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Combat Rock!
Em um dos álbuns de punk rock mais ambiciosos em anos, Billie Joe Armstrong do Green Day declara guerra ao governo, religião e tudo o mais que ele puder encontrar pela frente.
Por Alan Di Perna
"Eu pareço um veadinho nas luzes agora." Billie Joe tem o direito de estar nervoso, ele está às vésperas da estréia ao vivo de American Idiot, no Henry Fonda Theatre em Los Angeles. O álbum mais poderoso do Green Day e a primeira ópera punk-rock do mundo, American Idiot é um trabalho diversificado repleto de raiva política, introspecção pessoal, personagens, um enredo (bem, mais ou menos...) e idéias musicais que se aventuram muito além das rápidas, curtas e altas convenções naturais do punk rock.
"Quando estávamos fazendo este álbum, havia momentos em que eu pensava que as pessoas fossem imaginar que havíamos perdido a cabeça," confessa Armstrong. O frontman do Green Day está muito elegante, vestindo uma camisa preta, gravata, uma calça jeans justa e uma aplicação de delineador de forma bem artística e bagunçada. O que Armstrong um dia apelidou de "Período do Elvis Gordo" está bem no fim. O guitarrista está dedicado em combater o peso.
Ele tem necessidade de existir. Existe muita liderança em American Idiot. Enquanto o Green Day é o respeitado patrão do pop punk dos dias de hoje, o trio não aparece no topo das paradas há tempos e sua última tentativa de estúdio, Shenanigans de 2002, foi um fracasso. Mais de uma década de carreira, o Green Day iria se beneficiar em se reinventar, ou pelo menos, reposicionar a "marca" Green Day no mercado, através de um argumento musical fortíssimo.
E American Idiot é definitivamente isto. E ainda mais, sua criação parece ter sido predestinada. O Green Day já havia conseguido completar as gravações de um novo álbum de estúdio, o sucessor para o Warning: de 2000 (E Armstrong diz que seria uma mistura entre este e Nimrod.), quando as fitas master do álbum foram roubadas do estúdio.
"Nós tínhamos cerca de 20 músicas e um dia elas simplesmente desapareceram. Nós pensamos até em regravá-las, porém não conseguíamos olhar para nós mesmos e dizer 'Isto é o melhor que já fizemos até hoje.' Então, decidimos seguir em frente e fazer algo completamente novo."
NASCIMENTO DE UM IDIOTA
A primeira música a aparecer foi "American Idiot," que mais tarde viria a se tornar a faixa-título do álbum e sua canção-chave. Uma combinação muito bem feita de guitarras rasgadas mostra uma música que aponta o dedo na cara da mídia corporativa do hoje, uma onda orquestrada de paranóia e estupidez de massa que viraram a característica da vida das pessoas sob a administração de Bush.
" 'American Idiot' veio de quando eu assitia ás transmissões loucas da guerra na CNN, Fox e MSNBC quando tudo começou," diz Armstrong. "Eles tinham aqueles repórteres tipo 'Geraldo' nos tanques com os soldados, dando relatos minuto-a-minuto. Parecia comentários de um jogo de futebol americano. Eu senti que a mídia havia cruzado a linha entre jornalismo e TV Real. Eu acho que estamos vivendo na última hera da realidade televisiva. Todo mundo estava grudado na televisão assistindo aos horrores de 9/11 ou a guerra no Iraque e eu também estava. Porém, ao mesmo tempo, os repórteres são cortados por comerciais que são alocados estrategicamente na programação. É muito confuso. Você se sente meio que usado, parece que você perde a sensação de que tem sua própria individualidade."
"American Idiot" é um pedaço do Green Day clássico, melodicamente infecciosa, guiadas pelas palhetadas poderosíssimas de Billie Joe. Armstrong tocou a dobra da música em sua mais que confiante guitarra Les Paul Junior de 1956. Um dos dois principais eixos de Billie para a gravação o álbum e esta Junior já está com ele desde os tempos de Warning, quando ele se apaixonou pela guitarra e pelos seus captadores P-90. "Com os P-90, você consegue fazer tantas coisas com o controle de volume," ele diz. "É só você abaixar um nível e você já tem um som totalmente diferente."
