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Blunt
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PUNK PRIMA
DONNAS
Ter
dado um tempo de 4 anos, as estrelas do punk, Green Day, soa mais inspirados do
que nunca em seu 9º álbum, American Idiot, um álbum conceitual que usa o clima
político atual como combustível para executar uma ópera punk rock emotiva que
está muito além do que qualquer um poderia esperar do trio. Há apenas algumas
semanas de seu lançamento, Matt Reekie da Blunt frita Billie Joe Armstrong, Mike
Dirnt e Tré Cool sobre a motivação por trás do American Idiot.
"É muito difícil dizer as palavras Green Day, política, álbum conceitual e ópera
punk rock todas em uma mesma frase", diz um impaciente Billie Joe Armstrong. Eu
digo impaciente porque ele e seus companheiros de banda Tré Cool e Mike Dirnt
estão agora atrasados para o ensaio que o Green Day arquiteta para pegar a
estrada correndo com o lançamento de seu novo álbum American Idiot. Mas eu
também sinto que ele está impaciente porque não está bem seguro como o mundo vai
ver essa última criação do trio, um álbum conceitual com tons políticos e
finalmente, dois grandes épicos de 10 minutos.
"É difícil saber o que as pessoas irão pensar," ele bravamente admite. "Nós
veremos o que vai acontecer. Eu estou tão satisfeito com ele, o sentimento que
eu tenho por ele agora é um que eu quero lembrar."
Prestes a soltar a primeira ópera punk rock do mundo, talvez a compenetração de
Billie é justificável, apesar de você pensar que ele deva estar acostumado com
isso agora. O Green Day basicamente sofreu um retrocesso de um tipo ou de outro
depois do lançamento de cada um dos seus lançamentos anteriores, e American
Idiot é sua maior aposta até agora.
No começo era mais muito mais fácil. Não havia riscos. 15 anos atrás, ninguém
ligava para o punk-rock, não havia dinheiro envolvido, e, certamente para os
punks dos anos 80 da cena da Gilman Street em São Francisco, pouca fama. Quando
alguns fãs de Operation Ivy de 16 anos formaram uma banda, pode ter certeza que
não houve protesto, mesmo que eles escolhessem o pegajoso nome de Sweet
Children. A mesma coisa aconteceu quando o guitarrista/vocalista Billie Joe
Armstrong (nascido William Armstrong), o baixista Mike Dirnt (nascido Michael
Pritchard) e o baterista Al Sobrante (nascido John Kiffmeyer) mudou seu nome
para Green Day e lançaram os EPs Slappy e 1,000 Hours. Poucas pessoas tomaram
conhecimento desses. Um deles foi Lawrence Livermore, dono da Lookout Records,
que tinha cantado no The Lookouts com um jovem baterista chamado Tré Cool
(nascido Frank Edwin Wright III). Logo após adicionar Tré ao grupo, o Green Day
gravou seu álbum de estréia pela Lookout, 39 Smooth.
Naquela época, era apenas um negócio sem muita ambição. Naquela fase, não havia
história para sujar nos olhos dos fãs, porque de fato, não havia velhos fãs
ainda. Foi apenas quando o Kerplunk de 1992 ousou ser bem sucedido o suficiente
para atrair o interesse dos grandes selos que o lamento dos fãs começou. Como
esperado, quando o Green Day finalmente assinou com a Reprise Records em 1994
havia todo tipo de merda jogada em sua direção do underground. A resposta da
banda? Dookie, o álbum que os colocou em evidência graças às musicas
perfeitamente construídas para a MTV como "Longview", "Basket Case" e "When I
Come Around". Vendendo mais de 15 milhões de cópias, o Dookie levou o Green Day
e o punk a um nível totalmente novo de aceitação das massas. Convenientemente, o
trio estava agora perfeitamente colocado para o papel de bode expiratório do
movimento pop-punk inteiro, quando a velha guarda manifestava seu
descontentamento no abandono do idealismo punk e sua elevação de música de gueto
a um conceito comercial. Parece que até mesmo difícil para nomes como Ace Of
Base e Boyz II Men desafiar o Green Day nas tabelas comerciais.
