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Chris Lord-Alge é um dos responsáveis pela mixagem dos álbuns “Nimrod” e “American Idiot”, do Green Day. Seu trabalho junto com o produtor Rob Cavallo definiu o som do Green Day após o ano de 1997. Chris é um dos maiores mixers da atualidade e divide um estúdio com seu irmão Tom Lord-Alge. Já trabalhou com dezenas de artistas e sempre se mantém atualizado no que há de melhor no mundo dos mixes. Em 2006, Chris ganhou, junto com Rob Cavallo, o Grammy de Melhor Gravação, pela faixa “Boulevard Of Broken Dreams”.
Confira abaixo uma entrevista com o próprio falando um pouco sobre o seu método de trabalho.
Chris Lord-Alge.
“Você tem que deixar tudo exatamente com a identidade do artista. Vocênão pode deixar sua marca no trabalho que está fazendo. Eu prefiro mil vezes comprimir muito uma linha de voz para conseguir tirar a atitude dali. É como vestir um cara com uma jaqueta irada para ele sair á noite — Aquilo acrescenta atitude!”
Vivendo em Los Angeles por mais de 15 anos, talvez não tenha tido quase nenhum efeito no estilo de vida East Coast de Chris. Caso você ainda não tenha conhecido o cara, tenho que lhe dizer, é um cara rápido e certeiro. Suas maiores qualidades são velocidade e eficiência, e com certeza não é gastando tempo — o dele, ou o de qualquer outra pessoa.
O filho mais velho do clã Lord-Alge começou sua carreira em sua cidade natal New Jersey, onde era baterista em algumas bandas locais. Hoje, é um dos mixers mais requisitados do mercado, e especulações sobre sua fórmula de sucesso não param de pipocar por aí: Como ele consegue fazer tudo tão rápido e tão freqüentemente? Esta questão fica ainda mais sem respostas quando você escuta um medley de suas mixagens, por que, ao contrário do produto final de outro mixer de canções que estão no topo das paradas, os seus remixes todos soam diferentes. Escutando Dave Matthews Band, Faith Hill e Melissa Etheridge, você terá problemas para encontrar a marca de Chris.
Confiante, sempre com uma opinião formada, assertivo (okay, agressivo!) e extremamente verbal, Chris também procura sempre satisfazer. Estes atributos, junto com suas habilidades e tecnicas musicais natas, criaram uma combinação vitoriosa e fez com que fosse indicado á dois Grammy. Dentre seus créditos de platina de mixagem estão, “Everyday” da banda Dave Matthews Band, “Nimrod” do Green Day, “All the Money Pain Can Buy” do Fastball e “Savage Garden” da banda Savage Garden. Ele freqüentemente é escolhido para mixer hits de radio e você já deve ter ouvido seus trabalhos em singles das bandas No Doubt, Everclear, Orgy, Barenaked Ladies, Nine Days e Foo Fighters, entre outros. Olhe um pouco mais fundo em sua discografia e verá alguns artistas bem interessantes: Collective Soul, Hole, Bad Religion, Meredith Brooks, Joe Cocker, Chris Isaak, Sprung Monkey e B.B. King, apenas para citar alguns.
Então, como ele faz isso? Sentei com ele em uma manhã em seu studio caseiro em Hollywood, esperando encontrar respostas. Dia após dia, ele elabora os hits por lá, trabalhando com um console 60-input SSL 4000 G Plus em uma sala de controle que ele configurou de forma com quem se sentisse bem. Era um Sábado, cerca de 11 horas da manhã quando entrei no estúdio, e ele já trabalhava em alguns remixes da banda P.O.D. há algumas horas...
Então, a que horas geralmente você vem para o trabalho?
Bem, eu saio de casa, que fica há uns 35 ou 40 minutos de distância, ás 08h35min.
Se mixar bem, vai para a casa cedo.
Bem nós tentamos sair daqui num horário razoável. Apenas trabalhamos mais tarde se realmente tivermos que trabalhar. Se você fizer isso, seis, sete dias por semana, você tem que equilibrar as coisas. Eu trabalhava cerca de 12 horas quando eu estava começando e ainda o faço se for necessário, mas geralmente não. É melhor para todos. Não quero que pessoas saiam para jantar e então voltem aqui depois e tentar se concentrar quando estão cansados. Apenas tento fazer tudo ficar mais fácil, acho que meus clientes preferem assim.
