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Total Guitar
PUNK SPECIAL
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GREEN DAY Em 2004 o Green Day gravou o maior álbum de sua carreira. Scott Rowley se encontrou com Billie Joe para falarem sobre American Idiot e os virtuosos vs. o debate do punk...
Estamos em Dublin, mas parece que estamos na Islândia. Em algum lugar do Atlântico, um furacão está se formando e por isso uma enorme massa de ar gelado acaba sendo despejada para os lados da Irlanda: aqui está molhado, com muito vento e parece que é Novembro e não Agosto. Em nosso caminho do aeroporto, a taxista de uns 50 anos de idade está impressionada pelo fato de estarmos em Dublin nestas condições para encontrar uma banda, bater um papo, tirar umas fotos e depois ir embora para casa no dia seguinte. “Green Day?” ela diz pensando. “Nunca ouvi falar deles. Agora me sinto velha, que tipo de música eles tocam?” Punk, nós dissemos. “Ainda tem punk aqui? Eu achei que isso tinha acabado com os Boomtown Rats...”
O Green Day está em Dublin para tocar no Ambassador, um local que acolhe 1.000 pessoas, um pequeno show de aquecimento antes de serem a atração principal nos Festivais Reading/Leeds e uma chance para ver como as canções de seu mais novo álbum “American Idiot” se portam ao vivo. O tipo de pop punk que demonstraram no mainstream em 1994 – mais de 15 anos depois da tentativa de assassinato do punk por Bob Gedolf e seus Boomtown Rats – acabou se tornando o prato principal. Os EUA parecem ter uma frota inesgotável de pop punkers californianos alegres, enquanto na Inglaterra, os rapazes de marketing se tocaram que bandinhas como Boyzone ou Westlife já não mais satisfazem os garotos como antigamente.
O resultado? Busted e McFly: bandas “reais” com guitarras cortantes que produzem canções pop de três minutos e que coincidência – grandes hits – todos tem cara de boy bands. $$$.
Então, o que uma banda de veteranos punk na casa dos trinta anos pode fazer? No caso do Green Day, decidiu produzir o melhor álbum de sua carreira, um álbum que não deveria funcionar mais absurdamente funciona: uma ópera rock completa com roteiro, personagens e canções de nove minutos. Se soa egoísta, espere até ouvi-lo: a realidade é uma hora do mais puro punk rock que, com todas as canções juntas, te tocam em um nível ainda mais profundo. As canções de nove minutos na verdade, são compostas de 5 mini-canções ligadas umas nas outras. Os refrões são absurdos. As idéias legais. E a guitarra de Billie Joe, a melhor de sua carreira: de licks do punk rock á solos cortantes até riffs épicos do glam rock de Mick Ronson e riffs obscuros como de Sabbath, tem um gosto clássico e uma clássica performance. Em outras palavras, é o álbum de punk do ano, sem dúvidas.
Quando as pessoas ficaram sabendo que o Green Day ia gravar um álbum conceito com óperas rock, sobrancelhas se levantaram. As pessoas mais próximas da banda enlouqueceram? “Um pouco,” disse Billie Joe. “As pessoas diziam ‘mas que diabos estão fazendo?’ – Assim, Green Day, ópera punk rock, álbum conceitual, canções de nove minutos, estas palavras não caem muito bem em uma mesma sentença. Então sim , existia um medo, mas para mim era mais ou menos ‘As pessoas terão que escutar para entender, ainda é o Green Day.”
Crescer em uma banda punk sempre foi um problema: Como você progride sem se vender? Como você fica mais “maduro” sem ficar entediante? Não existem muitos modelos para isso também: o Sex Pistols acabaram depois de apenas um álbum e o The Clash deixou o punk rock puro para trás em London Calling. Da nova leva, o Offspring apareceu com um álbum que é bem a cara dos outros (mas não tão legal), enquanto o Blink 182 deixou as piadas de lado e fez um álbum que era legal, mas bem menos engraçado que antes.
