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Guitar Legends
    
Jovens, Altos e Nervosos
No verão de 1996, o Green Day
estava drenado pela ansiedade, enjôo e exaustão da estrada. A Guitar World
encontrou os rapazes enquanto eles relaxavam seus egos punks.
Green Day é uma banda da
Ford. O guitarrista/vocalista Billie Joe Armstrong dirige um Fairlaine de 1962.
O baixista Mike Dirnt tem uma Ford Van realmente antiga. Estas não são apenas
peças de exibição, elas funcionam!. Carros da classe trabalhadora americana,
definitivamente com uma pintura não-profissional. Não é o tipo de carro que a
maioria dos Rock Stars costuma dirigir.
O local de ensaio da banda não é muito grande também, uma garagem de uma pequena
casa alugada na região de Oakland, Califórnia. É o tipo de lugar em que qualquer
tipo de idiota local poderia pensar em ensaiar uma dança de colegial – um pôster
do Manowar na parede e alguns amplificadores e baterias. Quando o vento esta
vindo do lugar certo, e a porta esta aberta, pode-se sentir o cheiro dos
cadáveres do crematório da região.
“Cadáver... eu gosto desta palavra” diz Billie Joe. “Parece um tipo de pássaro
gigante ou coisa assim”. Atualmente, o cabelo de Billie é basicamente roxo, com
partes rosas e loiras pelo lado. Ele continua uma conversa com Dirnt, sobre
quais carros suas esposas planejam comprar.
“Eu falei para ela ‘Compre qualquer coisa que você quiser desde que não seja uma
Mercedes ou um volvo’” diz o baixista, que também é igualmente preconceituoso
com outro tipo de veiculo, a Land Rover: “eu poderia chutar cada uma dessas”.
Mas porque Green Day se mantêm preso as suas vidas de classe media? Se não é
apenas um aditivo para a imprensa (Billie Joe tem um Jaguar estacionado em sua
garagem) talvez seja um mecanismo de copia. Eles tiveram que lidar com muito
sucesso em pouco tempo. Em um dia eles estavam dormindo em colchões de amigos em
Berkeley. Logo depois, eles estavam na onda de seu primeiro CD por uma grande
gravadora, Dookie, em uma velocidade incrível e rumo ao seu sexto álbum de
platina. Pobres rapazes, não acham? Mas a banda teve que levar mais do que
apenas a sua bagagem ideológica na sua viajem para o topo. É culpa deles que seu
punk rock melódico era exatamente o que todos precisavam para preencher o vazio
deixado por Kurt Cobain? Mas junto do sucesso, a banda também recebeu o
ressentimento da primeira geração de punks, que os acusam de se tornarem ricos
fazendo algo que não inventaram. O trio também caiu em desavença na segunda
geração de punks que reconhecem que Armstrong, Dirnt e o baterista Tre Cool
venderam milhões. Porem tudo isto, é claro, não significa nada para a maioria
dos fãs da banda, muitos dos quais nasceram depois do sucesso das bandas dos
anos 70, como Ramones, Sex Pistols e Buzzcocks. Eles apenas sabem que Green Day
lhes da a adrenalina que bandas como Bush, Blues Traveler e Alanis Morissette
não conseguem fornecer.
Neste mesmo ano, parecia que o estrelato era demais para o Green Day. Eles
cancelaram uma grande turnê Européia enquanto ela estava apenas na metade –
simplesmente desligaram os aparelhos e foram para a casa. Muitos pensavam que
isso poderia significar o fim do Green Day. Mas os garotos insistiram em dizer
que precisavam de descanso e a razão do fim da turnê era cansaço extremo. Os
problemas de saúde de Dirnt e as vidas pessoais dos membros da banda (Cool e
Armstrong recentemente se tornaram pais, enquanto Dirnt é recém-casado). Eles
falaram que irão voltar e já trabalham em um novo álbum, substituto para o CD
duplo de platina Insomniac.
Armstrong e Dirnt já vêm de muito longe juntos para simplesmente desistir agora.
