own” (“um protesto próprio”), como Joe Strummer uma vez cantou? Talvez não. Mas ao mesmo tempo é absurdamente divertido.

 

Quadro azul:

 

“O BILLIE É MESMO TÃO BONITINHO!” – Califórnia ama o Green Day.

 

Nome: Delbar Elahi

Idade: 14 anos.

De onde: “Orange County.”

Como foi sua tarde?: “Muito, muito maravilhosa!”

Destaque?: “Green Day. Eles foram muito divertidos e fantásticos!”

Blink 182 x Green Day. Quem ganhou?: “O Blink 182 foi ótimo, mas o Green Day foi mais energético e mais divertido. Billie Joe é tão bonitinho.”

 

Nome: Jenny Yang

Idade: 14 anos.

De onde: “Perto de Laguna Beach.”

Como foi sua tarde?: “Foi ótima, muito divertida!”

Destaque?: “Todo o show do Blink 182. Foi a primeira vez que os vi ao vivo e foram ótimos.”

Blink 182 x Green Day. Quem ganhou?: “Na minha opinião, Blink 182. Jimmy Eat World também foi muito legal. Mas o Blink foi ainda mais legal.”

 

Nome: Richard Lopes

Idade: 20 anos.

De onde: “Orange County, Califórnia.”

Como foi sua tarde?: “Muito boa, muito divertido, cara!”

Destaque?: “Quando o Green Day ligou os fogos no palco e quando o baterista do Blink voou no alto.”

Blink 182 x Green Day. Quem ganhou?: “O Blink 182 foi ok, mas eu sou um fã de Green Day, então tenho que dizer que foram eles. O Green Day é a melhor banda pop-punk atualmente.”