O Green Day graças á Deus não perdeu o seu senso de diversão. Billie Joe senta conosco com uma beça de uma ressaca de Hades após tomar todas com seus companheiros de banda na primeira noite na cidade, enquanto Tré Cool anda por aí contando piadas e parecendo com o figurante de um dos filmes de Bugsy Malone. (Quando escuta que a cia. Aérea Irlandesa Aer Lingus perdeu o tripé e as luzes do fotógrafo McMutrie durante o vôo, Tré diz: “Aer Lingus? É igual á cunnilingus? Eles têm uma Aer Llatio também?” Ele faz uma voz de propaganda de televisão: “A cia. aérea chupadora de paus!”)
“Eu odeio a palavra ‘crescido’ ou ‘maduro’,” diz Billie Joe. “Você apenas tem que seguir o caminho que sua banda segue, sabe? Você tem que ir lá e mandar ver, na verdade. Eu sempre me surpreendo como um punk, e, além disso, ainda tenho que crescer como músico e indivíduo. E o lance é, não é sobre isso que prega o punk? Ser um indivíduo e fazer as suas coisas?”
“Para nós tudo sempre começa com o punk rock e então temos a pergunta de como vamos prosseguir: Como você vai fazer isso e partir dali sem copiar o jeito que outras bandas progridem? A gente estava era se divertindo muito no estúdio e foi assim que tudo surgiu. Eu escrevi a canção American Idiot – já tinha escrito dezenas de outras, mas American Idiot era mil vezes melhor – e então a gente disse ‘É daqui que devemos partir’.”
E também foi uma oportunidade única para que as jams de guitarra começassem. “Este foi a gravação na qual eu mais toquei guitarra,” ele nota. “Mas eu apenas gravei o que a canção pedia. Antes eu não gravava os solos ou nada mais, mas desta vez eu queria sim gravar o solo e qualquer outra coisa que coubesse na canção.”
“Quando eu estava aprendendo a tocar eu apenas queria tocar canções das bandas que eu gostava como Ain’t Talking ‘Bout Love do Van Halen e tal, mas comecei a escrever canções quando eu tinha 14, 15 anos de idade e eu queria muito tocar minhas próprias canções e isso aconteceu logo na época do Green Day e quando eu já me interessava por punk.”
Billie Joe nunca comprou uma revista de guitarra, mas na época não faria sentido algum, pouquíssimos artistas do punk acabavam aparecendo nas revistas. As mesmas apenas mostravam qualquer arpeggio de Yngwie Malmsteen, mas ignoravam guitarristas menos floreadores, e é uma divisão que existe até hoje nas páginas da TG, virtuosos vs. punks.
“Eu ouvia metal quando eu tinha unas 13, 14 anos de idade. Eu adorava Metallica, Megadeth e Van Halen quando eu era bem jovem. Eu nunca fui muito fã de Black Sabbath, mas comecei a gostar deles depois. São duas filosofias diferentes. Muitos punks negam que apreciam a música em si e que querem melhorar, enquanto metaleiros tendem a ser mais virtuosos. Você tem que achar o seu espaço nesse meio, onde você não é um rei dos solos, mas ainda sim toca coisas bastante interessantes.”
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Foto: Green Day, o que acontece quando punks crescem – e de forma alguma isso é algo ruim.
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LENDA DO PUNK!
BILLIE JOE ARMSTRONG
Você o conhece por sua: Guitarra Stratocaster Fernandes com seu captador humbucker e suas atitudes no palco.
Melhor momento: Welcome To Paradise. Quem diria que um riff de três acordes tão bobo soaria tão imenso?
É impossível dizer exatamente que tipo de revelação o Green Day era quando explodiram no mainstream e se deram bem em 1994. Punks melódicos estão sumidos hoje em dia, mas até então, fãs de guitarra tinham apenas duas opções: o grunge miserável e cheio de cabelos ou o Britpop. Não existia um meio termo. Então, apareceu Dookie, vendendo dez milhões de cópias e todo o maldito mundo, mudou.