Porque você acha que as pessoas te procuram para mixer seus trabalhos?
Eu acho que as gravadoras vêem os mixers como jogadores de baseball. Se vão colocar alguém para rebater, é melhor que o cara consiga fazer um home run. Não querem mais ficar experimentando, você tem que fazer acontecer o trabalho que eles querem. E se, de vez em quando, você entrega exatamente o que querem, sempre voltarão a falar com você. Você não pode atender uma ligação e dizer, “Be, não enho muita certeza sobre isso.” Pois assim você não vai conseguir um outro trabalho.
Sim, mas como alguém faz uma mixagem?
Eu acho que você tem que ter o ouvido certo e o talento criativo para se arranjar. Uma grande parte do trabalho é você ter em mente que aquela canção não é sua. Você a está fazendo para clients e pessoas que irão comprá-la depois. Se um album que você está mixando é para garotos de 17 a 21 anos, telavez seja um rock pesado ou mais hip-hop, você tem que ter certeza que esse é seu alvo. Claro, você tem que gostar do som também, afinal de contas você está mixando-o! Você o faz até o ponto de gostar e se você o fizer, talvez todos os outros irão gostar.
Agora, isso não quer dizer que seja fácil. Leva anos para você refinar seu talento e cada tipo de equipamento para cada estilo musica. Mas meu método de trabalhoé baseado em rotina pura — como trabalho com minha equipe, como eu trabalho — aí é que eu não desperdiço tempo mesmo. Não fico sentado vendo televisão e almoçando por três horas. Eu apenas entro lá e trabalho. Existe muito tempo para comer, beber e se arrepender depois, horas. Socializar com os clientes é uma coisa, você tem que fazer com que eles se sintam em casa. Mas geralmente, os clientes com quem trabalho querem vir até aqui, refinar um pouco, pegar um CD e ir escutar. Eles acham ótimo quando eu digo que estará tudo pronto ás quarto, e está pronto ás quarto.
Você freqüentemente é chamado para mixer singles de rádio. Qual a diferença principal entre este tipo de mixagem e a de um álbum?
Você olha a versão do álbum, descobre o que acha que é, em sua opinião, fazendo com que fique ainda melhor e elevar onível da coisa. É um mercado muito competitivo.
Você tem amizade com apresentadores de programas de rádio?
Sim, conheço alguns das principais rádios da cidade. Eu sei o que o equipamento deles faz em termos de som á um álbum, sei o que eles estão tocando e que tipo de som que os faz ter sucesso, baseado em uma forma, duração ou estilo. Então, geralmente eu tenho uma boa idéia se a canção teve uma boa resposta, ou o que vai fazê-la ter esta resposta. Lembre-se, as pessoas não têm muita paciência para rádio. Se eles não se ligarem em, vamos dizer, 20 segundos, elas mudam de estação.
Você disse que talvez as pessoas não escutem as versões de radios, depois que compram um álbum.
Pessoalmente, acho que quando você está mixando um álbum, você procura maximizar cada canção. Qualquer canção que você ache que eles não gostariam que fosse um single, você a torna um.
Através de edição? Mudando arranjos?
Muitas vezes, é apenas como você faz a canção soar. Você a faz o quão competitiva ela pode ser. Então, se a canção está chegando á 5 minutos e meio, você diz, “Então, á propósito, eu consigo deixar esta canção com cerca de três minutos, três minutos e meio para a rádio.” Ás vezes, eles decidem usar esta versão para o álbum.
Você corta a gordura. Sei que gostam de canções longas, vocês querem seis minutos. Mas se você tem um álbum com 70 minutos de duração, acho que isso é absurdo. Eu consigo colocar os quatro primeiros álbuns dos Beatles em um único CD — para você ver como eram curtos. A duração é importante. Fazer comque as pessoas queiram escutá-lo de novo! Vinte refrões repetidos no final não vão fazer com que a pessoa queria escutar aquilo de novo.
Ainda é parte de sua técnica jogar as canções em um 3348 e então jogá-las de volta onde quiser em seu console?
Com certeza. Quase tudo vem em Pro Tools, e tenho meus dois assistentes que são dois hackers e que transferem isso para mim do jeitinho que eu quero.
