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Kerrang
    
PUNK UP THE VOLUME
Green Day ama festivais. Enquanto eles se preparam pra ser a atração
principal do Reading/Leeds, dividem conosco 10 anos de brigas, diversão e merdas
em festivais.
Algumas bandas são feitas para tocar em festivais, e outras não. Algumas bandas
conseguem preencher campos, casas de shows e estádios com sua presença e seu som
- criando um senso de evento até para aqueles que não conseguem se dar com a
distância do palco - e outras bandas não.
Não importa o que seja, fazer você mesmo grande e barulhento pelo tempo em que
está embaixo das luzes, estando alguns metros da primeira fila do público, é uma
coisa que você consegue ou não. Algumas bandas parecem ter nascido para isso;
algumas bandas podem fazer, outras não; algumas bandas parecem que desejam estar
no palco da Islington Academy.
Até mesmo as melhores bandas podem descobrir que seus limites estão sendo
testados. O ano era 1998; foi no verão. Green Day - a banda que notou que punk
rock não deveria existir fora de um "clube" e transformou isso numa piada
internacional - estava marcada para tocar em um festival na França. Em turnê
através da Europa para promover o álbum Nimrod, a banda foi convidada para tocar
em um festival. Era isso - ou pelo menos era isso que o Green Day achou que os
organizadores disseram - um "festival de motocicletas." Um pouco estranho,
talvez, mas e daí. Tem amplificadores, vamos tocar.
"Nós chegamos lá," explica o baixista Mike Dirnt enquanto ele e seus
companheiros de banda, Billie Joe Armstrong e Tré Cool começam a rabiscar "READING
e LEEDS" em uma placa para a sua viagem de carona de Los Angeles até um campo em
Berkshire, "e não era um festival de motocicleta, era um festival dos Hells
Angels. Tem uma pequena diferença. Na verdade, não era um festival dos Hells
Angels, mas sim organizado por eles. E tinha 10,000 motoqueiros com roupas de
couro, de pé na nossa frente. Era aparentemente um público difícil. Nós
estávamos olhando um para o outro, dizendo, Que merda está acontecendo?"
Mas que merda, certamente. Green Day fez a sua entrada, o público era entretido
por strippers em motocicletas (sim, você leu corretamente). Cerveja voando por
todo o lugar. O público era barulhento. Quando a banda começou a tocar - abrindo
com a furiosa e focada "Nice Guys Finish Last" - eles foram confrontados pela
imagem de um homem rolando pelo topo do público dentro de uma bolha
transparente. Ele ia rodando de um lado para outro. Bem na frente, um motoqueiro
fez um sinal desrespeitoso com a mão em direção a banda, e foi, de acordo com
Dirnt, "tolamente esbofeteado" por outro motoqueiro, que lhe disse, "não faça
isso para eles!" Cerveja voava, caos reinava.
"E, sim" diz Dirnt, respondendo antecipadamente a pergunta, "Billie fez um strip
e ficou de tanga de leopardo no fim de "King For A Day" (como era tradição
naquela turnê). Ele não deu pra trás, ele fez". E tem uma coisa sobre
motoqueiros: Eles amam ZZ Top. Eles amam Motorhead. Eles não são, como uma
regra, amam Green Day. Não como uma regra.
"Não, nós fomos muito bem," diz ele. "O público esteve com a gente o tempo todo.
E quando Tré queimou o seu kit no final do show, tinham motoqueiros andando em
volta das chamas, com cervejas nas mãos." A bebedeira durou o tempo todo... na
verdade a bebedeira deve estar rolando até agora.
"Você tem que se curvar a eles," diz Dirnt. "Eles sabem como fazer uma festa."
O Green Day, eles mesmos também sabem como fazer uma festa, e uma em grande
escala. Essa tem sido a essência do sucesso da banda através dos anos. Afinal,
qual o uso de um álbum de estréia de platina múltipla (Dookie, de 1994) se você
para de se esforçar para ter uma nova popularidade na face e nos ouvidos de uma
nova audiência? O Green Day nunca fez segredo sobre seus desejos, como Billie
Joe disse em 2002 que queria ser "a melhor banda ao vivo do mundo." A banda
nunca escondeu isso; nunca, em nenhuma circunstância pareceu relutante.
Festivais podem ser ótimos lugares, ótimas coisas," acredita o baixista Mike
Dirnt. Só pra constar, o primeiro festival que o baixista assistiu foi o Day On
The Green Metal Show no Oakland Coliseum em 1985. Com Scorpions, Ratt, Yngwie
Malmsteen e Metallica como atrações. "Para ter aquela quantidade de pessoas em
um local é realmente algo, é algo fazer parte da multidão, mas é realmente algo
tocar para a multidão. Especialmente se a audiência está lá pra ver você tocar,
se eles conhecem suas músicas. Então isso realmente pode ser algo."
O que é necessário para se fazer um grande show em um festival? Para ser uma
ótima banda de festival?
"Eu não sei," ele diz. "Isso é difícil de dizer. Eu acho que não é só a
habilidade de tocar, mas também fazer um show que consiga alcançar o maior
número de pessoas que estão te assistindo. Obviamente o U2 é ótimo fazendo
isso... Eu acho que nós também não somos ruins nisso. Você sabe, nós temos as
músicas capazes de fazerem isso, e não existe uma audiência no mundo que o
Billie Joe não possa comandar."
