Rob Cavallo

Quem é Rob Cavallo?
Rob Cavallo é o produtor do Green Day desde o álbum Dookie. Ele faz com que a banda consiga desenvolver aquele som perfeito, cru e maravilhoso em cada álbum que a banda grava. Rob Cavallo não produziu o álbum Warning, o qual recebeu centenas de críticas negativas de fãs e críticos, embora muitos outros fãs, incluindo eu mesmo, simplesmente adoraram o álbum.E agora, a lenda está de volta. Rob Cavallo foi visto no estúdio produzindo o mais novo capítulo da história discográfica do Green Day, American Idiot.O trecho a seguir é uma entrevista de Rob com Bud Scuppa:

Isto vai parecer um daqueles capítulos das sagas literárias de Tinseltown.  A história é a seguinte: O ano é 1987 e o Gun's and Roses dominam o reinado do rock. O jovem Rob Cavallo, filho do lendário produtor musical Bob Cavallo ( do qual a lista de artistas tem seu começo nos anos 60 e inclui the Lovin' Spoonful  e se extende até Seal, Weezer, e Alanis Morissette  nos anos 90)  é contratado pelo diretor do departamento de relação com artistas da Warner Bros./Reprise, Michael Ostin  para uma posição de estágio no departamento.Ostin,  filho do famoso Mo Ostin, figura carimbada no meio musical é o típico chefe-amigo e como presidente da Warner/Reprise, ele sabe que ser filho de pai bem sucedido, famoso e talentoso é uma faca de dois gumes:  O lado bom são as oportunidades que lhe provém, mas o lado negativo é o fato de você ter que sempre ser o melhor e não deixar chance para falhas, com o objetivo de honrar o nome da família.  E para Rob,  que tem um orgulho enorme de seu pai, zelar pelo nome da família não é qualquer coisa. Ostin tras Cavallo  pacientemente e comprometido,  sabendo que erros são comuns e fazem parte do aprendizado. Conseqüentemente, quando as primeiras tentativas de assinar bandas de Cavallo  começam a falhar, Ostin  reage com segurança ao invés de intimidação.  Vamos para o começo dos anos 90. Cavallo,  que estava meio que "hibernando" no cenário executivo, enquanto aprendia truques com os melhores executivos e produtores do showbiz, assina com a banda neo-punk de Bay-Area Green Day  para a Reprise Records e co-produz seu primeiro debut por uma gravadora major, Dookie. De repente, (Rob diria "finalmente!"), Cavallo Filho chega no patamar de reconhecimento de seu pai.  O pessoal de outras gravadoras ficam implorando para produzir sua mais novas conquistas neo-punk. Rob acaba sendo promovido de um "homem baixinho em cima de um totem" (como ele mesmo diria) para Vice-Presidente Senior e acaba se tornando responsável por quatro vezes mais o número de artistas que antes.

Nesta mesma cena, datada de Setembro de 1995, Cavallo, agora com 32 anos de idade, está em seu escritório checando as vendagens do mais novo lançamento do Geen Day, Insomniac (o qual ele também co-produziu), e escutando as re-mixagens de Tom Lord Alge para a música "Naked," que será o próximo single do Goo Goo Dolls depois da estréia de "Name." A banda Goo Goo Dolls é contratada da Warner Bros. e Rob trabalha para a Reprise; As duas companhias são entidades separadas hoje em dia, mas ele trabalha para o departamento de artistas das duas Cias. uma vez que a Warner e a Reprise são irmãs gêmeas, portanto, o Goo Goo Dolls permanece como um artista seu. Além disso, ele se identifica com a banda: Assim como ele, os caras ralaram para conseguir se espaço e estourar como um foguete. Então, vamos falar sobre isso:

Addicted To Noise:  Eu estou muito curioso para saber como era sua vida antes do álbum Dookie ter sido multiplatinado.

Rob Cavallo:
  Na verdade, o engraçado é que a minha vida é meio que a mesma. Existem sim, algumas mudanças que são realmente engraçadas e muito boas.  Você trabalha com vários artistas diferentes.  Você tem bastante gente procurando você.  As pessoas te escutam mais, achando que você sabe mais que eles.  Tipo, "Oh,  ele vendeu vários álbuns.  Ele deve saber de algo!"  Bem, na verdade,  eu sei exatamente a mesma coisa que eu sabia quando ainda não tinha vendido nenhuma porra de um cd.   