Foi o que fez com o último álbum da Dave Matthews Band?
Ele chegou num 48, estava em Pro Tools, e eles mesmos transferiram. Pedi á eles duas cópias de cada cançãom então eu poderia mexer em uma e deixar a outra intacta. Manipular, eu quero dizer deixar as pistas nos faders digitalmente, sem tem que cruzar nenhuma delas. Ou juntar os vocais e outras partes que acho que deveriam ir juntas. Pois, para mim, em quanto menos faders você tiver que mexer, melhor ela vai soar. Você não precisa de 90 faders para fazer acontecer.
Você escuta um mix cru antes de começar a trabalhar?
Gerealmente, não quero ouvir até terminar a mixagem. É o que eu chamo de “caça aos detalhes,” e a mixagem crua conteém notas mudas e problemas de arranjos que não estão presos na fita, então, preciso da mixagem crua para saber onde estão estes detalhes. Mesmo que eu não concorde com os arranjos, faço com que os arranjos aconteçam primeiro, então, terei uma alterntiva e dizer, “Aqui é o que eu acho que fica melhor”.
Mas, com a maioria dos meus clientes, tudo o que está na fita, eu uso, todo pequeno detalhe é digerido. E neste caso, não escuto ao mix cru a menos que eles estejam tão apegados ao mix, que eu tenha que imitá-lo. Gerealmente, não quero ter nenhum conceito. Não quero nem saber o nome da canção. Coloco lá e lá vamos nós — completamente fresco. Se você me perguntar qual canção eu mixei ontem, talvez eu não lembre exatamente do nome da música, mas sempre irei lembrar da levada e da vibe da canção. É o que mais importa.
Pelo fato de você estar tão ligado em velocidade e eficiência, estou surpreso por você não ter convertido ao acesso randômico de “hard drive”.
Isto não é reconhecido como um meio profissional e que pode ser arquivado. O que você vai fazer? E se você colocasse o hard drive longe, guardado em um espaço e dez anos depois você quisesse ressucitar aquele album, o software está desaparecido ou não trabalha ou os arquivos estão corrompidos? É, ajuda muito. O formato não foi definido como um meio único que ficará estocado, mas hoje em dia a mesa de 48 canais, é.
E com relação á todo o tempo perdido com sobras?
Você quer saber? Preciso desse tempo. Você grava no 3348 no nívle máximo, e você o ajusta para que atinja o maior nível no console, algo que você não vê muito em Pro Tools. O Pro Tools é um meio de gravação e edição ótimo, e talvez, em algum ponto eles irão crier uma interface para que trabalhe com qualquer console e que possa ser arquivado. Até lá, eu quero um pedaço de fita.
Já rolaram muitas ocasiões ultimamente em que eu tentava remixar um single e o pessoal não conseguia achar a fita — por que não existia fita nenhuma. O cara com o arquivo de Pro Tools não está aqui e em nenhum outor lugar, e não sabem quem editou aquilo. Eu tinha que juntar todas aquelas sessões diferentes de Pro Tools e tentar juntar em uma e tentar fazer sentido no final com a última mixagem.
A verade é que vários caras que mexem com isso geralmente fazem uma bagunça com tudo. Não notam tudo do jeito certo, nao arquivam do jeito certo, não fazem tudo certo. A gravadora acaba levando um baita tempo para achar um album que pagaram milhões para ser feito.
Até aparecerem com o meio de gravação certo, eu digo, fique com o que dá resultado. Pessoas ficam dizendo, “Bem, não é um 24-bit, é um 16-bit.” E eu digo, “Se soa bem, o que importa o tamanho da letra?” Deixe os bits caírem onde devem. O sistema que eu uso funciona, e soa Muito bem.
Você é conhecido por suas opiniões em tirar sons de bateria.
Bem, uma bateria é um bumbo, uma caixa, tons e pratos, mas na verdade, é apenas um instrumento único. Então, quando está gravando, claro que você não vai querer várias coisas no bumbo e você não quer tons nos chimbais ou na caixa, mas você vai querer gravar fazendo com que um microfone complemente o outro. Eu vou equalizar a pista do chimbau para soar como uma caixa, para ajudar a caixa se eu tiver que fazê-lo, pois o chimbau vai cortar todos os sons de qualquer forma.