São amigos desde que tinham 10 anos. Billie ensinou Mike a tocar guitarra quando
eles ainda estavam na escola, em Rodeo, Califórnia, uma pequena cidade de classe
media ao norte de Berkeley. Eventualmente Dirnt mudou para o baixo, e ao invés
de uma banda com 2 guitarristas, um baixista e um baterista, Armstrong formou um
trio energizado. “O baixo de Mike realmente da uma segunda melodia ao Green Day”
diz Armstrong. “um contra-ataque aos vocais” Dirnt é uma arma secreta da banda.
É o tipo de baixista que segura sozinho uma banda sem chamar muita atenção para
si próprio. Sua personalidade brincalhona – veste calças de poliéster e uns
trecos – esconde uma quieta tolice planejada. Logo que conseguiram, Dirnt e
Armstrong se mudaram de Rodeo para Berkeley e começaram a fazer parte da cena
punk da cidade. Eles lançaram 2 albuns, 39/Smooth e Kerplunk, pela Lookout!
Records, antes de assinarem pela Warner Bros. e produzirem Dookie. Logo que
Dookie mostrou uma nova fase para a banda, Armstrong e Dirnt acreditaram que o
próximo álbum seria um salto ainda maior para a banda. Desta vez não comercial,
mas criativo. Os rapazes acreditam que o seu próximo CD será o mais ambicioso de
suas carreiras.
Irão eles desaparecer neste processo? Ou será que eles tem o poder para
ultrapassar gêneros e estilos? A resposta esta aparecendo exatamente agora,
dentro daquela pequena garagem com Fords estacionados do lado de fora.
Guitar World – Quando vocês descobriram o mundo do Punk Rock?
Mike Dirnt – Acredito que quando tinha 14 anos
Billie Joe Armstrong – Posso me lembrar de vários momentos diferentes. Teve
esses 2 caras que me apresentaram coisas como D.O.A. e os Dead Kennedys. Então,
na 7ª serie, tinha uma garota na escola que costumava trazer discos como TSOL e
dizia “hei, escute isto!”. Mas acho que comecei a realmente entrar neste mundo
em 1987 com Turn It Around, um disco duplo de 7 polegadas lançado pela
[revista-fã de punk] Maximumrocknroll.
GW – Definitivamente punk californiano
Armstrong – A maioria eram bandas da área do porto [e São Francisco]. Há uma
certa quantidade de bandas com um som realmente profundo por aqui,
principalmente se tratando dos anos 80.
GW – Billie, de onde você tira sua percepção musical?
Armstrong – De todo canto. Eu não me limito a apenas a uma área. Eu gostava
de Paul Westerberg e Bob Mould, e eu acho que começou aí. The Replacements e
Hüsker Dü são provavelmente as bandas que mais me influenciaram. Muitas pessoas
tentam falar de onde tiramos nosso som. E normalmente só falam merda.
Dirnt – Sempre ouvimos pessoas falando como nos queríamos soar como os
Buzzcocks. Eu nunca tinha ouvido falar nos Buzzcocks quando começamos.
Armstrong – Eu pensei que nós éramos o The Clash. Ou então os Ramones?
Dirnt – Em primeiro lugar, ninguém consegue soar como essas bandas. E em segundo
lugar, estas são provavelmente minhas ultimas escolhas na minha coleção de cds.
Armstrong – Na minha também. São todas bandas que eu comecei a gostar depois.
GW – Muita gente diz que vocês soam como os Dickies
Armstrong – Os Dickies gostam de pensar isto. Eles pensam que influenciaram
todo mundo. Mas eles são basicamente mais uma copia dos Ramones.
Dirnt – Eu nunca tive um álbum dos “Dickies”, apesar disso eu fui a um show
deles. Eu fui em um de seus shows na Bekerley Square. Eu os vi na época de nosso
segundo álbum. Mas naquela época nós já tínhamos feito muitos shows, então isso
realmente não faz sentido
Armstrong – Aqueles caras devem ser os maiores velhos bastardos que eu já ouvi
falar. Para eles é tudo “Deveria ter sido nós” Bem, foda-se, não é. E nunca vai
ser. Você é velho e nunca vai escrever uma música boa durante o resto da sua
vida.
GW- Vocês recebem muito ressentimento das primeiras gerações de bandas de
Punk Rock?