Armstrong tocou sua Les Paul Junior em um antigo amplificador Park de 100 watts com modificação de volume principal por Bob Bradshaw (A Marshall fabricava amplificadores Park nos anos sessenta e setenta e os vendia na Inglaterra. Eles são Marshalls, com o nome Park). Chris Barnett mais tarde alteraria o amplificador para ficar com um som mais seco, quase que um som para vocais. Este amplificador foi o principal que Armstrong usou para as gravações, junto com um antigo Marshall de 100 watts modelo SLP Plexi de 1959, que também teve a mãozinha de Chris Barnett.
"Para este álbum," diz Armstrong, "nós dizíamos 'Vamos arregaçar o som de guitarra, ligue as Les Pauls nos Marshalls e bote para foder!' Isto sim é Green Day para mim." Para os solos, ele tocou uma reedição da Les Paul flame de 1959, datada de 2002 e apelidado de "Booty," esta guitarra foi a segunda principal arma de Billie para o álbum.
"O solo de American Idiot foi feito em dobra, assim como muitos solos do álbum. Nunca toquei tanta guitarra em um álbum como toquei agora. Eu decidi que, se é hora de fazer um solo, eu vou tocá-lo e pronto. Antes eu pensava que nem seria tão importante, eu deixava para lá, pensando que fosse ser piegas. Mas este álbum tem aquele sentimento de quando você tem 15 anos de idade e fica tocando na frente de um espelho."
Uma sucessora melódica e raivosa para os clássicos "White Riot" e "Janie Jones" do The Clash, "American Idiot" se provou forte demais para ser seguida. Mas o baixista da banda, Mike Dirnt encontrou a fórmula: Relaxamento Cômico.
"Mike estava um dia sozinho no estúdio," Armstrong lembra. "Ele estava gravando uma música de 30 segundos, parecia algo de um jingle, era muito engraçada. Então, eu disse 'Quero fazer uma dessas também.' Então escrevi uma música de 30 segundos e depois, o Tré fez uma e assim foi indo. Eu comecei a levar as coisas mais á sério enquanto estávamos nos desafiando. Nós ficamos conectando estas partes até que chegamos a algo."
LIÇÕES DE HISTÓRIA
O que tinham conseguido era "Homecoming," a penúltima faixa de American Idiot. Uma suíte musical, "Homecoming" e sua oposta "Jesus Of Suburbia," são mini óperas-rock e com relação á isso, devem muito à Pete Towshend do The Who. Foi ele quem criou a forma quando em 1966 fez "A Quick One While He's Away" e usou isto novamente em '67 na música "Rael", pavimentando o caminho para o pioneirismo musical do The Who na ópera-rock Tommy, de 1969. Assim como as mini óperas de Towshend, "Jesus Of Suburbia" e "Homecoming" chegam a quase 10 minutos de duração e consistem de fragmentos musicais intercalados por partes vocais bem estruturadas que transformam a música em um perfeito pop seja nos versos, refrão ou nos bridges.
"Eu queria ter uma parte melhor que a outra, boom, boom, boom, bem encaixadas," diz Armstrong. "É algo intrigante de se fazer, as transições são as partes mais importantes." Assim como Towshend que partiu de escrever mini-óperas a realizar um feito com Tommy, Armstrong foi abençoado ao escrever "Jesus Of Suburbia" e "Homecoming" para fazer do álbum, um conceito único, completo com enredo e personagens. "Assim que você abandona aquela estrutura verso-refrão, verso-refrão," ele diz. "Você fica com a mente aberta para um novo modo de escrever, onde realmente não existe regra alguma. E uma vez que você escreve algo como 'Jesus Of Suburbia,' não existe volta. Você tem que seguir em frente e fazer algo sério. É um momento assustador. Não existe desculpa. Se você vai fundo, vai fundo até chegar nas chamas."
Felizmente, Armstrong tinha várias décadas de história do rock para se inspirar, incluindo um pequeno, mas poderoso canhão de óperas rock. Suas preferências nisto tudo refletem suas influências fortíssimas dos precursores do pop punk. Por exemplo, Armstrong diz que foi muito mais influenciado pela estrutura de power chords de Quadrphenia do que pelo rock clássico de The Wall do Pink Floyd.