Além disso, existe uma desvantagem logo de cara quando você vai gravar uma bateria digitalmente. Se você graver a bateria de modo analógico, você pode cometer vários erros, e automaticamente eles irão soar coo algo por que é o que a fita analógica faz. Você não consegue apagar isso do digital, de nenhum tipo. Um engenheiro de som muito bom pode gravar digital e se dar bem com isso, mas se você ainda busca o som de bateria perfeito, o digital não fará isso por você.
O analógico é como um daqueles carros low-rider passando na rua com as janelas pretas; rola uma vibe. Você vê através dele, mas não completamente. Existe um pouco de barreira ali. O digital é como uma parede de vidro, se você não estiver olhando, vai passar por ela e trombar ali. Não faz nada como som, se qualquer coisa, o deixa pior, deixa o som mais clínico. Quando consigo álbuns dos quais eu não aguento o som da bateria, quando não soa direito e não adianta, eu transfiro para o analógico e jogo de volta, para que eu possa escutá-lo. Pois, como um baterista, tem que soar certo para mim.
Que tipo de compressores você gosta de usar em baterias?
Quando as baterias são gravadas, eu prefito não usar nenhm tipo de compressão. Uso o meu velho Neve mic pres, uso bons microfones, tento não equalizer com exagero e tento colocar o mais background possível, pois é algo dos mais difícies de se fazer sair certo. Tento fazer isso para que os microfones anteriores não fiquem pegando no pedal. O que acontece o tmepo todo — você pode escutar isso, por favor? Não existe nada de errado em ter uma bateria um pouco certinha demais Jane. Se você quer juntar alguams faixas com uns compressores legais do estúdio que você está gravando, então separe em outras pistas.
Não estuo dizendo para deixar as baterias originais um saco de ouvir — você tem que tentar chegar a algo. Talvez a banda goste de Led Zeppelin ou aquele som seco, quase disco. Não importa. Mas faça isso de modo que faça sentido, para que você tenha aonde ir.
Ás vezes eu pego pistas de bateria tão confuses que tenho que tentat refazer o que fizeram. Está tudo distorcido, ou a caixa estátão compressa que á apenas um pequeno “ping.” Sei que todos vocês querem experimentar e testar estas coisas novas, mas tente deixar um pouco do simples também, do direto, do que é claro para escutar, pois é mais fácil juntar isso depois, do que desmanchar. Compressão pode ser algo perigoso em mãos erradas. É como uma arma; Uma vez que você faz um buraco com um tiro, não dá pra por o que tinha ali de volta.
Para um fã confesso de SSL, você deve saber bastante sobre equipamentos da Neve.
Bem sim, Prefiro coisas que são gravadas em consoles velhos da Neve. Neve/SSL é o melhor complementador.
E sobre esse rumor de que você não gosta de alterar a configuração de seus equipamentos de outboard?
É verdade. Nos limitadores, quero dizer. Ao invest de mudar uma configuração completa, compro um novo e configuro de forma diferente.
Você está de brincadeira.
Não, é o que eu faço. É por isso que eu tenho vários. Tenho um set para um tipo de som, e este outro é para um tipo de som diferente. Ligo os dois, juntos e estão na melhor configuração. Mudo as equalizações, mas é basicamente isto. Os limitadores ficam configurados para a melhor programação deste limitador. Faz parte da coisa, ajuda na repetição.
Vindo para cá eu estava escutando canções de três artistas que você mixou e todas são completamente diferentes uma das outras. Não conseguiria dizer que a mesma pessoa os mixou.
Você pensaria, pelo o que eu tenho montado aqui, que toda mixagem irá soar igual, como uma mixagem pronta. Não. É apenas conveniência. Apenas pelo fato das faixas serem colocadas no mesmo lugar do console, e muitas vezes passam no mesmo equipamento, não quer dizer que iráo soar todas iguais. Você tem que deixar tudo com a cara do artista. Não pode deixar sua marca ali.
O que você adora tanto neste console SSL 4000 G Plus?
É o seguinte, este console tem atitude. Daqui há 10 anos, estes consoles serão como Neves velhos. São clássicos. Este foi instalado em 1985; é modificado até onde quiser e puder, e está em ótimo estado. E ele tem as luzinhas indicativas de metros. Me guio por elas.
