TheNimrods.com - Green Day em 360°



 

Kerrang Março 2005


Os Melhores Dias de Nossas Vidas

 

Neste exato momento, o Green Day é a banda mais quente de todo o planeta.

Então, quando a banda de Billie Joe Armstrong arrasou a Austrália com uma tour de ingressos totalmente esgotados e ainda pegou mais prêmios por "American Idiot", nós percebemos que estávamos além de descobrir toda essa loucura.

 

O TREM para o subúrbio oeste de Sydney está acostumado com cenas iguais a essa. Como principal carregador (no sentido de proporcionar público) do Big Day Out a cada Janeiro, é ouvida a excitação do público adolescente. É de se ver todo o tipo de corte de cabelo, camisetas de banda, brincos, tatuagens, tênis Converse que há. Conhecem mais palavras sujas que você e provavelmente diriam coisas que você nem imaginava saber sobre as bandas que você curte.

 

Mas para uma boa percentagem das pessoas vindas do subúrbio para a noite do show do Green Day, esta é uma experiência totalmente diferente. Dê uma olhada ao redor da plataforma de trem e dê uma olhada mais de perto para quem está ao seu lado. Há crianças de nove anos, adolescentes, ninguém parece ter mais de vinte. Isso normalmente passaria em branco, mas não hoje à noite.

 

Green Day, você vai se recordar, explodiu mais de uma década atrás com seu terceiro álbum, trazendo uma nova onda de punk, uma que bandas como Good Charlotte e Simple Plan ainda seguem hoje. Onze anos mais tarde, eles estão prestes a fazer o maior show que já fizeram na Austrália para um público, que em muitos casos, estaria mais interessado na Vila Sésamo do que em punk rock na época em que Dookie veio à tona. Em vez de desmoronar como tantos outros feitos, quando o Green Day diz seu inevitável 'adeus' para seus fãs, parece que há uma mais nova de jovens devotos. E hoje à noite, em Sydney, esses fãs estão para descobrir o que é essa coisa toda.

 

Estranhamente, para uma banda com um álbum no Top 10 (que ficou no Número 1 da Austrália ao seu lançamento, em Setembro, assim como no Reino Unido e Estados Unidos), uma pancada de shows esgotados em cada capital e uma rica crítica hype, a chegada do Green Day na Austrália foi marcada com uma surpreendente pequena fanfarra. Enquanto muitas bandas em tour aparecem na tela através de talk shows noturnos, ou pior, matutinos, o trio fez apenas uma aparição pública, que foi no Mtv Austrália Awards. Assim como eles mantêm ombros e cabeça erguidos para qualquer outra modinha punk. No momento, ali eles estavam, um diamante muito forte. Caoticamente tendo os Osbournes como anfitriões e acompanhando uma variedade de performances ao vivo sem graça por oportunistas do R&B como Chingy e Ja Rule, nos dias seguintes ao show existiam três tópicos comuns de conversa. O primeiro envolvia o quão horrorizantes os prêmios eram; o segundo era focado no desastre humano Anna Nicole Smith e a aparição rápida dos seus seios no palco; e o terceiro foi o concordância unânime que a apresentação de encerramento do Green Day com "Boulevard of Broken Dreams" e "American Idiot" roubou a cena. Combinando com os dois prêmios que receberam de "melhor vídeo de rock" e "melhor banda de rock", o trio foi sem dúvidas, a melhor parte da noite.

Assim como as televisões nacionais têm estado desprovidas de qualquer conteúdo do Green Day, revistas e jornais tem estados ''secos'' na cobertura sobre a banda. Uma requisição para gravadora da banda sobre os recortes da imprensa sobre o trio em sua tour rendia somente quatro - quatro! - características, três das quais quando a tour foi anunciada em Novembro. Admissivelmente, duas das revistas de rock do país tem a banda em suas respectivas capas, mas isso tão como correm as coisas.