Nesse meio tempo, entre o Insomniac de 95 e o Nimrod de 97, eles cancelaram meia
turnê por causa de cansaço, e isso deixou puta metade da Europa. Enquanto,
quando o Nimrod foi lançado, eles tomaram mais merda de fãs antigos
insatisfeitos por causa de sua balada acústica "Good Riddance (Time Of Your
Life)", ironicamente escrita sobre um ex-fã decepcionado. Ouvi-la sendo tocada
sem parar no episódio final de Seinfeld em 1998 só fez a situação piorar. Agora
em seguida, o Warning de 2000 decepcionou ainda mais fãs com suas experiências
ocasionais, quanto a coleção de singles Internacional Superhits de 2001 e a
compilação de raridades, Shenanigans de 2002 deu combustível para os do-contra
não só para gritarem que o Green Day não apenas se vendeu, mas que também não
tinha mais forças.
De fato, tirando as duas músicas inéditas do International Superhits ("Maria" e
"Poprocks & Coke"), a única música nova que nós escutamos desde o Warning foi
"Life During Wartime", uma música de protesto que foi lançada apenas online em
Março do ano passado. Até agora.
"Definitivamente, em termos de desse sentimento de inspiração, eu não acho que
tenhamos realmente trabalhado mais em qualquer outro álbum do que nesse," Billie
declara.
Mas a inspiração certamente levou muito tempo para vir. Tendo reagrupado em
2003, Billie, Mike e Tré originalmente sentaram tentando re-descobrir sua paixão
pelo punk rock, despejando quase um álbum inteiro de materiais que serviriam
para um novo álbum. Entretanto, inexplicavelmente, as fitas foram roubadas do
estúdio e a mão do Green Day foi segurada.
"Depois que nós saímos da turnê," explica Tré, "idéias começavam a aparecer,
músicas estavam sendo escritas, nós colocamos um monte de músicas juntas e as
gravamos, mas elas foram roubadas. E não diria que tínhamos um álbum completo,
mas nós meio que tínhamos. Então nós poderíamos tentar gravar as mesmas músicas
novamente, mas nós poderíamos correr o risco de que quando nós fossemos
lançá-las, alguém poderia lançar as músicas roubadas. Então nós não olhamos para
trás, apenas seguimos em frente, esperando que quem quer que tenha roubado
esteja mantendo essas outras fitas a salvo.
Enquanto você esperaria muito choro depois dessa tragédia de meses e meses de
trabalho duro perdido - sem mencionar a raiva e a dor de ser roubado por alguém
de seu próprio circulo interior - a vida no estúdio, para o Green Day quase
perdeu a batida para Tré.
"Você não entende como Billie trabalha," ele diz. "Ele é o general, ele é o
professor louco, ele tem essas idéias para músicas - Eu tenho certeza que ele é
assombrado pela canções - e ele tem que ir ao estúdio e gravar. No estúdio, o
Billie pensa na música saindo de sua cabeça e na fita, e nada mais."
Entretanto, enquanto concorda que a decisão de continuar gravando era óbvia, a
idéia para um álbum de conceito político não estava nem perto de estar
totalmente pronta. Isso foi decidido depois de uma inesperada magia de estúdio
de Mike.
"Levou um tempo para nós nos sentarmos juntos e descobrir o que realmente
queríamos fazer, e como seguir em frente," Billie diz, antes de Tré retomar a
história.
"Billie e eu estávamos longe do estúdio um pouco e pediram ao Mike que
produzisse uma música de 30 segundo para preencher o tempo. Nós voltamos, foi
super divertido, como Vaudecille, foi incrível e legal. Então o Billie disse,
'Hey, eu quero experimentar.' Billie entrou e fez uma música de 30 segundos.
Então eu entrei e fiz uma música de 30 segundos. Então o Mike entrou e fez uma
música de 1 minuto, então Billie fez uma música de 1 minuto, então eu fiz uma
música de 1 minuto, nós só continuamos a fazer isso."
"Nós apenas continuamos a aumentar a aposta," Mike adiciona. "Em pouco tempo
tínhamos uma boa música de 10 minutos. Isso marcou algo novo, que era realmente,
realmente divertido e a energia criativa era inacreditável."
