Entertainment Weekly

 

A Hora da História do Rock N' Roll

Álbuns-Conceito do Green Day e Elvis Costello? Que punk!

Para velhos punks, as oportunidades de carreira são limitadas, para ser sincero. Eles podem continuar tocando na Warped Tour ano após ano ou se tornarem uma banda da nostalgia, assim como fez os reformulados Sex Pistols. Ou julgando pelos novos álbuns do patrão da era-alfinete Elvis Costello ou dos trintões do Green Day, eles conseguem fazer algo verdadeiramente punk: ignorar o crescimento da distribuição de músicas  pela internet e criar um álbum temático com as músicas conectadas umas às outras que o obrigam a escutar o álbum do começo ao fim. Agora que os CDs podem ser mais facilmente desmembrados, com a ajuda de um programinha da iPod o que é mais inesperado que reviver os álbuns-conceito?

Desde assinar com uma major sendo os pioneiros para o mosh, o Green Day nunca escondeu sua ambição. American Idiot, que conta as sagas de dois personagens, o viciado em televisão Jesus Of Suburbia e o niilista St. Jimmy, que juntos lutam contra um mundo revirado pela guerra e contra a "Era Histérica da Informação", é uma coisa e tanto. O álbum se encaixa na metodologia das óperas rock ou em álbuns como Tommy do The Who: músicas com múltiplas seções, dardos líricos mirados na cabeça do Homem e uma história que, periodicamente, não faz sentido algum. Uma garota vem e vai e um dos caras - que pode ser um dos dois - morre e volta para "casa", onde quer que seja.

Tudo isso faria qualquer um pegar um álbum do Ramones e por para tocar no lugar deste. Mas, o Green Day, de Billie Joe Armstrong, faz com que a jornada seja interessante o suficiente para você não fazê-lo. Em vários momentos, American Idiot evoca hinos de jogos de futebol, aquele rock cru dos anos 50, marchas militares, classic rock (Escute "Strawberry Fields Forever" e "All The Young Dudes") e o passado da própria banda ("Wake Me Up When September Ends", o final perfeito de sua "Good Riddance (Time Of you Life)".

Assim como acontece com muitos álbuns-conceito, o álbum procura centrar as atenções nas letras além da música, então, algumas das músicas são esquecíveis. Mas agora, o Green Day está jogando lama não apenas em sua audiência, mas ao Complexo Militar Americano onde "existe uma bandeira enrolada nas conquistas dos homens" e a guerra vai de "Anaheim até o Meio-Oeste", sem perder o seu senso de humor de moleques e seus "power chords".