O que você quer dizer?
Tenho que ver o que está rolando. Não faço isso apenas com o ouvido! Uso os metrônomos para balancear o que sai á esquerda e direita e para ver o que anda saindo de cada fader, assim eu consigo melhorar o console.
Então, sera que a SSL não deveria ter chamado o novo console Classic de Chris Lord-Alge “Special Edition”? Manja, como uma guitarra?
Bem, CLA já está num Classic de qualquer forma. Então, eles meio que fizeram isso. Não me etenda mal, não existe nada de errado com os novos consoles. Não sou um velho que diz “não vou mudar nada”. Mas quando vou á uma corrida de carros, quero estar em uma Ferrari com uma boa embreagem, direção hidráulica e um bom acelerador. Não quero ter nada no meio que me atrapalhe de vencer. E não quero ficar aqui a noite toda tentando entender o console ou sua automação.
A principal função dos novos consoles digitais que me atria e que, se eu tiver uma mixagem pronta e meu cliente está atrasado, posso começar a próxima mixagem, deixar gravado na memória e depois mostrar de onde parei. Mas nada mais o deixou ainda melhor. O que eu queria mesmo era mais um desses em liha com todos esses que eu tenho aqui. Pense: É mais barato, posso ter a mix número 1 aqui e a número 2 ali… Se fosse por mim, eu teria destruído este console e já colocado outro no lugar — Como palcos A e B em um show. É o seguinte, eu gosto de como ele funciona, apenas me dê mais um.
Eu uso e sou fã da SSL desde o primeiro dia, e gusto do MT, mas acho que todo esse lance digital é um saco ás vezes. Quem sabe onde isso vai parar um dia? Para mim, o grande problema de consoles digitais é que este ano ele é o máximo, no ano seguinte, sua configuração já não é suficiente.
Em qual formato você mixa?
Em um Ampex 2-track, GP9 Plus 6, e em 16-bit DATs com um conversor Apogee PSX e para CDs. Tentei alguns hard drives, mas não consegui nada de muito bom neles. Tenho certeza que existem unidades muitop boas por aí afora, mas o que eu tinha, no momento que começou a pular no hard drive, eu devolvi.
Vamos falar de vocais.
Os vocais são as partes mais importantes da faixa. E muitas vezes, não são gravados tão bem como poderiam ser, com o limitador á direita. Você ficaria surpresa com a quantidade de compressão que iria usar para fazer o vocal alinhar-se com a canção. Claro, você não pode comprimir a canção demais e deixar assim, e ao mesmo tempo não terá aquela personalidade que um bom e velho compressor pode te dar.
Eu prefiro mil vezes comprimir muito uma linha de voz para conseguir tirar a atitude dali. É como vestir um cara com uma jaqueta irada para ele sair á noite — Aquilo acrescenta atitude!. E nada acrescenta mais atitude do que um 1176s. Tenho seis para escolher entre eles aqui. Também gosto de Vac Racs, onde consigo ter oito canais.
Acho que esses limitadores Vac são perfeitos para backgrounds e muitas vezes em albums de rock, são perfeitos para o vocal principal. Eles têm apenas uma configuração: Ambos os botões completamente para a direita. É a melhor configuração que tem.
Os meus vocais são centralizados sempre nas fileiras de 17 á 24, bem no meio, o que é importante, por que você ainda tem que enviá-los para alguns faders para aumentar os níveis. Não deixe os faders de vocais muito altos, assim começaram a pular e isto não funciona neste console. Então, por que não colocar os vocais em dois faders, bem perto deles, apenas para ajudar os níveis e então, os efeitos finais você consegue nos faders.
Eu geralmente não encho os refrões com muito eco; Apenas deixo um pouco na esquerda, direita ou no centro. Se tenho uma canção onde todos os backgrounds estão em pistas mono, as deixo no meio e juntas, pois a mistura das pistas pode funcionar melhor. Ou então as transformo em stereo adicionando um pouco de harmonias. Uso um H3000 velho, ou uso um preset Early Reflection em um REV5 para deixar um pouco stereo, mas ao mesmo tempo, não com um som tão seco ou cru.