 

Seria fácil culpar a promoção (de péssima qualidade) pela falta de cobertura, mas a verdade é um pouco menos sinistra: Os shows do Green Day tiveram ingressos esgotados tão rapidamente que não houve a necessidade de anunciar os ingressos para quem os já comprou. De acordo com um representante de promotores locais da Frontier Touring, todo show exceto Adelaide e Perth, foi esgotado em dois dias após o anúncio da venda de ingressos (As cidades citadas esgotaram-se rapidamente, logo depois), fazendo desta uma das mais bem sucedidas tours dos últimos doze meses. Os escritórios da Frontier foram bombardeados por ligações de fãs que não conseguiam ingressos, pedindo shows adicionais, mas a agenda da banda não permitia.

 

Assim como o resto do mundo, a Austrália havia se apaixonado pelo Green Day pela segunda vez.

 

ANEXADO ao lado do Sidney Superdome - que, com uma capacidade para 16 mil pessoas, é tão grande quanto parece - estão dois enormes banners anunciando alguns shows por vir. O primeiro é para Bette Middler, o segundo para a cantora/atriz australiana Delta Goodrem, ambos símbolos do mainstream e ambos os mundos separados das iscas roqueiras do Bush, a atração principal de hoje a noite. É uma aposta certa crer que aquelas milhares de pessoas não vão estar ali novamente em algumas semanas, para as apresentações de ambas performances das divas.

Dê uma olhada naquele público e você verá um monte de gente parecida com a Avril Lavigne - cinto branco, tênis com detalhes em xadrez, bonés de baseball virados para o lado; você vai ver galeras e galeras pulando de um lado para o outro com tamanha excitação; vai ver um monte de pessoas há 10 metros de distância do outdoor de vendas, procurando camisetas que custam $40, bonés por $60 e $10 por uma bolsa. Há também alguns outros vestidos com 'estilo Green Day', usando camisa preta e gravata vermelha. Significa então, que Billie Joe com seus 33 anos, além de tudo, é um ícone fashionista.

 

Chrissie Tabones, 19, vinda de Campbelltown, subúrbio de Sidney, admite ser influenciada pelo jeito do qual Billie Joe se veste, e diz que gosta daquele "jeito punk meio grunge de se vestir". Katie Southwell, 13, de Bankstown, está aqui com os amigos para apreciar seu primeiro show do Green Day (a banda já esteve na Austrália duas vezes. Uma em 1996 e outra em 2000). Ela se tornou fã após ouvi-los no rádio de sua irmã e diz que sua música favorita é Boulevard of Broken Dreams "Embora todos odeiem essa". Ela conhece os CDs da banda (antes do American Idiot), principalmente porque seu pai os colecionava. Ela suspira e diz depois, "Ele é meio que um loser".

 

Do lado de fora com quatro amigos, Allan Fuller, 24, tem uma teoria para o porquê do Green Day poder espalhar seu 'encanto' dentre as gerações. "É o catálogo de músicas antigas deles. Todos conhecem as músicas mais antigas. Por isso todos gostam de Green Day".

 

Se a atmosfera do lado de fora do Superdome é excitante, dentro está perto de ser histérica. Claro, uma parte do crédito por tudo isso deve ir a banda de abertura, o Simple Plan. Eles provavelmente tem toda a substância de uma bolsa cheia de marshmallows e metade do valor nutritivo, mas é inegável o valor deles na conta. Enquanto a maioria das bandas de abertura batalham contra pistas cheias até a metade e qualidade baixa de som, o lugar está beirando a capacidade quando os Canadenses aparecem aclamados por gritos e camisetas do Simple Plan (duas garotas à direta do palco fizeram suas próprias, onde lia-se "Fãs Número Um do Simple Plan", e passaram os seguintes 30 minutos pulando pra cima e pra baixo, cheias de entusiasmo, como bombinhas epiléticas. E enquanto é difícil apreciar a sacarina de sua música - ou a zoação clichê, cantorias de "Aussie, Aussie, Aussie!" e constantes referências a Austrália como sendo o seu lugar favorito no mundo - tão difícil quando negar todo aquele lugar cheio de gente cantando o refrão de "Perfect" enquanto seguram seus celulares e isqueiros no ar, transformando o lugar de um container vazio a um cosmo de estrelas brilhantes.