A primeira tentativa real do Green Day veio com o Lollapalooza em 1994, o ano da
explosão deles. A banda era a primeira do dia - em uma caravana que toca em
todos os anfiteatros americanos, conhecidos por sua rigidez, e anuais restrições
de segurança - e as pessoas em cada cidade fariam de tudo para conseguir ver um
pouco da nova banda do 'momento." Naquele verão eles também se lançaram na lama
e desentendimentos do Woodstock 2 no estado de Nova York, uma das mais notáveis
aparições em festivais da última década. A audiência entre uma chuva de lama e
caos, inundava o palco, Dirnt foi assaltado por um segurança (e perdeu um dente
nisso). A banda foi evacuado do local num helicóptero. Depois, em um festival em
Boston cenas semelhantes ocorreram. E o Green Day fez notícias.
"Eu estava sentado no meu quarto de hotel vendo TV e de repente nós estávamos no
ar," diz Billie Joe Armstrong. "Foda-se, eu estou nos jornais!"
Desde esse começo promissor coisas prosseguiram em uma única direção - até as
estrelas. A banda apareceu em um festival em Vancouver em 1998, durante uma
chuva - e você precisa ser bom para fazer isso funcionar em um festival, você
precisa ser duplamente bom para ter sucesso na chuva - Armstrong, do palco,
anunciou sua candidatura para prefeito da cidade. Suas plataformas políticas
incluem "sexo adolescente, espalhado pela cidade" e "seis caixas de cerveja no
seu refrigerador toda manhã".
E em 2002, a habilidade do Green Day de tocar para 30,000 pessoas por noite,
alcançou seu apogeu com a Pop Disaster Tour, em conjunto com o Blink 182 (com o
trio de San Diego aparecendo depois). Com tudo a banda tinha um set de 70
minutos, o objetivo era acabar com o Blink 182. Isso, de acordo com quase todas
as críticas, eles conseguiram fazer, Tré Cool alega que estava preocupado que os
co-headliners poderiam cancelar a turnê de 46 datas antes da conclusão em
Minneapolis.
"Nós queríamos o nosso público punk rock de volta," disse o baterista "Você sabe
de quem..."
Tudo isso nos leva ao... READING e LEEDS. Pela primeira vez na carreira de 15
anos, o Green Day será a atração principal. Hoje eles estão em Los Angeles, com
uma placa apontando para o destino da última semana do verão. É quase a hora de
ir. O álbum "American Idiot" está acabado, misturado e completo. Enquanto você
lê isso a banda está retornando do Japão, depois de ser atração principal do
Summer Sonic Festival em Osaka e Tóquio. Depois eles estão indo para Dublin.
"Eu estou empolgado por ser atração principal," diz Dirnt. "Eu quero a minha
banda tocando nos maiores lugares, e isso é uma coisa grande. Eu quero que nós
sejamos capazes de tocarmos em estádios por nossa conta, e estamos trabalhando
duro para que isso aconteça. Esse é o caminho para isso e será ótimo. Nós nos
divertimos muito na Inglaterra e os show no Reading foram incríveis." Isso
incluí as outras duas aparições anteriores, em 2002 e 1996. A segunda foi um das
últimas datas da turnê do "Warning," com banda firme, músculos acumulados
durante meses de estrada, estavam lá para serem vistos e ouvidos. A primeira vez
foi ainda mais marcante. Essa foi a primeira vez que a banda apareceu em um
evento deste tamanho no Reino Unido. Foi dois anos após a histeria do "Dookie" e
as coisas estavam ficando tolas. Quando o Green Day tocou o riff, mas somente o
riff, de "Eyes Of The Tiger", do Survivor, começaram a surgir problemas na
frente do palco. A banda foi forçada a parar de tocar até que a ordem fosse
restaurada. "Dêem a porra de um passo pra trás!" disse Dirnt do palco.
Não é surpresa quando os shows na Inglaterra ficam um pouco loucos." diz Billie
Joe Armstrong. "E eu estou pensando Reading (e Leeds) não serão diferentes. Bem,
uma coisa vai." O que? "Ao menos nenhum pobre bastardo terá que tentar nos
seguir esse ano."
Green Day tocará no palco principal no Reading (29 de Agosto) e Leeds (27 de
Agosto).
OS HOMENS MISTERIOSOS
Malucos do electro-punk em filme. Não é o Green Day, ok?
Descrição: Em 22 de Novembro de 2003, o Green Day (mais dois membros extras)
vestiram máscaras e foram para o palco do Key Club em Los Angeles como seus
alter-egos: The Network. Se você não os viu naquela noite, provavelmente não os
verá mais. Felizmente, esse DVD - lançado para coincidir com o lançamento do
álbum completo de estréia do quinteto punk 'Money Money 2020' - captura o
bizarro show na íntegra, desde o sermão de Van Gough (Mike Dirnt) do banco da
Igreja 'Church Of Lushotology' durante 'Spastic Society', até a banda toda se
movimentando como robôs empunhando suas guitarras no estilo Status Quo. Van
Gough e Fink (Billie Joe Armstrong) dividem os vocais, mas a grande atração do
show é quando The Snoo (Tré Cool) abandona sua bateria para correr pelo palco
com uma luz estroboscópica, usando uma camisa brilhante e cantando a ultra
new-wave 'Hungry Hungry Models'. Qualquer um que já tenha visto o Green Day vai
atestar o fato deles serem uma das bandas mais divertidas e cativantes do mundo
atual ao vivo, então isso vai sempre ser uma coisa muito divertida. Você também
ganha os 5 vídeos ultra baratos que acompanharam o lançamento do álbum nos EUA,
freqüentemente parecidos com uma combinação de um video pornô caseiro e clips do
'Takeover TV'. É uma vergonha que esse DVD peca por não ter nenhum detalhe a
mais sobre essa 'misteriosa' banda. A grande questão - a que mais nos pressiona
é, tipo 'Por que?' - ainda ficará sem resposta. E no fim, você fica querendo um
pouco mais para afundar seus dentes.
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