ATN:  Quais eram as suas expectativas para o Dookie?
Cavallo:
Billie [Joe, guitarrista e vocalista do Green Day]  e eu pensamos que,  se eles conseguiram vender 30.000 cópias de um cd na Lookout  apenas no boca-a-boca, provavelmente uns 100 mil garotos espertos o suiciente iriam se ligar no que estávamos fazendo."  Isso foi o que nós pensamos. Nós nunca dissemos que iríamos chegar a disco de ouro. Nunca.

ATN: No que mais você trabalhou?
Cavallo:
  Eu produzi dois álbuns da banda The Muffs. Fiz um álbum do Jawbreaker,  que é da Geffen,  produzi os dois álbuns do Green Day.  Produzi algumas coisas também para a trilha sonora do filme Angus  - O Comilão:  Eu produzi uma música do Weezer.  Eu  remixei e adicionei uma marcha de banda para a música "Am I Wrong?" da banda Love Spit Love,  eu produzi uma faixa da banda Dancehall Crashers [do selo  510/MCA].  Eu re-mixei alguns materiais da banda irlandesa Ash, que são uns garotos incríveis.  Eu produzi todos os b-sides do Goo Goo Dolls.  Nós fizemos isso apenas para ter uns B-sides  porque eles não fazem nenhum b-side,  e duas das músicas que eram b-sides acabaram entrando no álbum por último.  Você não diz que as duas faixas são diferentes do resto do álbum. Eu também produzi algumas das bandas de metal  que eu assinei logo depois,  algumas coisas que nem saíram.  É basicamente isso mesmo.  Aliás, eu estava em uma situação meio estranha em estúdio com o Black Sabbath  uma vez,  onde eles precisavam gravar uma música para a trilha sonora do filme "Quanto mais idiota Melhor", chamada "Time Machine".  Nós trouxemos um produtor que acabou não dando certo e nós basicamente tivemos que mandar o cara embora depois do segundo ou terceiro dia. Nós estávamos na Inglaterra, num local chamado Ridge Farm, onde você não vê simplesmente nada por lá.  Nós estávamos bem comprometidos com tempo e basicamente para cortar a história,  eu fui lá e ajudei os caras a terminar a gravação.  Eu não consegui meus créditos por isso.  Eu não ia me chamar de produtor da faixa, mas eu fiz muito para que ela saísse.  Dez dias depois, eu voltei para os EUA e me lembrei de ver Lenny [Waronker,   até então, presidente da WB], Ted [Templeman,  produtor de equipe e executivo do Dep. de Artistas e Relacionamentos] e Michael Ostin, e os caras do Black Sabbath meio que escreveram a letra da música. Então eu toquei para eles a faixa e eles a acharam excelente.  Aquela música não chegou a estourar,  mas acho que ela chegou em décimo-quarto nas paradas rock. Eu não levei os créditos de produtor. Eles quase nunca fazem isso, mas eles colocaram assim "A&R by Rob Cavallo." Essa foi a maneira que a banda achou para mostrar a todos que eu não era só um cara que tava vagabundeando por lá.

ATN:  Isso parece que foi uma enorme motivação para você, uma vez que recebeu uma retribuição dessas pela banda, não? Deve ter sido um gesto e tanto deles e você viu que podia fazer algo para ajudar a banda, o que foi algo chave na hora.
Cavallo:
  Foi exatamente nisto o que tudo resultou. Eu não tinha muita confiança enquanto estava lá, mas eu sabia que tinha todo o conhecimento que eu precisava.  Eu posso fazer arranjos de metais e de cordas e eu sei tocar guitarra, baixo e bateria também. Eu sou mesmo é um roqueiro regular: Eu sempre estive em bandas dos meus 13 aos 20 anos. Já toquei em todos os clubes de L.A.  Eu trabalhei para o George Massenberg [produtor de muito tempo de Linda Ronstadt, Little Feat  e  Earth, Wind & Fire]. Eu treinei com ele no The Complex  e aprendi muito com ele por lá. Eu trabalhei em diversos outros estúdios, depois fiz um ano de engenharia. Eu acho que tenho bastante conhecimento. Eu só não tinha a confiança necessária para saber comom fazer o trabalho.  Quando Michael Ostin  me contratou aqui ele disse, "Porque você não aprende uns truques da A&R?," e isto foi uma das melhores coisas que ele poderia ter dito para mim, poruqe pelos próximos três ou quatro anos, eu assisti meus maiores ídolos gravando seus álbuns em diversos estúdios diferentes.  Aquilo me ajudou muito, pois eu tirei muito do que eles faziam para o meu próprio estilo. Eu assisti um produtor lidar com um artista em uma situação de tensão.  Eu assisti a quando as coisas estavam rolando e quando não estavam rolando.  Eu assisti o que eles fazem.  Isso meio que tirou aquela capa de mistério que tinha os segredos de produção para mim,  e aquilo tudo tornou as coisas mais fáceis para que eu pudesse encarar o desafio. Mesmo que eu fosse somente um representante da A&R,  eles sempre me trataram com muito respeito lá dentro. "Isso mesmo, é o seu negócio. Faça. Seja como nós. Faça com que isso seja excelente."  Hoje, eu sou o Vice-Presidente Senior, e eles me deram enormes artistas para que eu pudesse trabalhar junto.  Quando Michael Ostin  nos deixou [ para se tornar o chefe do Dep. de A&R da nova divisão musical da Dreamworks SKG's,  junto com Mo Ostin e Waronker], ele me deu algumas bandas, e algumas outras coisas foram renegociadas e re-assinadas para mim.

