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Bass Player
      
DOIDOS DA CABEÇA
Mike Dirnt.
Se os Sex Pistols começaram o punk, parece que o Green Day vai mesmo é
terminá-lo. E o baixista Mike Dirnt está amando cada segundo...
Se agachando e se protegendo: Joel Mciver.
"Don't wanna be an American Idiot!" grita o frotman Billie Joe Armstrong em
2004, lamentando a administração de Bush e nós britânicos o amamos por isto,
levando sua banda ao lugar mais alto dos charts com seu último álbum, que também
chama-se American Idiot. Com uma ironia presumidamente intencional, o Green Day
(Mais o baixista Mike Dirnt e baterista Tré Cool) tem sido aquilo mesmo,
americanos idiotas profissionais - por mais de uma década agora, mexendo sua
cabeça para câmera dentro do palco como fizeram no começo da carreira com seu
vídeo de "Basket Case". Liderados por riffs pegajosos e a cozinha cadenciada e
afiada de Dirnt e Cool, o som do Green Day é um que a América (e outros
territórios como o Planeta inteiro), trouxe ao entusiasmo absoluto, fazendo do
trio se não o primeiro, mas com certeza o mais rico, fenômeno punk até
hoje.
"Estamos nos divertindo muito, estamos em todos os lugares," diz Mike Dirnt para
a Bass Magazine quando nos encontramos...
Bass Magazine: Como vai a vida?
Mike Dirnt: Ótima! O álbum tem se dado muito bem, nós amamos a canção
"American Idiot" que já sai abrindo as portas. Sonicamente, ele te deixa para
cima. Mas, a letra parece mais com uma briga de mãos.
BM: Por favor, me diga que não é um pré-CBS Precison Bass que você acabou de
destruir no palco...
MD: Ha ha! Não... É uma versão mais moderna com o braço da Telecaster. Na
verdade, eu tenho uma linha de baixos que saiu com minha assinatura. Eu passei
dois anos desenvolvendo ele e agora vende mais que bolo quente. Já vendeu cerca
de 1.700 deles. Há uns dois anos atrás, eu pedi para a Fender fazer para mim um
P-Bass de 1951 com um braço escuro. Eles ficaram loucos, pois praticamente
ninguém no mundo havia feito um daqueles! Braços claros ficam muito brilhosos
quando você os vê bem de frente, mas o escuro já é brilhante de natureza. Aquele
som "fino" que incomoda a orelha quando você escuta já é algo também bastante
relevante. Ele tem um corpo legal e todoas as cordas tem o mesmo volume, o baixo
todo tem muito poder e sempre pensei que, com um pescoço daqueles (Pescoço do
baixo é onde as tarrachas das cordas são presas) não iria parecer tão pequeno e
iria balancear o baixo melhor. Como se você fosse combinar o sapato com a camisa
haha... Você não iria notar o equilíbrio que tem nem em um milhão de anos,
ele simplesmente parece melhor.
Então, pedi para adicionarem uma caída meio anos 50 no baixo, então você não tem
que ficar raspando seu braço naquele corpo reto e os captadores que colocamos
são relançamentos dos Pro-Shop de 1959, é foda. Eu sempre os trocava por Antigos
Seymour Duncan's e eu sempre suspeitei se aqueles iriam dar conta do recado, mas
os coloquei e ficaram maravilhosos. Na ponte, uso o Badass II, que é á prova de
balas. E fiz questão de termos os melhores capacitadores e os botões de metal.
Até mesmo a chave de posições é foda.
BM: Você quis tudo nos mínimos
detalhes então...
MD: Sim, Eu digo para as pessoas que eu construi uma caminhonete FORD F-150,
mas que se parece com um Chevrolet! (Como se os britânicos fossem entender isto
- Ed.). Ele não é muito pesado,como um P-Bass de linha normal. Mas, o mais
interessante é que os captadores não ficam no escudo, você pode tirá-lo,
trocá-lo, pintá-lo de qualquer outra cor e por de volta ou simplesmente não
usá-lo. Um garoto de seis anos com uma chave Phillips consegue tirar aquilo. E,
ao invés de colocar minha assinatura nele, coloquei uma estrela personalizada,
igual a que eu tenho no meu pulso que fiz para Estelle, minha filha.
BM: É fácil tocar nele?
MD: Eu conheço caras que tocam com Alembics e Moduluses e outros baixos que
são bem fáceis de se tocar e eles pegam em meu baixo e começam devagar! Eles
falam "Cara, esse é difícil de tocar!" Mas então, se acostumam e o adoram...
BM: O que mais você possui?
MD: Agora, estou tentando colocar no set um baixo com o corpo de uma Gretsch
Broadcaster. Tenho outros baixos, mas os P-Bass dão conta do recado, Tenho uns
com pescoços escuros, uns claros... Todos soam diferentes, pois cada pescoço foi
modulado diferentemente. Alguns são convexos, alguns côncavos, alguns retos e
cada um tem um tom e uma pegada diferente, pois a madeira é um pouco mais velha
e seca, ou porque o pescoço combina bem com aquele corpo ou sei lá eu...
BM: Como você sabe se um baixo vale a pena ficar ou não?
MD: Eu simplesmente ligo um baixo, toco uma corda ou faço isso
acusticamente, e vejo se não existe nenhuma nota que soa mais forte que a outra.
Então, estou pronto.
BM: Muitos dos melhores baixistas voltam a tocar com um Fender após anos.