"Nunca gostei de Pink Floyd. Nunca. Para mim, o Pink Floyd sempre foi o maior exemplo de enrolação. Não tenho paciência para escutar àquilo. Assim, tenho um enorme respeito pela banda. Sem eles, provavelmente não poderíamos fazer um álbum como este, mas sempre preferi Towshend. O Green Day sempre veio do lado do pop da coisa, onde está o The Who, Cheap Trick e The Jam. Eu acho que a raiz do pop punk e o power pop."
Óperas-rock à parte, American Idiot é um exemplo de referências musicais aos dias gloriosos do rock n' roll. Os ouvintes mais estudados irão escutar traços de Bowie, Sex Pistols, Bruce Springsteen, John Lennon, The Beatles e o enorme drama das sinfonias adolescentes de Phil Spector através da grandeza revolucionária de London Calling do The Clash.
"É ótimo usar álbuns como aquele como referências e mais nada," Armstrong enfatiza. "Para nós, American Idiot é sobre pegar estes elementos clássicos do rock n' roll, jogar as regras fora, colocar mais ambição e fazer deste, o grande lance. Ambição é a chave. Viver ao máximo seu potencial de compositor, se você entende onde as bandas estão hoje em dia, Hoobastank ou o que quer que seja. Não acho que você consegue comparar o que estamos fazendo com algo daquilo. Eu acho que seríamos mais bem comparados com algo como Outkast, pois o hip-hop é conhecido por sua ambição, que seja pela grana ou por fazer álbuns que tenham um tema ao redor dele, com personagens como Slim Shady. É bem isso o que estamos querendo criar com este álbum."
Dadas tais inspirações, não é surpreendente que a banda tenha se curvado á musicais de teatros tradicionais para inspiração. "Nós escutamos West Side Story, The Rocky Horror Picture Show, Grease e Jesus Christ Superstar," diz Armstrong. "Estas eram mais referências do que tínhamos em como se fazer um álbum desta forma."
PERSONALIDADE DRAMÁTICA
Jesus Of Suburbia, a personagem principal da obra de Armstrong, surgiu diretamente de "American Idiot". "Eu comecei a pensar, 'Quem seria o exemplo perfeito de um americano idiota?," diz Armstrong. "E eu inventei o Jesus Of Suburbia. Eu escrevi os dois primeiros versos e eles combinaram, especialmente quando eu estava cruzando a linha entre o governo e religião e fodendo com isto um pouco. Eu não entendo porra nenhuma da Bíblia, então eu escrevi a minha própria."
Os heróis das óperas-rock, Tommy, o Pink de The Wall, geralmente se tornam figuras messiânicas em algum ponto de sua trajetória na narrativa. Mas o "Jesus Of Suburbia" de Armstrong é um Messias de mentira, um "todo mundo" sem poderes, anestesiado pela televisão e por uma "Dieta á base de refrigerantes e Ritalin."
"Ele é um anti-herói, na verdade," diz Armstrong. "Mas era bem isso o que eu estava procurando. Esta é a diferença entre uma ópera-rock e uma ópera punk-rock, eu acho. Ela vem mais da perspectiva de um garoto classe-média do subúrbio."
Que vem ser a própria visão de Armstrong. Ele admite que existem elementos autobiográficos na personagem. Por exemplo, na música "East 12th Street", "Jesus Of Suburbia" ou alguém como ele, acaba preenchendo uma papelada em um escritório. "Existe uma delegacia de polícia na East 12th Street em Oakland (Terra-Natal da banda)," Armstrong revela. "Depois que eu fui preso por DUI (Driving Under The Influence = Dirigir bêbado), eu tive que preencher uma papelada enorme para satisfazer meus requerimentos de serviço à comunidade."
Ao longo de "American Idiot", Armstrong faz uma linha direta de conexão causal entre a disfunção social americana (Casas quebradas, garotos tomando Ritalin e Reality shows) e a ascendência de Bush. "O Bush é um garoto Ritalin que acabou se tornando o homem mais poderoso do mundo agora," Armstrong diz. "Nós somos um país pacífico, a nação Prozac. As pessoas estão colocando band-aids nos problemas e acham que está tudo bem. Elas são os tranqüilizantes do governo, façam com que todos aceitem as regas, os droguem e encham-os de merda."
A raiva política de Armstrong está mais explícita na terceira faixa de "American Idiot," "Holiday". Não é díficil achar as referências de personagens políticas em versos como "The representative from California has the floor/Zieg heil to the president gasman."