ATN: E você ainda trabalha com os rapazes do Goo Goo Dolls, não?
Cavallo:
  Eu tenho trabalhado com o Goo Goo Dolls  por cerca de quatro ou cinco anos. Nós fizemos cerca de três ou quatro albuns juntos.  Nós meio que suamos com alguns outros álbuns antes,  sempre tendo ótimas críticas e sempre vendendo um número decente de cópias,  mas não era algo enorme, de jeito nenhum, fazendo com que eles fossem a grande bola da vez. Nós vendíamos cerca de 60,000,  100,000  cópias,  íamos só levando.  Mas nós continuamos tentando.  Isso foi na verdade, um grande trabalho em equipe.  Meu pai, na verdade é o manager deles, bem na verdade, Pat Magnarella,  que trabalha na firma do meu pai,  é o contato deles no dia-a-dia.  Eu na verdade, apresentei o Goo Goo Dolls para o Bob e Pat.  De certa forma, entre a banda, eu mesmo e o gerenciamento,  isso é como um único grupo de pessoas que tem lutado junto com o Goo Goo Dolls  nos últimos três ou quatro anos.  Hoje, de repente,  eles estão com um hit,  e as Cias. se separaram.  Você acha mesmo que eu vou jogar para o alto todo meu relacionamento com a banda?  É óbvio que não.  Isso seria simplesmente injusto com todas as partes.  Mesmo se eles não tivessem tido este hit, eu não iria desistir deles, porque você constrói as coisas com om tempo.

ATN:  Com que bandas você realmente assinou contrato?
Cavallo:
Na verdade, minha primeira experiência de contratação foi com a Metal Blade Records. Foi tipo um exercício. O Metal estava em alta, e iso foi em 1987 ou 1988  e nossa cia. Não tinha absolutamente nada a ver com metal. Eu era novo no departamento de A&R e eu conhecia a música Metal. Eles disseram para mim, "Faça uma pesquisa e encontre alguma cia que vc ache que seja interessante para nós fazermos negócio, poruqe nós queremos abrir um sub-selo Heavy-Metal." A única coisa que estava pronta na cena era a Metal Blade. O melhor da Metal Blade foi que nós conseguimos pegar o Goo Goo Dolls. Nós tínhamos o direito, logo de cara, de assinar a banda que quiséssemos, mas a única banda com a qual nós fizemos isso foi com o Goo Goo Dolls. É por isto que eu levo os créditos por ter assinado contrato com eles para a Warner Bros. Assim como muitos caras da A&R as primeiras bandas que eu assinei, na verdade, nem estouraram. Mas eu tive minha chance ao menos umas duas ou três vezes e aprendi as técnicas. Eu comecei a ver que você assina músicas que são obviamente ótimas, algo que te deixa animado imediatamente. Porque assinar com uma banda que não te dá essa sensação? Não estou dizendo que tudo deve ser um hit, obviamente, estou apenas dizendo que é preciso que seja óbvio que a banda seja boa, com músicas de qualidade. Depois que você sabe o que tem nas mãos, aí que você olha na cara das pessoas. Eles têm um modo para vencer? Eles têm idéia de commo vão se representar artisticamente? Porque os excelentes artistas sempre sabem como. Eu nunca vou me esquecer quando o Green Day me disse isso e foi algo muito foda, eles disseram "Nós seremos uma excelente banda." E eles sabiam disso. "Nós seremos uma excelente banda, não importa o que a Reprise faça por nós." Eles já conseguiam levar cerca de 1.000 garotos nos shows em cerca de 10 a 12 cidades ao redor do país, e eles já tinham ido para a Europa três ou quatro vezes. Eles tinham apenas 21 anos de idade. Eles sabiam o quer era necessário para se ter sucesso no meio musical. Eles nunca trabalharam de verdade. Eles começaram a construir uma vida pela banda com seus 16,17 anos de idade. Eles diziam, "Nòs achamos que precisamos da ajuda da Reprise para que nós possamos achar nosso potencial, entretanto, nós estamos competamente certos que iremos fazer as coisas do nosso modo, de qualquer forma. Então, vocês irão pegar o álbum que gravarmos e vocês vão enviar para as rádios por nós. Então assim que eles escutarem, eles irão gostar e com certeza eles irão querer tocar o álbum na rádio." Era assim que eles pensavam.