MD: Sim. Les Claypool, por exemplo. Vou pescar com ele ás vezes e ele é um
baixista incrível, mas sempre indeciso com seu som. Ele tocou com um Jazz Bass
em Sausage, não foi? Muitos baixistas voltam mesmo para baixos Fender após
um tempo. Até mesmo o Flea me disse que ele queria trocar para um P-Bass e um
Ampeg ao vivo.
BM: Que amplificadores você
usa?
MD: Há anos atrás eu usei muito uns cabinetes da Sunn e alguns Ampegs.
Sempre fui muito fã de coisas da Sunn, apenas há um tempo atrás eu descobri que
a Fender é a dona da Sunn! Então, eu disse para eles "Vocês me conseguem uns
amplificadores?" E eles disseram, "Bem, estamos consolidando tudo sob o nome
Fender." Então, quando estava terminando meu baixo, fui até o quartel-general da
Fender no Arizona e me disseram, "Você deveria testar esses amplificadores." E
eu disse (sem estusiasmo) "Sim, bem..." Porque agora estou em um patamar em que
posso comprar qualquer amplificador que eu quiser tocar, certo? E os testei. Foi
foda! Eu e meu técnico nos olhamos e dissemos "WOW!" É muito difícil combater um
Ampeg e eu estava tocando com uns Mesa/Boogie's, mas estava procurando um som
diferente desta vez e estes pareciam mais presentes. Os SVT tem um som final
muito bom, mas as vezes nem tanto. O som é extremamente limpo quando sai do meu
amplificador.
BM: Você baixa a afinação como os punks de verdade?
MD: Nós sempre tocamos em Mi (E) padrão, mas baixamos meio-tom por causa dos
vocais. Mas agora, voltamos para Mi (E).
BM: Como vocês são um trio, como você faz para ocupar os buracos deixados
pelos solos de guitarra?
MD: Bem, nosso som de guitarra é altíssimo! Qualquer coisa que eu faço, eu
tento cortar alguns buracos no som do Billie Joe. Eu uso um pedal dedistorção
leve e agora eu uso um Ziggy Master Blaster, mais um ganho de peso, só para
deixar o cabelo das pessoas de pé quando o baixo precisa preencher o som da
guitarra quando entra um solo. Eu uso a distorção separada do pedal de peso.
BM: Qual foi o seu primeiro baixo?
MD: Meu primeiro baixo foi um que comprei em uma loja de penhor e tinha duas
cordas espanadas, um E (mi) e um A (lá). Minha mãe comprou. Era um pedaço de
lixo, era um baixo dos anos 60 com uns botões. Então, consegui um emprego e
economizei 200 dólares e comprei um Peavey. Eu na verdade toquei um Gibson
Grabber com 3 captadores. Eu deixei o Peavey cair e ele quebrou no meio, então
tive que comprar o "G3". O cara me vendeu por 180 paus e então ouvi o quão bom
ele era e disse, "caralho!" Toquei com ele em uns 700 shows. E então, quebrou o
pescoço de novo.
Eu usei um Les Paul também, que também era um lixo. Baixos interiços não se dão
muito bem com o clima e eu também gosto de tacar meu baixo no chão no fim do
show, para fazer um barulho ensurdecedor. Mas então, o Billie me deu meu
primeiro P-Bass, de 1969 e grudei neles desde então.
BM: Você se incomoda com baixos de cinco cordas e baixos sem traste? Ou são
muito progressivos para você?
MD: Eu toco baixos de cinco cordas de vez em quando, mas não preciso deles.
Ás vezes baixo uma D (ré) apenas para mover o ar, mas já passei muito tempo com
os quatro cordas! Existe muita coisa para ser dita com relação á quatro cordas e
criatividade. Lembre-se Jaco (Pastorius, um dos maiores baixistas do mundo)
também usava um de quatro cordas.
Eu toco um pouco de baixos sem trastes, mas prefiro tocar com um baixo certo.
Aquilo realmente dá força a mais para suas mãos. Eu toquei em um de oito cordas,
mas ali você toca guitarra basicamente. Eu tenho uma guitarra barítona! É uma
guitarra simples...
BM: Quais foram suas influências para tocar baixo?
MD: Quando eu era garoto, adorava o Tommy Stinson do Replacements (e hoje em
dia nos Guns And Roses) e sempre fui fã do Paul McCartney. Mesmo não tocando
como ele, prefiro pensar com ele, apenas para me sentir apreciando o baixo. A
simplicidade dele é fantástica. Bem blues e jazz ao mesmo tempo. John McVie
também, mesmo o Fleetwood Mac sendo um prazer culposo, todas as suas músicas têm
ótimas linhas de baixo. E o Cliff Burton do Metallica, claro, pela sua
agressividade.
BM: E com relação aos baixistas punks?
MD: Paul Simonon, claro! Sempre respeitei o ótimo baixista de reggae que
sempre foi. "Rock The Casbah" tem uma linha de baixo fantástica, escute como ela
vai aumentando. Mas hoje em dia fico pensando muito em tocar como o rock moderno
britânico, como Radiohead ou até mesmo Coldplay. Bem econômico, mas que dá um
belo resultado. Que nem o Hüsker Dü. Você está tocando e de repente não está
tocando e deixa as coisas no ar. Eu toco acordes também, mas tento não exagerar,
ás vezes toco algumas coisas que penso serem matadoras, mas exageradas e também,
quando toco ao vivo, minhas mãos estão bem ocupadas.
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