A coisa mais difícil de fazer é fazer o vocal entrar bem no meio da faixa. E então, consertar a fala, para que não pareça que o cantor está cuspindo ou tenha algo na boca e ao mesmo tempo manter as sílabas certinhas, no controle.
E onde você monitora?
Em um NS-10 com um subwoofer da Infinity tque eu consegui em Frys por umas 300 pratas.
Um subwoofer?
Você tem que ter um subwoofer; Se você não consegue ouvir o que está Rolando ali embaixo, você não vai acertar. Sei que uns caras mixam com subwoofers, eles deixam isso muito alto e as mixagens terminam sem background nenhum. Mas, se você configurar ele certinho, e então você consegue ouvir a oitava menor, você ás vezes irá atrás das notas mais profundas, especialmente se você está trabalhando em canções de R&B ou rap ou hip hop, você tem que ter o subwoofer então para que você consiga ter a frqüência do caminhão. Aquela batida pesada e bem “boom” que caras em caminhões adoram escutar.
Tenho também o meu Sony Blaster. Está em um rack, e esta é a comparação. Meu irmão Tommy me deixou ligadão nisso e todos os clients que vêm aqui querem escutar seus mixes neste equipamento. Se soa bem em um falante de 2 polegadas em um pequeno micro system, então o que isso quer dizer? Tem que soar grande em um falante pequeno. Você está tentando fazer algo soar o mais alto possível no menor meio que existe.
Falando sobre seu irmão Tommy, quando fiz uma entervista com ele há uns anos atrás, ele passou a primeira meia-hora só falando de você.
Bem, eu o treinei! Ele trabalhava comigo, e fico muito feliz que ele esteja se dando bem.
Qual o seu conselho para quem quer tirar o melhor de você em um trabalho de mixagem?
Deixe o artista e o produtor vivenciarem a gravação, para ter certeza que eles gostam dos arranjos. Você não deve entrar na sala de mixagem e dizer, “Não sei sobre esse teclado, ou essa guitarra. Não sei sobre iso ou aquilo.” Assim que você começa a dizer “eu não sei,” você nunca vai conseguir terminar. A indecisão não deve nunca fazer parte da sala de mixagem. Deixe-me fazer o album soar bem, não tente nada em cima do arranjo. Uma coisa é fazer uma edição de radio ou uma versão menor da canção, mas se existem partes na qual você não tem certeza, nem mesmo as coloque na canção. Mande tudo embora. Decida-se.
Você está em uma posição de ter uma visão única do seu negócio e para onde a indústria vai. O que você vê?
Nós temos experimentado com novas técnicas e sons; Acho que vamos cobrir as boas canções. Espero que consigamos pegar mais albums com personalidade, e nada que já esteja muito pronto, ou seja, simples. Mas, no fim do dia, é uma dona-de-casa com uma criança de dois anos de idade, sentada na cozinha com o rádio ligado, ou o cara que está dirigindo o seu carro na praia com sua garota e uma canção maravilhosa sai do rádio só para elas, é a única coisa que importa.
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PRINCIPAIS TRABALHOS DE CHRIS.
Abaixo você pode conferir os principais trabalhos de mixagem de Chris Lord-Alge:
Dave Matthews Band: Everyday.
Sugar Ray: Sugar Ray (Álbum no qual ele mixou cinco faixas).
Dido: “Don't Think of Me” (Faixa na qual fez uma mixagem para rádio).
American Hi-Fi: “Flavour of the Weak”
Faith Hill: “I Should Fall” e “Let's Make Love” (Faixas do album “Faith”, indicado ao Grammy de 1998).
Nine Days: “If I Am” e “Absolutely (Story of a Girl)” (Faixas do album “The Madding Crowd”).
Green Day: Nimrod e American Idiot.
P.O.D.: Fundamental Elements of Southtown (Álbum no qual ele mixou seis faixas).
Macy Gray: “I Try” (Faixa para a qual fez uma mixagem especial).
Hole: Celebrity Skin (Álbum no qual ele mixou quatro faixas).
Fastball: All the Money Pain Can Buy.
Savage Garden: Savage Garden.
Everclear: “I Will Buy You a New Life” e “Father of Mine” (Faixas do album “So Much For the Afterglow”).
Entrevista retirada do site MIX Online e editada pela equipe TheNimrods.com.