“Esta parte mostra os políticos falando o que eles realmente gostariam de falar,” ele explica. “Usando essa linguagem que faz as pessoas ficarem putas, como ‘kill all the fags’.”
É assustador o quão perto a ficção de Armstrong fica da recente realidade política. Afinal de contas, foi apenas em Julho último que o Vice-Presidente Dick Cheney pisou em solo do Senado americano e mandou o Patrick Leahy “Se foder!” Diz Armstrong. “Eu acho que basicamente, Cheney mandou a América se foder.”
A outra personagem que conhecemos em American Idiot é St. Jimmy, um punk rocker lutador pela liberdade por excelência. Jimmy parece um fragmento acima de outros Jimmys do Rock – Outro protagonista de Quadrophenia e o inspirador garoto punk que aparece em “One Hundred Punks” do Generation X, uma das bandas favoritas de Billie – Mas Armstrong insiste que isto não é de propósito.
“Jimmy é apenas um dos nomes. Poderia ser Saint James, mas é um nome mais moderno. Tipo, meu nome não é William, é Billie. Se existe um paralelo para Quadrophenia é o lado esquizofrênico que as personagens tem.”
A terceira personagem da trindade punk de Billie é Whatsername, introduzida na faixa “She’s A Rebel.” Armstrong diz que a música foi inspirada em partes na música “Rebel Girl” do Bikini Kill e coincidentemente, Kathleen Hanna, vocalista da Bikini Kill tem uma participação vocal em American Idiot. Whatsername, a quem Armstrong designou uma popularidade meio que anônima, é basicamente uma “Mãe da Revolução,” o contraponto punk rock para o pintor Eugene Delacroix, o irônico e forte emblema da Revolução Francesa.
“Ela na verdade é o nêmesis de St. Jimmy em muitos aspectos,” diz Armstrong. “O tema constante do álbum é Raiva x Amor. ‘Você pode fazer parte da Rebelião cega da autodestruição, onde St. Jimmy se encontra. Mas existe um lado mais de amor que rola em paralelo á isto, que é seguir suas crenças e sua ética. E é esta direção que Jesus Of Suburbia quer seguir.”
Assim como excelentes óperas-rock do passado, a resolução do enredo de American Idiot é indeterminada, se não confusa. “Nós tínhamos a primeira parte do álbum, de “American Idiot” á “St. Jimmy” escrita,” diz Armstrong. E nós tínhamos o final “Homecoming” e “Whatsername.” Então, ficamos tentando descobrir como que iríamos completar aquele terceiro quarto, que na verdade é o clímax de tudo o que acontece com todas as personagens.
St. Jimmy comete suicídio… Ou será que não? “É mais uma morte figurativa,” diz Billie. “Não quero dizer muito, mas você vai acabar descobrindo, se ler as letras com atenção que na verdade Jesus é Jimmy. Então, é apenas uma parte da personagem principal que morre de fato.”
Jesus Of Suburbia meio que perde sua conexão com Whatsername também. No fim, ele está sozinho. Assim como o Tommy de Towshend, se perguntando o que deve ter acontecido a ela. O refrão implicante do álbum "Nobody likes you/Everyone left you/They're all out without you/Having fun" lembra um "see me/feel me/touch me/heal me" pós-moderno, assim como todo roqueiro que se respeita, Armstrong diz, "Eu preferiria que as pessoas descobrissem o que isto significa para elas."
TECNOLOGIA IDIOTA
American Idiot foi gravado basicamente em dois estúdios de Los Angeles. A banda começou a trabalhar no Oceanway Recorders e então foram para o Capitol Studios para a segunda parte do projeto. "É meio que um álbum Los Angeles de certa forma," diz Billie. O produtor Rob Cavallo gravou as baterias em uma antiga máquina de fitas analógicas Ampex e cortou o balanço do álbum, incluindo guitarras em Pro Tools. Os Park e Marshalls de 100 watts de Billie Joe mencionados anteriormente, foram utilizados em várias combinações.