ATN: Qual a função de um produtor para fazer com que o artista consiga se achar artisticamente? 
Cavallo:
 Um produtor ajuda uma banda a entrar na esperiência de estúdio e tenta ajudá-los a tirar o melhor de seu som para as fitas, mas não é coo se alguém estivesse escrevendo as músicas por eles mesmos. É a visão da banda, eles têm que fazer isso por eles mesmos. Quanto mais forte e definida for a visão da banda no que ela quer fazer, o melhor seu resultado vai ser e as chances de sucesso serão extremamente elevadas. Todas as boas bandas com as quais eu já trabalhei sabe exatamente como elas querem soar. Eu vou dar-lhe tr~es exemplos rápidos, e eles são totalmente diferentes e de visões do negócio musical diferentes. Número um, Black Sabbath: Aqui estão uns caras que já estão na estrada por mais de 25 anos, e eles simplesmente inventaram um gênero músical, pelo menos até onde eu sei. Eles invetaram o som gótico do Metal. O ponto é que, assim com o Green Day sabe exatamente como quer soar, ou o Jane's Addictionsoube como queria soar, Black Sabbath sabia exatamente como queria soar. Eles tinham uma visão musical. Eles sabiam que queriam ser grandes, assustadores e obscuros, e eles também viam isso enquanto estavam no palco tocando. Isso era o certo para eles. Era al go que estava dentro deles e que eles deixaram sair. Se você ir em estúdio com eles hoje em dia, ninguém diz como eles devem soar, eles já sabem como querem soar.
 
O segundo exemplo é do outro lado, totalmente oposto. Mariah Carey escutou uma faixa do Tom Tom Club chamada, "Genius of Love" e pensou, "Eu gosto desta levada. Eu vou cantar algo em cima dessa levada," e ela apareceu com a faixa "Fantasy." Uma pessoa como a Mariah Carey tem visão do que ela quer fazer. Aquela música é um hit tremendo. Eu dou os créditos a ela por ter feito isto. Eu sei que deve ter um monte de gente que diz, "Por um acaso isso é original?" Você pode discutir sobre isto. O ponto é que, ela teve uma visão, ela escrevu uma música e isto funcionou. Ela sabe como ela quer soar e é onde eu quero chegar.  

O terceiro exemplo é o meu favorito porque, para os "fãs" aí fora que não sabem, meu pai tem sido um manager de muito sucesso na indústria musical nos últimos 30 anos. Então eu disse ao meu pai, "Você conseguiu ter um grande sucesso" porque quando eu comecei esse negócio eu meio que dizia, "Wow, aqui estou eu caindo [risos]" ele diz, "Jesus, você teve um artista de ponta em todas as décadas pelas últimas quatro décadas. Em alguns casos, até mesmo mais de um artista top por década. Como que você conseguiu fazer isso?" E ele me disse, "Eu sempre assino pessoas que tenham visão." Quando você assina pessoa, você tem que ter confiana nelas como sendo pessoas e não somente na sua confiança musical. 

ATN: Quais foram as experiências-chave que voc~e teve para aprender a produzir álbuns?   
Cavallo:
Eu tenho tido muita sorte de trabalhar com algumas das melhores pessoas do ramo. Eu já vi o que é preciso para se ter sucesso nesse negócio nas mais diversas áreas.