 

Você pode freqüentemente julgar o quão primoroso é um público antes do show pela sua reação a música disparando sobre o PA. Hoje à noite, enquanto o grupo de apoio da tour do Green Day dá os últimos retoques no palco, a audiência não só canta a música 'YMCA' do Village People, como dançam também. E você acha que esse lugar está a ponto de ferrar com tudo. É, e é isso mesmo que vai acontecer.

 

Não é fácil apontar precisamente o que faz um frontman ser bom, ou que seja, uma boa banda, mas se você colocasse um vídeo instrucional para uma banda daquelas bem "queremos ser rockstars", você precisaria apenas ter filmado a noite de hoje. Do momento em que o Green Day surge ao palco e começa a quebrar tudo com 'American Idiot', o espetáculo é implacável - sete minutos depois, quando a normalmente 'música-de-três-minutos' termina, tivemos uma onda Mexicana¹ ("Quando eu disser três, faremos uma grande onda!" - comanda Armstrong). Duas rodadas de uma participação calorosa do público, bombas rápidas, fogo e dois diferentes panos de fundo. Cara, nem o Kiss consegue tudo aquilo com uma música só.

 

Mas há mais que só esses momentos rápidos, há mais do que só músicas boas. O Green Day, como é possível notar, age como se pertencesse a um palco desta proporção. Assim como um comediante sabe perfeitamente como fazer uma tirada, o Green Day tem a confiança e a experiência para prender a atenção de dezesseis mil pessoas por duas horas, e fazer isso parecer a coisa mais natural do mundo. Claro, eles sabem alguns bons truques - colocar alguns músicos no palco para tocar seus instrumentos; dividir a arena em duas metades para ver qual dos lados canta mais alto; Arrancar as melodias perfeitas de um cover do Queen (We Are The Champions) e dos Isley Brothers, a famosa "Shout" - mas eles são simplesmente o glacê do bolo. Duas horas passam como dois minutos. A mistura de músicas do American Idiot e dos clássicos é perfeitamente balanceada, e quando Billie Joe faz tudo isso chegar a um fim com a tão esperada "Good Riddance", o confete ainda cai da cobertura em cima do público e de tudo, fruto de um explosivo "When I Come Around", tocado anteriormente. A arena novamente se transforma num mundo brilhante de luzes.

 

"Somos uma banda há quinze anos e já viemos para a Austrália nove vezes!", diz o frontman, sorridente, acenando para o público no momento final. "E essa é a tour mais foda que já tivemos!".

 

Assim como a tour do Green Day pela Austrália foi razoavelmente chamativo, quase uma semana depois do show de Sidney nenhuma resenha apareceu em qualquer um dos jornais ou revistas. Isso considerando que o Green Day é atualmente é o sexto mais aparecido nas colunas e ganhou três discos de platina (Dookie levou quatro discos de platina, mas a gravadora espera que o AI ultrapasse esse número), parece algo que deixa surpresas. Não que isso importe, já que o que conta mesmo são as resenhas que vem dos fãs e o veredicto deles é unânime.

 

"Foi bom para caramba!", diz Kayla McLaughlin, entusiasmada. Vinda de Gymea e com quinze anos, ela ainda afirma: "Foi impressionante! Eu vi o 50 Cent, mas não foi tão bom quanto o Green Day!".

 

Nathan Parsons de dez anos, também de Gymea, concorda com ela. "Meu primeiro grande show foi do Kiss", diz ele, sorridente. "Mas isso é bem melhor!"

 

Dez anos atrás, todo mundo esperava a chama brilhante do Green Day arder para começar a estremecer tudo, e logo depois, explodir totalmente. Parece que teremos que esperar um pouco para ver isso acontecer.

 

O Green Day retorna ao Reino Unido para o tão comentado Milton Keynes Bowl nos dias 18 e 19 de Junho.

 

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Nota da Tradutora: O texto foi totalmente readaptado para melhor entendimento na língua em que foi traduzido e faz tanto sentido quanto o original. Algumas palavras foram metaforicamente colocadas, assim, não são como estão no dicionário. Isso é apenas uma nota para qualquer um que checar seu dicionário de inglês e perceber que algumas coisas não batem.

 

Por: Carol.