"Nós simplesmente dobrávamos a segunda guitarra e então colocávamos tudo o que fosse preciso," diz Billie. "Por exemplo, quando 'City Of The Damned' se transforma em 'I Don't Care,' o som de guitarra fica mais cheio, pois adicionamos o Marshall e minha Les Paul Flame. Em 'City Of The Damned' e outras músicas, nós mudávamos o sinal de guitarras e a mandávamos para um outro amplificador, sem estar diretamente ligado nele. Distorcíamos o canal direto e então tínhamos aquele velho som de Beatles na época de Revolution ou um som tipo Mick Ronson (guitarrista de David Bowie)."
E mais, Cavallo eventualmente colocava um pedal de distorção Zinky entre a guitarra e o amplificador usando-o para atenuar, ao invés de aumentar o ganho da guitarra. Isso cria um tom com um ataque fortíssimo, mas de rápida resposta e faz com que cada acorde seja definido perfeitamente em uma música punk rápida como "American Idiot." Na última faixa, Cavallo também usou um filtro para criar aquele pequenino porém safado som de guitarra na introdução da música, que contrasta perfeitamente com a parede de guitarras escutada no corpo da música.
Uma coleção de amplificadores menos poderosos completava os Park e Marshalls de Billie, dando ainda mais variedade sonora ao álbum. "Eu também tinha um Hiwatt de 50 watts (Um DR504 também mexido por Chris)," diz Billie. "Cada uma das cabeças entravam em uma cabine de caixas de 4 x 12. E para alguns dos menores sons no álbum, nós usamos combos da Fender, como uns Deluxes e Twins. Tinha também um amplificador de boutique, um Victoria, feito por um cara na Califórnia do Norte, é basicamente um Fender Twin."
Ao longo de American Idiot, Armstrong usou o velho truque de completar o som de guitarra com generosas doses de violões, principalmente um Yairi, com um Gibson J200, como segunda opção. "O violões tocam em cima e embaixo do que Tré está fazendo com a bateria," diz Billie. "Aquilo te dá um som percursivo enorme, algo que dá uma pegada pequena na orelha."
Os violões são a atração principal em músicas como "Boulevard Of Broken Dreams," "Wake Me Up When September Ends" e "Give Me Novacaine," onde Armstrong usa um Capo na quinta casa. "Eu não gravei nenhum dos violões direto de propósito," ele diz. "Por algum motivo, isso tira o ataque, deixa o som mais suave. Então, para os violões usamos microfones o tempo todo."
Armstrong usou um Wah Cry Baby para uma das partes de guitarra em "BOBD," mas o tremolo distintivo da música foi criado em Pro Tools. "Eu toquei os acordes e depois mexemos no computador, colando um em cima do outro," ele diz. "Foi algo difícil, pois o tremolo do Pro Tools deveria estar em sintonia com o tremolo da música o tempo todo."
PAI DO QUE?
American Idiot é o esforço mais ambicioso de Armstrong até hoje em termos de estrutura de guitarras e criação de músicas. Mas as clássicas ambições rock n' roll do álbum permanecem perfeitamente fundadas no sólido, abafado modo de tocar sua guitarra ritmo que já virou sua marca registrada. O som que lançou um milhão de bandas pop punk. "É algo meio louco, pois a maioria destes garotos tocam um pouco mais precisos do que eu," ele diz. "Existe meio que arte nisto, eu acho que é mais difícil tocar uma boa guitarra rítmica do que copiar Jimmy Page. É algo muito físico. Muitos guitarristas de riffs não conseguem fazer isto. A mesma coisa com bateria. Você pode ter um baterista excelente, mas quando você diz 'Toque uma música punk rock' eles tiram rapidinho."
De suas próprias inspirações para seu estilo de tocar, Armstrong diz, "Antes de fazermos Dookie, eu estava escutando muito o primeiro álbum do Generation X e Sex Pistols, aquele som de guitarra típico do Johnny Ramone e do Steve Jones. Tem alguma coisa naqueles power chords. Existe muito tom neles. Você escuta cada um deles perfeitamente quando Steve toca."
Billie se sente um tanto quanto incomodado em sua posição de patrão do pop punk. "É disso que me chamam? Eu nunca achei que ser detestável faria com que as pessoas gostassem de mim ou que eu as inspirasse. Mas acho que muitas destas bandas apenas pegam algumas coisas do que faço, tanto que seja colocar bastante melodia em suas músicas ou fazer piadas horríveis." |