ATN: Você cresceu rodeado por isto não?
Cavallo:
Sim, embora eu tenha me atentado á isto somente nos últimos cinco anos enquanto eu trabalhava aqui. Eu via Mo e Lenny trabalhar. Eu via Ted Templeman trabalhar. Eu vi Michael Ostin trabalhar e Roberta Peterson. Eu já vi vários mixers talentosos. Eu vi produtores como Mack, Don Was, Brendan O'Brien, Bob Ezrin, Chris e Tom Lord Alge em estúdio. Eu vi os melhores produtores de metal, os melhores produtores de rock, os melhores produtores de pop. É realmente uma bênção. Eu tenho visto vários álbuns punks ótimos sendo produzidos. Eu conversei com a banda Flaming Lips sobre o que eles fazem em estúdio. Eu os acho fantásticos em termos do que eles fazem, são bem inovadores. De todos os lados. Eu vi jovens chegar no negócio, Eu mesmo sou um cara extremamente jovem. Tenho 32 anos de idade. Eu já vi vários caras novos chegando no negócio e dando certo, fazendo o nome, mais notavelmente um grande amigo meu, Jerry Finn. Ele foi o cara que mixou o’“Dookie“ junto comigo, e desde então ele tem produzido suas próprias bandas. Ele produziu o novo álbum do Rancid, mais notavelmente, e ele também produziu o novo álbum do Pennywise. Quando estávamos produzindo o primeiro álbum do Muffs, ele era o segundo engenheiro de som trabalhando no Devonshire por $4 a hora. Eu tenho o hábito de ficar até mais tarde no trabalho. Depois que todos vão embora do estúdio, eu sento lá e escuto ás gravações que fizemos durante o dia e ele ficava me ajudando a escutar as fitas. Eu acabei tendo diversas conversas com ele e descobri que ele ralmente saiba do que falava. Foi por isto que, quando tivemos a chance de mixar juntos uma música do Muffs song, eu disse que queria somente eu e o Jerry no estúdio. Kim Shattuck, o líder do Muffs naquele momento, tinha dito a mesma coisa. Quando chegou a hora de tentarmos mixar o ’’Dookie’’ pela segunda vez, eu disse que queria trabalhar apenas com Jerry. Eu imaginei que apenas eu e ele mixando juntos no Devonshire 4 daria certo. Era o som que queríamos. Nós fizemos isso lá antes, então tudo fez sentido e foi certo, ceom cereteza.... Agora, ele terá uma brilhante carreira. Ele está pronto para a corrida.

ATN:  Vamos falar um pouco de filosofia. Como você cria um ótimo ambiente de estúdio para as bandas?
Cavallo:
O álbum ’’The Beatles' Complete Recording Sessions’’ é para mim, a Bíblia de produção de de se fazer música, porque nos sete anos que estes caras estiveram juntos, os Beatles e George Martin, a energia positiva e criativa que eles geravam juntos fez com que eles aparecessem  com idéias cada vez melhores do que antes, tanto no nível musical quanto técnico. Tecnicamente, no estúdio, eles apareciam com um problema e George e os rapazes em blusas brancas (os técnicos) sentavam juntos e apontavam o que estava errado, e eu fico pensando em como conectar duas mesas de som de fitas, ou como gravar um baixo direto na mesa, ou como conseguir um eco legal para uma música, ou um double-track automático. Eles apareciam com essas coisas devido aos problemas que encontravam enquanto gravavam. A mesma coisa acontecia musicamente. Os Beatles estavam desbancando barreiras no que diz respeito ao que faziam musicalmente. O que mais me chamou atenção para tudo isto foi que através da banda e produtor, eles criaram um ambiente de confiança, uma atmosfera onde você poderia tentar de tudo. E é exatamente o que eu tento fazer. Quando você entra em estúdio com uma banda, você quer ter certeza de que ninguém ali apareça com uma idéia exdrúxula e se sinta envergonhado por isto. A verdade é que você deve aparecer com idéias e ir juntando-as para ir em frente musicalmente e criativamente. Você não pode ter medo de se expressar e deve levar isso em frente. Exatamente por isto não é bom ter egos muito elevados, principalmente o produtor. Se o produtor não tem ego algum, isso quer dizer que o único trabalho dele é sentar na mesa e dizer, "Como eu posso fazer esta idéia trabalhar? Esta é mesmo uma boa idéia?" É também, para sustentar o clima de confiança para que um membro da banda possa dizer, "Não seria legal que a gente dobrasse o verso antes de irmos para o refrão?" Ou, "Eu tenho esse som maluco que eu faço no baixo que seria legal colocarmos no bridge da música." E os caras diziam, "Vamos tantar." Se funcionar, ótimo. Se isto não funcionar, não adianta fazer a caveira de ninguém, você tenta outra idéia. Eu acho que é uma das coisas mais importantes que você pode fazer para criar um clima aberto entre as pessoas no estúdio. Porque daí, o que realmente acontece é que você vai finalmente tirar o melhor de seus artistas na sala de gravação. Você grava isto. É uma das coisas mais emocionantes que eu consigo fazer em vida, que é estar com  uma banda em estúdio que tanha idéias criativas e elas começam a sair e começam a funcionar para que sejam gravadas. 