E no meio disso tudo, estava Billie Joe Armstrong. Um compositor com talento fenomenal e sua genialidade cai no fato de que ele tinha tudo o que é preciso para ser um virtuoso, apenas escolheu não ser um. A canção sempre veio primeiro. E que canções fantásticas elas eram. Da abafada de Basket Case aos power chords diretos de Longview, cada canção cortava com uma agressividade que contrastava com sua capacidade de grudar: “Você não deve ter medo do seu instrumento,” ele disse certa vez sobre guitarras. “Você tem que atacá-lo!”
Ok, então, um pouco dessa atitude amoleceu no fim dos anos 90 e comecinho do ano 2000, mas canções como Time Of Your Life e Minority na verdade revelaram uma técnica de palhetadas acústica surpreendente. E agora, claro, com o amedrontador American Idiot, Billie Joe recolocou a banda no topo dos hit-makers. Nada mal para um cara que costumava terminar os shows de sua banda beijando a boca do baixista!
Foto: Billie Joe: “Quem é seu papai?”
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APRENDA A TOCAR
GREEN DAY
WELCOME TO PARADISE Um single clássico de 1994 da maior banda punk de hoje em dia. Céu mesmo...
Com o sucesso de bandas como Alkaline Trio e Fall Out Boy, o punk rock está experimentando mais uma vez, um renascimento. Mas uma banda que voa pelos campos do punk rock por mais de dez anos e, geralmente citada pelos novos como sua maior influência, é o Green Day. E o álbum seminal que os colocou definitivamente no mapa é Dookie, de 1994.
Um enorme hit na América, o álbum vendeu mais de oito milhões de cópias só nos EUA e mais dois milhões de cópias no resto do mundo, graças á constante exibição de canções como Basket Case, Longview e Welcome To Paradise na MTV. Este foi o terceiro álbum da banda, mas o primeiro em uma gravadora major (Reprise Records).
Você consegue ouvir facilmente as referências de bandas punk inglesas no som da banda e também de bandas new wave, como Stiff Little Fingers e The Jam. O guitarrista e vocalista Billie Joe Armstrong tem um set up nada complicado e ainda usa a sua primeira guitarra (que ganhou quando ele tinha 11 anos de idade), uma cópia da Stratocaster com a marca Fernandes. A guitarra tem dois captadores single e um humbucker, mas sempre usa o último. Outras guitarras com as quais ele toca incluem uma Fender Jazzmaster e Jagstang, uma Gibson SG, ES-135 e ES-335, uma Rickenbacker e uma cópia de sua Blue, feita pela Fender. Billie utiliza principalmente uma réplica de seu Marshall 100W 1959 original através de caixas 4 x 12 da Marshall de 1960. Ele ainda utilizou um Fender Bassman e um HiWatt através de caixas com um super bass da Marshall.
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MEU TOP 5 ÁLBUNS DE PUNK...
BILLIE JOE ARMSTRONG (GREEN DAY)
THE UNDERTONES – The Undertones (1978) “Uma canção atrás da outra nesse álbum é algo maravilhoso. Ele teve uma tremenda influência para mim e foi muito poderoso e original. É um álbum cheio daquela energia autêntica e crua e adoro o som das guitarras desse álbum.”
THE CLASH – Give ‘Em Enough Rope (1978) “Eu escolhi esse por que é meio que o álbum renegado entre o primeiro da banda e London Calling. As pessoas acho que não pegaram o brilhantismo desse álbum, mas acho que é uma coleção de canções bem poderosa.”
THE POGUES – If I Should Fall From Grace With God (1988) Foi um álbum muito subestimado e contém um toque humano especial e inconfundível. Shane McGowan é fantástico e adoraria trabalhar com ele um dia. “Ele traz uma magia para a música que ninguém nunca conseguirá fazer igual.”
NO MEANS NO – Wrong (1989) “Isso é punk rock, mas ainda sim é limpo e incrível, uma fantástica mistura de estilos: jazz, swing, uma viagem de energia por todo o álbum. Esse lançamento de deixou estupefato.”
DILLINGER FOUR – Midwestern Songs Of The Americas (1998) “Esse álbum leva o punk grudento á um novo nível. A banda toca realmente muito alto, com muita melodia e mesmo não sendo os melhores cantores do mundo, você consegue ouvir a paixão na voz deles. Fantástico.”
Por: Tércio Testa.
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