Armstrong – Ás vezes, mas não tanto. Henry Rollins enfiou um graveto na propria
bunda. Ele é outro bastardo amargo e velho. Basicamente ele se queixa porque
temos mais dinheiro do que ele tem. Mas hey, Henry, você é um fudido. Você nunca
esteve perto de ser o melhor cantor do Black Flag e você nunca escreveu letras
naquela época. Então eu deveria te foder o que você acha?
Dirnt – A única banda que teria o direito de ser amarga foram os Ramones,
porque, porra, eles sempre estiveram juntos. Mas mesmo assim, eu não tenho
ressentimentos por uma das bandas de punk rock mais influentes – provavelmente a
maior banda de punk rock do mundo.
Armstrong – Como podem se queixar? Há bandas que eram mais influentes para mim
que nunca chegaram a ser conhecidas e ainda assim não estão reclamando. Pegue o
que você gosta e aprecie isso. Eu não comecei no punk rock pra começar famoso.
Mas era um fato comprovado que você não poderia ser famoso para tocar musica
punk rock. Deus, nós tínhamos aproximadamente seis anos de banda antes que nós
estourássemos completamente – de 88 á 94. Nós fizemos 2 albuns e 3 EP’s.
“Eu tinha ataques de pânico todos
os dias – Mike Dirnt”
Dirnt – Este era um momento de bandas como Guns’n’Roses e Van Halen estarem no
topo.
Armstrong – Você sabe quem é outro bastardo velho? Johnny Rotten. Ele soa como a
minha avó ás vezes. Ele realmente soa velho. E ele é tão previsível em seus
comentários sobre nós. Eu quero dizer, seja mais original. Tente e venha com
algo novo. E ainda, algumas coisas do P.I.L (banda pós-Pistols de Johnny) foi
uma completa merda, tanto quanto eu estou interessado.
GW – Então o que aconteceu com a última turnê? Por que a terminaram antes do
previsto?
Armstrong – Porque estávamos acabados. Estávamos há uns dois anos e meio na
estrada, sem parar.
Dirnt – Eu tinha ataques de pânico todos os dias. Os médicos me davam Xanax e
Prozac todo o tempo. Eu não fazia isso. Eu só tomava Xanax quando eu estava com
náuseas e não podia subir no palco. Eu iria morrer. Eu dizia: “Oh Deus, eu
preciso me deitar!”, então eu acordaria seis horas mais tarde só por exaustão.
Armstrong – Eu nunca pensei que eu começaria a um ponto onde eu sentisse como eu
estava fingindo me divertir no palco. Mas basicamente eu estava só no embalo.
Nós estávamos no fim da nossa corda. Eram principalmente eu e Mike –
completamente exaustos. A primeira tour que fizemos foi em 89. Então, estávamos
em tour, sem parar, por sete anos. E nos últimos dois anos estávamos sempre em
viajando.
Dirnt – Também eu tive problemas de coração nos últimos anos, onde eu sentia que
estava tendo pequenos ataques de coração todo o tempo. Os médicos não sabiam o
que era isso. Eu estava no ponto em que ficava doente de procurar isso. Se isso
pode me matar, vai me matar. Está acontecendo a um longo tempo. Mas isso está
ficando pior. Eu estarei lá e repentinamente eu sentirei como se alguém
estivesse enfiando uma agulha em meu peito.
Eu basicamente vou cair ao chão, arfante. Então meu coração sempre batia
rapidamente. É um problema assustador para se ter em uma parte do corpo da qual
eles não sabem como consertar.
GW – Então o término cedo da turnê, não quer dizer o fim do Green Day? Ou
vocês estão cansados da coisa toda?
Armstrong - Não. É exatamente isto: Eu não quero me cansar do Green Day. Isso é
porque nós paramos a turnê.
GW – Insomniac. É o primeiro álbum onde vocês parecem começar dentre outros
personagens – de um ponto de vista que não é necessariamente o seu. Como “Brat”
por exemplo.
Armstrong – Eu gosto de escrever na primeira pessoa porque eu, de preferência,
falo merdas de mim mesmo em vez de outras pessoas. Eu gosto de criar
personagens. Aquela canção é sobre como a inveja se desenvolve em ciúmes.
GW - Vocês foram um pouco de ar puro depois do grunge. Vocês ajudaram
trazendo musicas fortes e concisas de volta ao rock.