ATN:  Quando foi a primeira vez que você experienciou isto? Foi como Black Sabbath ou isto aconteceu depois?
Cavallo:
Isto aconteceu um pouco com o Black Sabbath. Eu estava bastante animado, pois o som da guitarra estava fantástico. Eu acho que o modo como o Tommy Iommi toca é excelente, e toda vez que o Ronnie Dio canta, é especial. Na "Time Machine," o terceiro verso é o mesmo que o primeiro, ou tem uma linha que é a mesma, mas por ser o terceiro verso, Ronnie cantou diferente: Ele cantou em um tom mais alto, e por apena sum segundo ela tinha um toque difernte. Todos ficaram assustados, pois nós sabíamos que se ele tinha cantado da mesma forma, teria sido algo bastante trsite, teria sido chato pois já teríamos escutado isto antes.  O artista nele e a atmosfera criativa que nós criamos foi tal que ele teve capacidade de fazer aquele pequeno detalhe acontecer, e musicalmente estava correto.  Era a coisa certa a fazer, e isto realmente deu uma levantada na música. Você sempre procura estes detalhes. Isto aconteceu muito quando estávamos gravando o  Dookie, sem dúvidas quanto á isto. Eu me sinto extremamente abençoado que eu tive a chance de fazer um álbum com eles. Desde tirar o som da bateria, tudo parecia se encaixar. Nós sempre soubemos disto. Toda vez que tínhamos um take que não parecia ser o certo, tipo, era meio que o Tré deixando suas baquetas caírem e você sempre as ouvia batendo no chão e nós tirávamos um break. Tre é um ótimo baterista, de verdade. A melhor coisa dele é que sua concepção musical é maravilhosa, porque se você escutar "Longview," você consegue perceber o quanto que ele adiciona para a música. Ele adiciona poucas coisas. Só batendo no chimbal por um segundo antes do começo dos versos, é um baita de um detalhe. O modo como ele mescla os padrões da música nos versos é realmente muito interessante. E depois, a fúria e energia com a qual ele toca o refrão e impressionante. Ele gosta de viver aos extremos, então ele, por várias vezes aparece nos toque finais das músicas quando estamos deixando a música bem baixinha, o que é algo muito bom também. Ás vezes ele precisa de mais takes porque ele sempre está experimentando e tentando coisas novas. E isso é sempre assim. Uma das coisas mais impressionantes foi que todos os vocais do Billie foram gravados em dois dias... e os B-sides também. Ele cantou acho que 16 ou 17 música em dois dias. Nós nunca paramos. Ele fazia um take, dae outro take, e era sempre o take um ou dois. Ás vezes ele fazia outro take e era por cima do take um, então o take três estaria ali no meio. Então usávamos um dos dois. E era assim que funcionava. Ás vezes ele gravava um único take e era isso mesmo, não tinha nem o que mexer. Este é outro sinal de uma excelente banda: Eles sabem quando disseram o que tinham para dizer. Eles sabem quando fizeram a magia acontecer. E não é necessariamente um grande esforço para eles fazer isto. Ele sabem que se abrirem seus corações para o microfone, é tudo o que precisam. Eu sei que muitas bandas tentam achar o take "mágico" e acabam se matando para conseguir. Bem, você tem que se matar mesmo, e você tem que conseguiur esse take mágico,  mas o mais importante, você tem que saber quando que você o fez. Você tem que saber como vai fazer para chegar lá e isto não é algo que deveria deixar você nervoso. Você não chega lá se estressando. Você chega lá sendo paciente e sendo bom com você mesmo e ter uma pequena confiança silenciosa de que sim, você consegue fazer isto.