"Como cada um de nós escreveu uma parte diferente," continua Billie, "criou-se
esse arco onde de repente passou de uma piada para algo bem sério. Então nós nos
olhamos e dissemos, 'isso é o que nós devíamos estar fazendo. Vamos fazer isso.
Foda-se.'"
A música de 10 minutos foi trabalhada gradativamente e se tornou na incrível
"Homecoming" do American Idiot. É essa faixa e a igualmente ambiciosa "Jesus Of
Suburbia" que vão levar os fãs do Green Day a uma jornada mais distante que eles
já foram. Se a história é justa, eles vão reclamar.
Mesmo assim, apesar dos movimentos do álbum de ir além dos sons clichês do Green
Day, há pelo menos cinco músicas com potencial comercial para se encaixar a
qualquer uma do passado do grupo. Ainda, American Idiot é um pacote inteiro que
nunca soa como um trabalho de uma banda trancada tentando escrever singles de
hits.
"Nós não tínhamos prática de banda, nós apenas entramos e começamos a puxar um
monte de idéias," explica Billie. "Nós começamos a inventar vários personagens
como Jesus Of Suburbia, St. Jimmy, e nós os colocaríamos em lugares como o 11 de
Setembro em Turdtown, EUA. Nós nos sentávamos e realmente escrevíamos para onde
a história estava indo. Então você chega a uma parte da história e vê um grande
buraco e diz, 'Alguma coisa tem que acontecer aqui.' Era como escrever um
romance. Tudo era uma coisa grande então era muito trabalho.
A produção do American Idiot reflete a preocupação com o assunto também. Apesar
de apresentada como um trabalho de corpo inteiro, cada faixa foi composta de
acordo com sua própria característica. Uma música, "Extraordinary Girl" começa
com 40 segundos de tablas e percussões tocadas por Tré e gravada com um ideal
particular em mente.
"A idéia era fazê-la soar como a última rádio funcionando em um prédio
bombardeada em Bagdá," Tré revela. "Eu gravei aquilo no dia que lançaram a mão
de todas as bombas. Naquele dia inteiro eu estava com o coração partido, eu
chorei pra caralho, eu não conseguia acreditar. O que nós capturamos muito nesse
álbum é sentimento e emoção. Há muitos momentos de arrepiar nesse álbum. Coisas
que fazem o cabelo da sua nuca levantar enquanto você pensa, 'Oh, merda, isso
sou eu, essa é minha vida.'"
Billie é rápido em concordar, afirmando que honestamente foi um grande assunto
para ele quando escrevia as letras. Enquanto a narrativa era completamente
ficcional, há uma verdade absoluta aparecendo, provavelmente graças ao quando
ele se deu ao conceito.
"Uma coisa que eu estava tentando superar é o medo," Billie admite. "Essa é a
coisa principal que te bloqueia a escrever uma coisa política ou conceitual.
Você pensa, 'oh, Deus, as pessoas vão pensar que eu estou cheio de merda.' Ou,
'As pessoas vão pensar que eu sou arrogante.' Você tem que lidar com essas
coisas. Você pode ter amigos que discordam completamente com o que você está
fazendo, mas você tem que superar esse medo e dizer, 'Foda-se, vou deixar
rolar.'"
Mas enquanto o American Idiot pode ser construído como um choro do coração e um
apelo por sanidade, Billie salienta que de forma alguma deve ser associado com
emo, ou screamo, ou qualquer coisa dessas.
"É muito importante para nossa banda seguir nosso próprio caminho e não entrar
em qualquer gênero por falta de criatividade," ele diz, enquanto ele, Mike e Tré
se preparam para correr para o ensaio. "Eu nunca conseguiria me ver fazendo uma
música emo e chorando e sendo preso e merdas do tipo. Para mim, eu sou uma
pessoa do rock'n'roll, eu sempre fui desse jeito. Há uma coisa flamboyant sobre
rock'n'roll que eu amo, e isso é o que eu queria fazer nesse álbum." E, apesar
de ter sido mordido 5 vezes, Billie ainda está preparado para ver qual será a
reação. "Nós veremos qual definição as pessoas vão inventar para ele", ele ri.
"Mal posso esperar."
O American Idiot será lançado dia 21 de Setembro através da Warner. |