Armstrong – Bom, nos escrevemos músicas rock’n’roll. Nós somos uma banda de
rock. Nós somos extrovertidos e exibicionistas. Não somos seguidores – sem
chance. Somos dementes. No palco, eu quero tirar a porra das minhas roupas e
mostrar meu pau pequeno para todo mundo. Eu vou ser totalmente detestável e rude
e cuspo no olho de todas as merdas de bandas heavy grunge que já vieram.
Dirnt – São legais aquelas pessoas que entenderam a diferença nossa para o
Grunge. Eu realmente gosto de Nirvana, mas há uma diferença entre nós e eles. Eu
acho que muitas pessoas nos colocariam na mesma classe.
GW – O grunge tem esse vibe do metal que não é uma parte de sua música.
Dirnt – Yeah. Sabbath ou alguma coisa. Deep Purple – tipo merda.
Armstrong – Hey, preste atenção, camarada. Quem é Kashmir? Não, realmente eu sou
um metaleiro, de muitas formas. Eu acho que Metallica – Master of Puppets é um
dos melhores albuns de metal de todos os tempos. E eu realmente gosto da
qualidade do som do último álbum do Pantera. A bateria e as guitarras são
enormes. Isso pode parecer uma coisa improvável para eu dizer, mas eu gosto de
Pantera.
Dirnt – Eu tive uma má reação com o metal quando eu era mais jovem.
Repentinamente eu odiei, não dava pra continuar com isso. Isso é porque tudo de
bom está no Soundgarden, sempre foi difícil para mim gostar deles. Suas letras
de música estão melhorando, mas eu ainda não ligo para os vocais altos. E Alice
In Chains – as músicas deles tudo bem, mas você vê eles ao vivo e é como “Deus,
esses caras estão fodendo o metal”. O baixista é uma máquina de cabelo do
caralho. Eu conheci esses caras e eles estão com botas pretas, jaquetas de
couro. Eles são caras legais, mas você apenas não pode os levar a sério. Quando
eu vi eles ao vivo, eles estavam muito separados da multidão. Eu acho que o seu
vocalista realmente tinha problemas com isso. O que quer que seja, o nome dele
é...
GW- Lane Stanley
Dirnt – Yeah, Lame.
Armstrong – Quando o Nevermind veio, todos estavam indo para aquele “Butch Vig
Big Muff Sound”. A gente só não podia fazer isso. Em vez de soar mais alto,
estaria decaindo. Muita saturação com tal fixação soaria como merda. Mas eu acho
que Guns’n’Roses – Appetite for Destruction é realmente um bom som. Eu gosto
muito daquele álbum. Eu não estou envergonhado de dizer isso. Eu gosto muito do
guitarrista do The Cure também. Robert Smith escreve ótimas músicas, e toca bons
sons na guitarra. Eu gosto de Elvis Costello e das músicas que ele toca na
guitarra também. Você é um fã do Bush?
GW – Não.
Armstrong – Bom. Eu acho que aqueles são alguns dos sons mais lixos que eu já
ouvi em toda a minha vida. Aquela música “Glycerine” tem que ter o som mais
porcaria da eternidade.
Dirnt – Eu não gosto dos efeitos de vocais que eles usam.
Armstrong – Eu falei muita merda sobre o Smashing Pumpkins, mas eu acho que o
som da guitarra em “1979”, é realmente bom. E é assim a canção própria.
Dirnt – Eu acho que nós falamos muita merda do Smashing Pumpkins mais por
diversão de como eles eram patéticos. Especialmente Billy Corgan. Eu acho que
seria melhor se ele não tivesse feito tanto rebuliço, dele tocando guitarra
certo quando eles puseram no primeiro álbum deles, como: " eu toquei a maior
parte da guitarra nesse album. Qualquer outra coisa que você ouviu demais sou
eu, não james!”(Iha) [risadas].
GW – O que é viver apenas para a definição do punk de outra pessoa? Ou ser
dito que você tem traído esse ideal?
Armstrong – Eu não posso pensar em qualquer coisa menos punk do que
estabelecendo um jogo de regras. Eu não ajusto nenhuma regra em mim mesmo. Eu
não vivo por qualquer expectativa. Eu sou totalmente auto-suficiente. Isso é que
é punk pra mim, não uma atitude alcoólica
Dirnt – Eles estão com medo da mudança.
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